É possível ser feliz sozinho | Ponto de vista

Explorasp_É possível ser feliz sozinho (as vezes)

Um dos maiores medos das pessoas é a solidão. Sempre queremos estar perto de outras pessoas, estar acompanhado nos eventos. Porém, às vezes, estar sozinho é muito bom.

Conheço várias pessoas que não fazem nada se não tiverem companhia. Eu não tenho problemas em fazer alguns passeios sozinha como ir ao cinema, teatro, exposição e até uma viagem. Se não encontro um amigo disponível para me acompanhar eu não deixo de fazer o que quero, vou assim mesmo.

Em 2013 teve um show do Aerosmith (que eu amo!) e queria muito ir de pista Premium, mas não consegui alguém que topasse pagar o preço alto. Três amigos estavam na pista normal, porém eu não queria perder a oportunidade de ver o Steven Tyler e o Joe Perry de pertinho de novo, como no show de 2011. Fui sozinha, fiz amigos na fila e foi ótimo.

Com cinema acontece frequentemente, principalmente porque decido muitas vezes de última hora. Saio do trabalho, passo em algum cinema perto, escolho um filme que está para começar, pego uma pipoca e me divirto.

Aí você pensa: “São Paulo é uma cidade solitária mesmo” e isso até pode ser verdade, mas tudo tem um lado bom. Você pode ser a sua melhor companhia a maioria das vezes. E não tem a ver com cidade grande ou pequena. Fui ao cinema várias vezes sozinha quando morava em Londrina e não era por falta de companhia. No post sobre a Paulista falei sobre o Cine Com-Tour que era perto do meu trabalho e fazia a mesma coisa: saía e pegava um filminho all by myself.

Particularmente eu gosto de sair do cinema e ficar pensando na história, calada, observando ao redor a reação das pessoas. Aconteceu recentemente ao assistir “Ela”, no Cine SESC. É um filme que conta a história curiosa de um homem que se apaixona pelo sistema operacional do seu computador. Parece absurdo, mas o romance entre o homem e a máquina tem muito a ver com a vida contemporânea; o filme fala sobre amores idealizados, solidão, arrependimentos, corações partidos… No final do filme tinha tanta gente chorando que eu fiquei surpresa.

Saí de lá tarde, e olhando a Paulista vazia, somente os carros e as luzes, me fez refletir sobre muitas coisas, sobre o filme, a vida. Foi um momento só meu, sozinha observando as coisas. Era nesse ponto que eu queria chegar: estar sozinho não é assustador, pode ser um momento muito bom de reflexão, aprendizado, crescimento.

Vejo muitas pessoas procurando alguém para fazê-las felizes, mas não é função de outra pessoa te fazer feliz, é você que tem que encontrar a felicidade. Claro que ir para uma balada sozinho não é legal, tem momentos e momentos para ficar só. Talvez não seja tão divertido assistir “50 Tons de Cinza” sozinha, o legal é sair comentando “cazamigas” e tal, mas talvez seja bom ir sozinho para alguém, vai saber.

Puxando a sardinha para a minha cidade, o que gosto em São Paulo é poder ir sozinha ao cinema e tudo bem, as pessoas não vão julgar se você é solitário, não tem amigos ou se é apenas um cinéfilo, pelo menos EU nunca senti esse julgamento. Por isso me sinto tão bem nesta cidade, ela é dura, mas acolhe. E o meu objetivo com este texto é mostrar que somos os únicos responsáveis por nossa felicidade, desde sair pelo mundo “mochilando” a ir assistir aquele filme ucraniano em preto e branco de 2h30 que você quer muito ir.

A vida é muito curta para ficar pensando na crítica dos outros, se joga!

Fabi.

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Edifício Viadutos | São Paulo de cima

Um dos melhores ângulos para ver São Paulo é de cima, para poder entender sua extensão, sua complexidade e ver as pessoas lá longe, pequeninas, envoltas de dia-a-dia.

Em uma andança pelo Centro, passando pelo Viaduto Maria Paula, avistei um prédio antigo lindo, colorido, com um salão envidraçado lá no alto. Como trabalho com eventos, já visualizei algo acontecendo lá e perguntei se isso era possível. Sim! E pude conhecer o espaço: o Edifício Viadutos, de 1956, projeto do João Artacho Jurado, que arquiteto não foi.

Em uma palavra: sensacional. O hall de entrada, o grande número de apartamentos que existe ali dentro, o amor dos porteiros pelo prédio tombado pelo Patrimônio Histórico e reformado com verba dos próprios moradores e, claro, a vista.

Do alto do 27º andar, temos uma das melhores vistas da cidade e podemos observá-la em 360 graus. Deu vontade de correr, literalmente, em círculos – mas me contive, afinal, estava ali a trabalho.

Não é um espaço aberto ao público, pois é residencial, mas se você tiver algum amigo que more ali, se ofereça para tomar um café na casa dele!

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Edifício Viadutos | Praça General Craveiro Lopes – próximo ao metrô Anhangabaú

41º Festival SESC dos Melhores Filmes

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People, tá rolando o Festival SESC dos Melhores Filmes e eu estou muito feliz!

Eu amo assistir filmes e como falei no post sobre a Avenida Paulista, eu sempre vou aos cinemas alternativos que tem lá: Caixa Belas Artes, Cine Livraria Cultura, Reserva Cultural, entre outros que não estão naquela região. Por um acaso do destino, o Cine SESC  fica na Rua Augusta, bem fácil acesso para mim.

A sala de exibição dos filmes passou por uma reforma recente e ficou ótima, as cadeiras e corredores estão mais espaçosos e confortáveis para atender as exigências de maior acessibilidade aos usuários e (pasmem) tem uma Cafeteria dentro da sala, toda de vidro para o cinéfilo não perder nenhum momento da trama caso queira comer alguma coisa. Sensacional!

O Festival  acontece até o dia 29/04 e apresenta uma seleção dos melhores filmes, diretores, atores, atrizes, roteiristas e fotógrafos eleitos pelo voto de público, crítica e profissionais do cinema, além de ser uma oportunidade de rever na tela grande os destaques do ano anterior.

Nem sempre conseguimos acompanhar os lançamentos dos filmes e várias vezes perdemos a oportunidade de vê-los no cinema, principalmente os filmes alternativos, e eu gosto de assistir na tela grande mesmo, com pipoca (a de casa nunca fica igual…) e tudo mais.

Esse ano está mais tranquilo para comprar os ingressos, mas lembro–me de que há alguns anos o SESC vendia pacotes para ver os filmes e acabavam bem rápido. Por questão de compatibilidade de horários, não conseguirei ver todos (queria muito ver Boa Sorte!), então, comprei ingresso para esses:

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Já fui assistir com a Carol o Clube de Compras Dallas e achei muito bom! Alguns eu já tinha assistido como Ida, O Grande Hotel Budapeste, 12 anos de Escravidão… Meu déficit cinematográfico não estava tão ruim…rsrsrs…

Aconselho a todos que adoram a 7ª arte (bem brega falar dessa forma… rs) a tirarem um tempinho para assistir esses filmes no cinema; é uma oportunidade única (dica para quem não for viajar no feriado, hein?)

Ah, tem mais uma coisa muito boa do Cine SESC: a cafeteria! Lá tem um dos melhores cappuccinos que já tomei, além do pãozinho de café com chocolate e os pães de queijo (já falei que sou louca por pão de queijo, né? Aceito doações e sugestões de lugares que vendem) e os preços são ótimos, como tudo no SESC.

Fabi.

http://melhoresfilmes.sescsp.org.br/

Cine Sesc
Rua Augusta, 2075 – Cerqueira César, São Paulo, Telefone:(11) 3087-0500

Preços

Segunda, terça e quinta: R$ 17 inteira – R$ 8,50 meia – R$ 5 credencial plena*
Quarta: R$ 12 inteira – R$ 6 meia – R$ 3,50 credencial plena*
Sexta, sábado, domingo e feriado: R$ 20 inteira – R$ 10 meia – R$ 6 credencial plena*

*Credencial plena – trabalhadores do comércio ou serviços de empresas que sejam contribuintes.

 

 

Explorando a Patagônia Argentina | Parte III – El Chaltén

:: E assim continuamos…

El Calafate – El Chaltén | Dia #9

O dia começou aos tropeços: perdemos a hora e, por pouco, não perdemos o ônibus pra El Chaltén! São somente dois horários por dia e bem disputados…

Ah, nós compramos o ônibus diretamente no hostel também (da Caltur). E uma van nos apanhou lá, ou seja, sem sofrimento em carregar o mochilão nas costas até a rodoviária. Uma alegria só!

A viagem até El Chaltén foi tranquila, durando 2h30. Não há lugar demarcado, mas conseguimos sentar no segundo andar; seria perfeito se fosse na primeira poltrona pois o busão tinha vista panorâmica.

Na entrada da cidade, há um posto do Parque Nacional. Todos devem descer e ouvir as regras de conduta na cidade,que é conhecida como a capital mundial do trekking.

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É muito interessante a forma como eles tratam o lixo – em El Calafate e El Chaltén, pelo menos. Em todos os passeios aos parques, os guias orientam a guardar tudo o que você levar e descartar somente na cidade, quando voltar. Dessa forma, os parques continuam a não gerar lixo, mesmo com os visitantes.

Descemos na rodoviária e rumamos para o hostel, que ficava (graças aos deuses andinos) a três quadras. Ficamos na Hospedaje La Cima. Havíamos reservado pelo Booking e na época que buscamos, foi o melhor custo-benefício. As pousadas na cidade são carinhas. O La Cima é bem simples mas nosso quarto era muito agradável, com paredes de madeira e carpete no piso. O café da manhã era levado na mesa da cafeteria e o casal que administra (ou é dono, não sabemos) foi muito atencioso.

Nossa permanência na cidade seria curta e como chegamos cedo, resolvemos aproveitar a tarde e nos arricarmos na trilha até o Fitz Roy, que é a montanha mais amada por lá. Não é das maiores mas dizem que só os melhores alpinistas conseguem encará-la.

Confesso que só a trilha para os menos aventureiros foi de lascar. São 10 km só de ida até o alto da montanha. Os primeiros 4 km foram bem difíceis para nós, especialmente porque naquele dia, havia um sol para cada turista. E dizem que em El Chaltén só há 5 dias de sol e calor no ano. Pois bem, tivemos sorte; ou azar, não sabemos bem…

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Mas não desista da trilha pelos meus comentários. Siga adiante como fizemos. Os 5 km seguintes são mais tranquilos. Passamos por todos os tipos de terrenos, pisando em terra, areia, pedra, raízes e atravessando rios. A água em El Chaltén é potável, até mesmo na torneira. Enchemos as garrafinhas com a água dos rios e isso era refrescante, sem falar que até inesperado para nós, paulistanas que somos.

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Se você fez a conta, percebeu que ainda falta 1 km. Pois é, esse último trecho foi terrível, desgastante e desesperador. Olhávamos para cima e não víamos o fim da trilha. Era pedra sobre pedra, meus joelhos (que não são nada bons) sofreram bastante e o calor não ajudava. Nem uma nuvem no céu pra fazer sombra. E não sei o que era pior: as pessoas que desciam e viam nas nossas caras o desespero mas diziam “vocês estão quase lá!” ou as pessoas muito bem dispostas fisicamente que só faltavam nos atropelar, de tão rápidas e ágeis! Sério, nem subindo o Huanya Picchu no Peru eu sofri dessa forma!

Enfim, chegamos ao final dos 10 km! A vista era maravilhosa. Picos congelados, montanhas desenhadas no horizonte e uma lagoa azul que, no dia seguinte, descobrimos ser a Laguna de Los Tres. Sem querer, chegamos onde nem imaginávamos… a gente falava “não precisamos ir até a Laguna, vamos morrer antes de chegar lá…”. Pois bem, sobrevivemos pra contar!

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Bem na hora que chegamos ao topo, o tempo começou a mudar… um vento fortíssimo que mal nos deixava ficar em pé sobre aquele monte de pedras escorregadias. E quem apareceu? As nuvens! Muitas nuvens. Nessa hora, resolvemos voltar. Faltavam 4 horas para escurecer e ficamos apreensivas.

A descida também não foi nada fácil. E na volta optamos por um outro caminho, que passaria pela Laguna Capri. O último km fizemos já no escuro, com o auxílio de uma lanterna que levei. Foram 4h40 na ida e 4h40 na volta. O cansaço realmente nos dominou.

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El Chaltén | Dia #10

Nessa manhã, tomamos mais um ônibus e mais um barco. Nosso destino era o último glaciar que faltava: o Glaciar Viedma, que é o maior da Argentina, com uma superfície de 978 Km quadrados.

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A parte que podemos ver, acima do nível do lago, tem cerca de 40 metros. E foi sobre esse paredão que andamos! A equipe da agência Patagonia Aventura era ótima. Nosso grupo tinha 20 pessoas e havia 6 profissionais para orientar e nos ajudar a atravessar as gretas. Foi um passeio de cerca de 1 hora, para o qual tivemos de usar os grampones nos sapatos para dar mais segurança ao andar. Brindamos a aventura com licor de café que ficou gelando ali mesmo.

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A sensação de estar em um lugar que poucas pessoas pisam é indescritível. Olhar para aquela imensidão de gelo fez eu me sentir tão pequenina! Lembrei de um cartão que tenho no meu mural em casa: pessoas minúsculas que mais parecem pontinhos pretos caminhando na neve intocada e a palavra “humildade”. Realmente, quem somos nós nesse mundão que desconhecemos?

Foi uma experiência incrível estar sobre essa geleira. E poder ter visto todos os glaciares, cada um sob uma perspectiva. Depois disso, no entanto, começamos a entristecer, pois a viagem chegava ao fim. Seria dormir e ir pra casa no dia seguinte.

Para encerrar nossa aventura patagônica, jantamos num restaurante chamado Ritual del Fuego, com decoração rústica e uma super trilha sonora, com músicas tribais e até brasileiras. A comida estava deliciosa e saímos de lá com um pendrive cheio de músicas que o dono do restaurante nos cedeu!

Balanço da aventura

Unhas quebradas, cabelo ressecado, pé machucado mas também muitas histórias, novos amigos, lindas lembranças, muitas fotos, muitos mapas e ímãs de geladeira, motivação para aprender melhor o espanhol, mais vontade ainda de viajar e a certeza de que é nos pequenos detalhes que a felicidade está!

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#explorasp, #explorabrasil, #exploraamerica, #exploramundo, #exploravida

Alguns valores (fevereiro/2015, em Peso Argentino e por pessoa – exceto os táxis)

  • Taxi do Aeroporto de Ushuaia ao centro da cidade: AR 162 ida e volta
  • Passeio Canal Beagle (Piratour): AR 600 + taxa do porto AR 15
  • Parque Nacional Terra do Fogo: di grátis + ônibus ida e volta AR 200 + ingresso AR 100
  • Museu do Fim do Mundo: AR 150
  • Passeio 4×4 até os Lagos (Piratour): AR 1.100 com almoço
  • Passeio Pinguinera (Piratour): AR 1.240
  • Passeio Glaciar Martial: di grátis + táxi ida e volta AR 168
  • Passeio Laguna Esmeralda: di grátis + ônibus ida e volta AR 200 + casa de apoio AR 35
  • Shuttle Aeroporto de Calafate até hostel: AR 100 (só ida)
  • Tour alternativo Perito Moreno: AR 640 + ingresso Parque Nacional Los Glaciares AR 150
  • Laguna Nimez: ingresso AR 70
  • Estância Cristina – Tour Discovery: AR 1.360 sem almoço
  • Ônibus de El Calafate a El Chaltén: AR 550 ida e volta
  • Trilha Fitz Roy: di grátis + aluguel dos bastões AR 15 a unidade
  • Ice trekking Viedma: AR 1.330
  • Pinta Beagle no Dublin Irish Pub: AR 40

Contatos

:: Perdeu as histórias anteriores? Clique aqui para explorar Ushuaia; e aqui, para explorar El Calafate.

:: Compartilhe com a gente a sua experiência! Comente, pergunte, explore!

Espero que tenham gostado! Besos, Carol 😉

Solar da Marquesa de Santos | Desbravando o Centro de Sampa

O centro de São Paulo revela muitas surpresas para quem gosta de explorar os pontos turísticos, que vão muito além do Theatro Municipal e do Mercadão.

A região do Pátio do Colégio tem muitos passeios legais, entre eles uma casa rosa muito linda que hoje é a sede do Museu da Cidade de São Paulo, mas no século XVIII foi o Solar da Marquesa de Santos.

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Fachada do Solar da Marquesa de Santos. Fonte: http://www.museudacidade.sp.gov.br/

O solar foi moradia de Domitila de Castro Canto e Melo, a Marquesa de Santos, uma mulher à frente do seu tempo e vou contar porquê: ela nasceu em São Paulo no dia 27 de dezembro de 1797 e aos 16 anos casou-se com o alferes mineiro Felício Pinto Coelho de Mendonça; em 1819, após ser agredida pelo marido, voltou, grávida, para a casa dos pais.

Em 1822 conheceu D. Pedro, com quem viveu um romance de sete anos. Em 1829, com o fim do romance, voltou para São Paulo, onde se casou com o Brigadeiro Rafael Tobias de Aguiar e instalou-se no palacete da Rua do Carmo, hoje Rua Roberto Simonsen. No Solar da Marquesa aconteceram grandes eventos culturais como saraus literários, encontros de personalidades como Castro Alves e reuniões beneficentes para ajudar pobres, doentes, estudantes e mulheres em situação de risco.

A casa original perdeu-se no tempo e depois de muitas promessas de restauração, em 2011 a casa reabriu para visitação com a exposição “A Marquesa de Santos: uma mulher, um tempo, um lugar”. São treze cômodos que apresentam a vida na Rua do Carmo e o entorno, a história da marquesa com relíquias originais, fotos da família e amigos e sobre o romance com D. Pedro, com destaque para as cartas de amor que “Titília” e Demonão” trocavam (a parte de que mais gostei!).

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Carta de amor de Demonão para Titília.

Cama da marquesa que pertenceu à realeza da França.

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Coche que transportava a Marquesa de Santos

Confesso que não lembrava muito da história da marquesa e me surpreendeu conhecer seus feitos. Domitila viveu em uma época em que as mulheres nasciam apenas para servirem aos homens mas ela não foi uma mulher submissa às regras moralistas da época. Foi vítima de violência doméstica e não aceitando a situação, divorciou-se do marido. Viveu um tórrido romance com D. Pedro, teve filhos, foi militante política e figura importante da sociedade paulista.

Girl power!!! rsrsrs…

É um ótimo passeio para quem gosta de história. Enjoy!

Fabi.

 

Solar da Marquesa de Santos – Sede do Museu da Cidade de São Paulo
Rua Roberto Simonsen, 136 – Sé – São Paulo SP
Telefone 11 3241 1081
Visitação de Terça a domingo, das 9h às 17h
http://www.museudacidade.sp.gov.br/solardamarquesadesantos.php 

Explorando a Patagônia Argentina | Parte II – El Calafate

:: Continuando a aventura, seguimos de Ushuaia para El Calafate…

Ushuaia – El Calafate | Dia #6

Nosso voo seria somente à tarde mas tivemos de entregar nossa casinha na hora do almoço. Ficamos fazendo hora no Marcopolo, onde tem calefação, comida boa e internet grátis! Quando deu o horário, seguimos para o aeroporto – onde também tem internet grátis! – para voarmos até El Calafate, a 563 km de distância.

Chegando ao aeroporto do nosso destino, tomamos um shuttle até o hostel. Como estávamos mais afastadas do centro, fomos umas das primeiras a descer. Havíamos reservado, pelo Decolar.com, o Hostel del Glaciar Pioneros, a cerca de 1 km do centro nervoso da cidade. O hostel é giga e bem estruturado. A área comum até intimida, de tanta gente ali, disputando a internet, que é livre nesse espaço. O quarto é bom, a cama confortável e o chuveiro quente, bem quente. Fomos super bem atendidas pela Noemia, que nos deu dicas de passeios até de El Chaltén.

Acabamos comprando com o hostel, que também é agência de turismo, todos os passeios. Nosso tempo seria curto e resolvemos otimizar.

Na saída para reconhecimento da cidade, pegamos o pôr-do-sol no mirador da cidade e nos encantamos com El Calafate. Muitas lojas e restaurantes charmosos (inclusive o La Anonima!), casinhas de madeira coloridas e lindas árvores iluminadas. Descolamos uma lanchonete chamada Sandwicheria Pioneros, que serve ótimas empanadas e enormes sanduíches; depois de dias sem ver um verdinho no meu prato, pude até comer uma salada de alface e cenoura! E para não perder o costume, fomos tomar a cerveja local no Librobar, um fofíssimo bar com estantes de livros e dezenas de placas,lousas e quadros com frases e citações.

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Devo contar que El Calafate é uma cidade bem pequena que tem, como principal atração, o Parque Nacional Los Glaciares, considerado Patrimônio Mundial da Humanidade pela UNESCO, com seus 724 mil hectares. No Parque estão os três grandes glaciares da Argentina, e a maioria termina no Lago Argentino. Nós tivemos a felicidade de conhecer todos. Por El Calafate, acessamos o Perito Moreno e o Upsala. O Glaciar Viedma, conhecemos por El Chaltén, a cidade seguinte.

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El Calafate | Dia #7

O primeiro passeio na cidade foi um tour alternativo até o Parque Nacional Los Glaciares para vermos o monstro gelado Perito Moreno. Nos venderam que a agência Patagonia Backpackers oferece, exclusivamente, esse passeio alternativo desde 1987. Compramos a ideia!

O ônibus nos buscou no hostel e seguimos por uma estrada não usual, que passa entre enormes estâncias. Fizemos uma parada num restaurante onde vimos divertidas ovelhas em cima do teto de um carro e um guanaco (um camelídeo, parente da lhama) muito simpático, que entrava no restaurante para pedir comida. Tanto encheu que ganhou uma mamadeira de leite! Eu dei de mamar a um guanaco! Fofiiiiinho demais!

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O outro diferencial do tour alternativo é a trilha de 1 hora dentro do Parque Nacional, seguindo pelo Brazo Rico, uma parte do Lago Argentino. É um passeio restrito para que o parque não sofra degradações por parte dos homens. Foi uma delícia passear ao lado do lago e ver, mais longe, a parede sul do Perito Moreno.

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Depois da caminhada, voltamos ao ônibus, descendo na parte principal do Parque, onde estão as longas passarelas que margeiam o grande glaciar Perito Moreno. São quatro opções de passarelas e você pode percorrer todas. Andamos por três delas e cada um dá uma perspectiva diferente. Ficamos embasbacadas com a extensão daquele bloco de gelo (são cinco quilômetros de largura e 60 metros de altura acima da linha d’água) e na expectativa, como todos, de ver pedaços se soltando. Assim que chegamos, aconteceu um grande desprendimento de gelo mas só conseguimos ouvir. O barulho é estrondoso! Muitos outros pedaços de gelo caíram enquanto estivemos ali, mas nenhum tão grande; mesmo assim, o barulho é alto e forte, parecendo fogos de artifícios.

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Esse passeio é bem disputado pelos turistas. Assusta na chegada o número de ônibus que param ali e despejam gente. Mas foi tranquilo, até porque levamos nossos lanches, o que nos fez economizar tempo e dinheiro.

Esse tour alternativo durou o dia todo. Estávamos super cansadas mas recarregamos as energias com um potão de sorvete do Tito (ma-ra-vi-lho-so), que fica na rua principal, e encaramos a Laguna Nimez. A Laguna fica bem próxima do centrinho da cidade, cerca de 1 km, e há placas indicando o caminho. É um parque municipal, muito importante para conservação de aves e plantas nativas. O dia estava lindo e a gradação de cores inundava meus olhos!

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Dizem que na agência de Correios de El Calafate você também consegue um carimbo legal no passaporte, mas pelos nossos horários, não conseguimos pegar a agência aberta #chateada. Daí perguntamos na Laguna Nimez se eles tinham um carimbo. O menino achou graça e disse que não vale, pois é um parque municipal, mas nos carimbou os passaportes, se divertindo com as turistas!

El Calafate | Dia #8

Todos os relatos que li sobre os passeios em El Calafate incluíam o mini-trekking no Glaciar Perito Moreno, mas nos convenceram a fazer o ice trekking no Glaciar Viedma, em El Chaltén, e aproveitar o último dia em um passeio que nos levaria ao Glaciar Upsala. Valeu a pena!

Uma van nos apanhou no hostel e seguimos até o porto Punta Bandera, onde entramos em um barco que navegou pelo Brazo Norte do Lago Argentino. Demais! Vimos enormes icebergs, que eles chamam de tempanos. Alguns super azuis, cheios de pontas. Desembarcamos na Estância Cristina, fundada por um inglês que se apaixonou pela região patagônica, e que hoje é administrada como parque nacional. Há uma pousada mas a maioria dos turistas fazem os passeios de um dia, como nós. O lugar é espetacular e só se chega de barco. A natureza é super protegida e apreciada.

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Quando se fecha o passeio até a Estância, pode-se escolher um entre três pacotes – um trekking de 14km (não, obrigada), uma pequena trilha até uma cachoeira e o 4×4, nossa opção.

Na Estância, nos levaram a um museu, onde contaram a história da família que ali morou, e nos mostraram parte do terreno, falando sobre a vegetação e o turismo na região. Tivemos um tempo para almoçar antes do 4×4 e nos levaram a um charmoso restaurante. A atendente do hostel, onde compramos o passeio, não nos deixou comprar o almoço da Estância – disse que era muito caro e poderíamos levar nosso lanche. Seguimos a ordem dela e foi ótimo mesmo. A comida parecia boa mas vimos muita gente deixando no prato… Pudemos comer no mesmo restaurante de quem pagou pelo almoço. E fomos seduzidas por uma torta de maçã que estava sobre o balcão – deliciosa.

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O passeio 4×4 seguiu em duas caminhonetas com umas 14 pessoas cada. Divertido e dolorido! A vista durante o caminho era linda e só ficou melhor quando descemos para um trecho a pé com cerca de 20 minutos. Daí, você acha que ainda vai caminhar mais e chega na ponta da montanha e vê a Cordilheira dos Andes ao fundo, o Glaciar Upsala abaixo e outros glaciares do que eles chamam de Gelo Patagônico.

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E começou aquele frisson, todo mundo querendo tirar fotos de todos os ângulos e selfies. O guia parou para falar sobre o Glaciar e fez um pedido: que ficássemos um minuto em silêncio para sentir de verdade tudo aquilo. Era tudo o que eu queria e vivi cada segundo daquele silêncio humano, me deixando ouvir só o vento. Fiquei emocionada mas não, não chorei. E sim, eu me emociono com o silêncio!!

:: Você já esteve em El Calafate? Conte pra gente como foi sua experiência. Quer mais dicas? Só perguntar!

:: Perdeu as histórias de Ushuaia? Clique aqui para ler o post anterior.

:: Na próxima semana, mais da saga pela Patagonia Argentina. Dessa vez, por El Chaltén. Não perca!

Besos, Carol 🙂