O sabor da melancia | Existe amor em SP

Depois desse dia, o sabor da melancia mudou para ela. Aquela fruta simpática, vermelhinha e cheia de sementes pretas, passou a ter gosto de amor.

Era um sábado, noite alegre de verão. As amigas saíram para comemorar a vida em um pub da região da Paulista. Um homem, que andava trôpego, pediu ajuda pelo olhar. Ela parou e falou com ele. Desesperado e confuso, não conseguia se explicar. Mas seu pedido por socorro pareceu sincero.

Pequeno agricultor de Pardinho, vinha a São Paulo duas vezes ao ano. Não gostava. Cidade grande, muita gente. Preferia o sossego de sua terra arada. Mas precisava comprar sementes no Mercado Municipal. Plantava melancia baby e ganhava bom dinheiro na entresafra. Vivia disso. Ele, a esposa e o filho de seis anos.

Cinco dias antes, saía do Mercado Municipal, no centro dessa metrópole, quando levaram tudo que tinha. Um celular velho, documentos, o dinheiro do lanche, o dinheiro da passagem de volta à sua cidade e R$ 1.500,00 em sementes de melancia.

Não tinha como avisar a família pois seu celular era o único telefone que tinham na casa.

Bateu à porta da delegacia para fazer um boletim de ocorrência e pedir que o mandassem de volta para sua cidade, pois acreditava na existência de uma lei que deveria pagar sua passagem de ônibus em caso de assaltos. Mas sua aparência simples, a fala não muito clara pela falta de alguns dentes e o nervosismo não o julgaram digno de atenção.

Mandaram-no procurar o Poupatempo e refazer seu documento para que, pelo menos, pudesse ser alguém. Mas não conseguiu porque não tinha dinheiro para pagamento da emissão de segunda via. E não tinha a certidão de nascimento que comprovasse seus dados.

Mandaram-no ir de novo à delegacia mas outra vez não foi ouvido.

E assim vagou por São Paulo. Durante cinco dias. Do Centro da cidade foi para a Lapa. Da Lapa foi para a Barra Funda, onde achava ser mais seguro para dormir. E andou, andou. Tentou ajuda e tentou se explicar, mas olhavam para ele com estranhamento pois estava sujo, cheirando ruim e de barba por fazer. Ele se sentia muito mal por estar assim. E estando assim, as pessoas achavam que ele era mendigo ou estava embriagado. Ele sequer gostava de álcool. Só estava fraco.

Era apenas um homem. Um homem que conheceu sua esposa, quinze anos mais nova, quando cursavam Agronomia na UNESP. Uma gaúcha de olhos azuis e pele muito branca, disse ele.

Era um homem que não queria ficar preso nessa São Paulo por onde tantos vagam sem destino. Nessa noite, alguém olhou para ele e viu essa verdade.

Juntos, foram para a Avenida Paulista. O plano era dar-lhe dinheiro para a passagem de volta à sua cidade, comida e esperança.

Ele pediu para usar um banheiro, para que pudesse lavar o rosto, já que não tomava banho há alguns dias. E pediu com medo. Tinha medo de que, ao sair do banheiro, não encontrasse mais a menina. E medo ele sentiu, pois ao sair do banheiro ela não estava lá. Mas a menina viu, de longe, seu olhar de desolação e foi encontrá-lo. Estava logo ali, comprando-lhe um lanche.

Andaram, lado a lado, pela Paulista. As pessoas olhavam, curiosas, a dupla. A menina sacou dinheiro no banco e lhe entregou. Ele ainda disse que era mais do que custava a passagem. Mas aceitou. Ele apertou-lhe a mão, agradeceu e entrou no metrô.

Então, se foi.

Carta

Antes de ir, deixou um bilhete e o convite para ir encontrá-lo em seu sítio para que pudesse devolver o dinheiro emprestado

Nessa noite, ele conseguiu voltar pra casa. Pelo menos era o que a menina esperava. Não que não acreditasse nele, mas receava que pessoas que não acreditassem o impedissem de chegar em casa. E não parava de pensar… e se ele se tornasse mais uma pessoa morando nas ruas da cidade? Mais uma pessoa sem nome, sem rosto…

Nessa noite, a menina chorou.

explorasp-sabor-da-melancia

*Histórias como essas devem estar sempre em um local acessível da nossa memória, para que possamos acessá-la e jamais esquecer que, o que mais temos em comum com as outras pessoas, é que somos pessoas. Devemos olhar para os outros como eles devem ser vistos: com dignidade, com respeito. Porque somos iguais.

Escrevo essa história para que ela fique viva, também em mim. Porque eu vivi isso e não quero me esquecer. Porque não posso me deixar tornar uma pessoa que não acredita nos outros, que não se comove com olhares tristes que cruzamos nas ruas de São Paulo, todos os dias. Porque acredito, sim, que existe amor em SP.

P.S.: Comi melancia esta semana e estava deliciosa!

10 maneiras de curtir o friozinho de São Paulo

Você percebe que o frio chegou a São Paulo quando:

  • Você vê a campanha de vacinação contra a gripe na tv
  • A polêmica nas redes sociais é sobre quem gosta de inverno e quem odeia
  • O assunto na roda de mães é sobre quantas horas passaram na emergência do hospital
  • As discussões no ônibus são para abrir ou fechar as janelas (se abrir é frio; se fechar é gripe em massa)
  • Seu vizinho entra no elevador profetizando “o inverno vai ser tão intenso como foi o verão esse ano…”
  • Os apresentadores de telejornal fazem piadinhas sobre a expressão cobertor de orelha

E agora, que o frio chegou, o que se faz? Bebe-se mais, come-se muuuito mais, frequenta-se lugares fechados e aproveita-se o aconchego do lar. Pensando nisso, listamos 10 maneiras de aproveitar melhor a temporada fria na cidade, por nossas preferências.

[Vamos tentar não falar só de comida, ok?]

Comer e beber

  1. São Paulo é conhecida pelas suas padarias, que vendem do tradicional pãozinho francês a vinhos e produtos de limpeza. Nessa época, é comum oferecerem um buffet de sopas, com variedades de caldos e toda uma sorte de pães para acompanhar, além de outros pratos e sobremesas. Outra pedida para quem gosta de sopa é o tradicional Festival de Sopas CEAGESP, que vai até final de agosto. O festival acontece de quarta a domingo e oferece seis opções de sabor, que mudam a cada semana, pra você voltar lá nos próximos três meses!
Festival de Sopas do CEAGESP

Festival de Sopas do CEAGESP – tradicional sopa de cebola gratinada e creme de pinhão com cream cheese (fotos de divulgação – Eduardo Bacani)

  1. Acabe-se no fondue, aquela panelinha com queijo ou chocolate derretidos, onde você mergulha pão, carne ou frutas e se lambuza. Há diversos restaurantes e bares que incluem essa delícia no cardápio, mas você também pode fazer em casa com a família e amigos.
  2. Dizem que a bebida do inverno é vinho, mas gosto de uma cervejinha mesmo assim, até porque há boas opções que combinam com essa temporada: as mais encorpadas, de cor mais escura e sabores caramelizados ou tostados.

 

Pra ficar em casa

  1. Tenha um kit inverno para vestir em casa: pijama quentinho, roupão e meias fofas (podendo variar para pantufas divertidas); todos com muita cor, para contrastar com o clima cinzento da estação. Use-o para aquela sessão de cinema com pipoca no sofá da sala.
  • Trilogia O Poderoso Chefão: sim, você não leu errado, são os três mesmo. Esse é para aquele dia que você não quer sair debaixo das cobertas nem para ir ao banheiro (é meio improvável porque são mais de 10 horas de filme; se conseguir volte e nos conte!). Confesso que já fiz isso, vi os três no mesmo dia e fiquei sem costas e bunda de ficar tanto tempo deitada – mas fui ao banheiro.
  • O Lado Bom da Vida: esse é lindo e para ver com o namorado. Aí você pensa “nossa, mas não tinha um mais romântico?”. Sim, tem um zilhão de filmes românticos, mas todos os que eu gosto e indicaria aqui, fariam com que o “mor” se jogasse do alto do Copan: Uma Linda Mulher, P.S. Eu te Amo, Doce Novembro, O Diário de Bridget Jones… Além de ter o gato do Bradley Cooper (hehehe)…
  •  Jamaica Abaixo de Zero: esse filme é um clássico e eu adoro, me acabo de rir com ele. Conta a história da primeira equipe de trenó da Jamaica.
meias fofas

Meias quentinhas

Lugares para ir

  1. O Velhão

É um desses lugares inusitados e mal aproveitados por nós. Pelo menos por mim, que só vou quando é inverno porque gosto de passar frio! Trata-se de um complexo na Estrada de Santa Inês, em plena Serra da Cantareira, zona norte de São Paulo, e tem uma linda história (acesse o site para conhecer o Senhor Moacyr e a Dona Iracema). O Velhão é um grande terreno que reúne o Restaurante As Véia Cozinha, o Café do Véio, um antiquário, um sebo, outras lojinhas e diversos bares – como o Conspiração do Jogo, onde você encontra jogos de tabuleiro, fliperama e sinuca. É um super programa gostoso pra fazer com a família ou com os amigos. Ah, o frio de que eu falei é da porta pra fora!

O Velhão

O Velhão – (fotos do site)

  1. Bistrô Ó-Chá

Um lugar para chamar de fofo. Uma casa na Vila Madalena, com móveis de diferentes estilos misturados, compondo um espaço que mistura fru-fru-fru com moderninho. Tem uma linda carta de chás, com muitas opções para vocês se perder. Provei um chá de limão com especiarias. Super cheiroso e ao inspirar o vaporzinho, senti os pulmões abrirem como se tivesse usado Vick Vaporub. Mas o cheirinho não é de Vick, não, só a sensação boa! rs A casa ainda oferece cesta de pães, doces de babar, sanduíches e saladinhas. Ah, e ainda tem uma lojinha onde você pode comprar seus chás e fazer em casa, vestindo suas medias fofas!

Bistrô Ó-Chá

Bistrô Ó-Chá

E por que não escapar para as montanhas?

  1. Campos do Jordão (90 km de São Paulo)

É o destino preferido dos paulistas no friozinho, quando acontece o Festival de Inverno de Campos do Jordão, o maior evento de música erudita da América Latina (entre julho e agosto). Nessa época, o valor da hospedagem é bem salgado, mas se você procura luxo e sofisticação, lá você vai encontrar; para os mais modestos, faça um bate-e-volta para conhecer a cidade nessa época, porque vale a pena – mas vá com paciência porque a cidade ferve! Ande de bondinho, faça uma visita guiada à cervejaria Baden Baden (para conhecer o processo de fabricação das cervejas artesanais), com as queijadinhas de Campos e, se possível, assista a pelo um concerto do Festival.

  1. Monte Verde, MG (166 km de São Paulo)

É conhecida como a Suíça Brasileira. Uma cidade muito bonita e charmosa, pequenina (praticamente tudo acontece em uma avenida) e com lindas paisagens naturais. Em julho também acontece o Festival de Inverno, com música, dança e teatro na avenida principal. Que mais? Muitos restaurantes de comida mineira, bares, lojas de doces e alambiques. Você se farta só de comer o que te oferecem na porta das lojas – queijos e deliciosas compotas! Mas nem só de comida se vive em Monte Verde: você pode andar de quadriciclo, montar a cavalo, caminhar entre árvores e fazer trilhas e escaladas para perder todas essas calorias. Também vale um bate-e-volta!

Monte Verde MG

Monte Verde, MG

Falamos de apenas duas cidades aqui, mas há muitas outras. Só para citar algumas: São Bento do Sapucaí, São Luiz do Paraitinga, Socorro, Águas de Lindóia, Serra Negra, Santo Antonio do Pinhal (todas em São Paulo).

Aquecer a alma

  1. Fique junto de quem você ama. Calor humano é o melhor que você pode ter. Abrace muito! Peça abraços e ofereça free hugs também!

 

  1. E pense em quem não tem condições de se aquecer sozinho. Há muitas pessoas nas ruas, em tristes condições, que são agravadas nessa época de frio intenso. Cada um pode fazer um pouquinho e ajudar muito!
  • Dê uma olhada no seu armário e separe roupas de frio e cobertores (em bom estado) para serem doados – leve em alguma entidade social, deposite nos postos de coleta como da Campanha do Agasalho ou, até mesmo, saia às ruas e entregue para quem precise.
  • Distribua sopa ou outros alimentos a quem mora na rua ou contribua com grupos que já prestam esse tipo de serviço, seja com dinheiro ou sua presença. Um dos grupos mais conhecidos, em São Paulo, são os Anjos da Noite. Aos sábados você pode ajudar no preparo das sopas ou na distribuição, na Praça da Sé.
  • Olhe para o lado. Se importe. Alguém ao seu lado pode estar precisando de ajuda. Você pode ligar no 156 para a Central de Atendimento Permanente e Emergência (CAPE) que funciona 24h por dia e presta auxílio às pessoas que vivem nas ruas. Quando a temperatura chega a 13° a “Operação Baixas Temperaturas” encaminha, quem aceitar, a albergues.
  • Incentive seus amigos e familiares a fazerem o mesmo.

[Ops! Quase tudo teve comida, né?! Pois é, comer faz parte da temporada de inverno!]

Acessem para mais informações:

Quem não gosta de samba, bom paulistano não é

A pessoa que disse que o samba morre em São Paulo, certamente não conhece a nossa cidade. Existem diversas manifestações de samba pela cidade, desde a periferia a bairros chiques da zona oeste, pois o paulistano gosta sim de samba.

Não sou especialista na história do samba, mas pesquisando sobre sua origem em São Paulo tive a surpresa de saber que Pirapora do Bom Jesus (50 km de SP) é considerada a cidade na qual surgiram as primeiras manifestações. Em razão da Festa do Bom Jesus, a cidade recebia centenas de romeiros no mês de agosto. As famílias de fazendeiros que frequentavam a festa levavam seus escravos e estes faziam seus batuques nas senzalas. Mesmo após a abolição da escravatura, os negros provenientes dos municípios de Campinas, Tietê, Capivari, Piracicaba, Sorocaba, Tatuí, entre outras, faziam de Pirapora o ponto de encontro no qual podiam expressar suas tradições.

A fusão de todos os sambas que eram praticados em Pirapora ficou conhecido como “Samba de Bumbo” ou “Samba de Pirapora”, que Mario de Andrade chamava de “Samba Rural Paulista” em seus estudos sobre o novo ritmo. Pirapora tornou-se o reduto do samba paulista.

Não vou me estender muito aqui, mas para quem quiser saber mais, o site da prefeitura de Pirapora tem bastante informação legal.

Eu nem sei dizer desde quando gosto de samba, tive muita influência do meu irmão Edmar que gosta bastante e sempre frequentou as rodas de sambas pela cidade.

Como o nosso intuito no blog é falar de lugares que conhecemos e nossas experiências, não vou fazer uma relação dos sambas que têm em Sampa, mas falar de alguns pelos quais sou apaixonada e alguns bares para quem prefere lugares fechados.

Samba do Bixiga

Imagina uma galera na rua, ouvindo um samba de primeira em pleno coração do Bixiga… Esse é o lugar onde passo quase todas as minhas sextas-feiras.

Quem me apresentou este samba foi a minha amiga Ana Laura, em 2014, e me encantei. A roda de samba é feita pelos feras do grupo Madeira de Lei, que foi fundado em 1975, por integrantes da escola de samba Vai-Vai.

Começa por voltas das 20h, mas enche mesmo às 22h, toda sexta-feira. O grupo está situado há quatro anos na Rua Treze de Maio, em frente à Paróquia Nossa Senhora Achiropita. Quer lugar mais tradicional para o samba que o Bixiga??

Tudo junto e misturado na Treze de Maio

Tudo junto e misturado na Treze de Maio

A batucada rola até a meia-noite, até por ser uma área residencial, mesmo se chover. O que mais gosto deste samba é o fato de ser democrático, ser na rua, onde qualquer pessoa pode parar e curtir a música. O Grupo só pede que a galera consuma no Bar do Gilson, que é o patrocinador da roda de samba.

Ouve um pouquinho e aparece lá na próxima sexta-feira!

– Bar do Gilson – Rua Treze de Maio, 507 – Bixiga.

Samba do Bule

Fundado pelo músico Cesinha Pivetta em 2007, o samba do Bule acontece toda última sexta-feira de cada mês, na sede do Teatro Popular União e Olho Vivo, no bairro do Bom Retiro. A reunião de vários amigos do teatro e amantes de música deu origem a uma roda de samba de primeira.

Mas por que o bule? De acordo com o fundador, o samba não podia parar toda hora para que os músicos pegassem as bebidas, então, um ser iluminado trouxe um bule que anteriormente fora colocado na geladeira, com cerveja para abastecer os músicos. Logo, o bule se tornou um símbolo: “um bom samba é acompanhado pelos seus bebericos. Com o tempo, o Bule prateado ganhou sentido ao carregar a bebida que traz à pessoa que dele bebe uma sensação diferente, influenciando o seu estado de espírito”.

A entrada é gratuita, mas cada um pode contribuir com o valor que quiser; o valor sugerido é R$ 5,00.

Contribuição direto no bule

Contribuição direto no bule

O lugar é um grande quintal com árvores, e a música acontece em um galpão que não é muito grande, mas ninguém liga, o samba toca sem parar e a galera é muito animada.

Olha o bule ali no meio da roda!

Olha o bule ali no meio da roda!

O bar tem cerveja, catuaba, pinga e algumas comidinhas. Fica até um carrinho de milho cozido para os lariquentos (me coloco nesse grupo).

A salvação!

A salvação!

Apesar de ser perto da minha casa, eu nunca tinha ido neste samba e agora espero ansiosamente pela última sexta-feira do mês. Os músicos são ótimos, tem gente bonita e os preços das bebidas e comidas são justos.

– Rua Newton Prado, 766 – Bom Retiro.

 

Paulista com Farofa

Esta roda de samba é a mais inusitada de todas. No meio da pomposa Avenida Paulista, cinco amigos tocam samba e fazem churrasco com farofa. É muito bom ver os engravatados parando para curtir o samba e os motoristas que abrem as portas do ônibus para interagir com a galera. A entrada é gratuita e os espetinhos custam R$ 15,00.

– Avenida Paulista, 1374 – Bela Vista

Ainda tem o Samba da Vela, Samba da Laje, entre muitos outros. Só dar uma “googada” que você acha um rolando em Sampa.

Para quem prefere um barzinho, seguem alguns em que eu fui e outros que só ouvi falar.

Pau Brasil

Tem o bar e o restaurante, ambos na Vila Madalena. Lugar pequeno, mas com ótima música.

– Bar – Rua Inácio Pereira da Rocha, 54.
– Restaurante – Rua Horácio Lane, 207

Ó do Borogodó

– Rua Horácio Lane, 21 – Vila Madalena.

Bar Samba

– Rua Fidalga, 308 – Vila Madalena

Vila do Samba

Sobre o Vila eu falei mais no post sobre o bairro da Casa Verde, mas vale reforçar. O bar é um charme, parece uma vila operária antiga e o samba é ótimo.

– Rua João Rudge, 340 – Casa Verde

Ano passado fui ao show que a Nivea faz para homenagear a música brasileira e o tema foi “Viva o Samba”, nem preciso dizer o quanto gostei, né?

O samba pra mim é poesia, história, representação da nossa sociedade e de lutas. Quanto mais eu aprendo sobre as músicas e compositores como Cartola, Adoniran, Geraldo Filme mais me apaixono.

Se joga no samba você também, meuuu!!

Bjs.

www.samba.catracalivre.com.br

http://www.sambadobule.com.br/

https://pt-br.facebook.com/grupo.madeiradelei

http://www.piraporadobomjesus.sp.gov.br/historia/o-samba-paulista-nasceu-em-pirapora 

 

Poços de Caldas, uai!

Tenho sangue mineiro, mais precisamente de Poços de Caldas, no sul do estado. Meus pais passaram a Lua de Mel nessa cidade, tradicional destino romântico. Minha mãe tem grande afeto pela cidade e há tempos dizia que queria voltar lá. Enfim, ela foi. Fui junto!

A cidade de Poços de Caldas fica localizada a 260 km de distância de São Paulo. Fomos de ônibus rodoviário, numa viagem que levou 4h30 – pingando em todas as cidades do caminho. Viagem longa mas com uma paisagem gostosa de se apreciar. E muito céu pra ficar olhando. Bom para desacelerar depois de uma semana corrida de trabalho.

Poços de Caldas é conhecida por suas águas com poder de cura. Essa água provém de fontes sulforosas (com enxofre) já que a cidade está no interior de uma cratera vulcânica com mais de 85 milhões de anos. Era propriedade particular, pertencente à Família Junqueira, e pelas características únicas da região, foi desapropriada e declarada utilidade pública, tornando-se cidade. Isso em 1872.

Ainda no século XIX, as águas eram usadas para tratamentos de doenças cutâneas em casas de banho. A cidade era destino importante e muito bem frequentada. O Palace Hotel, o mais emblemático de Poços de Caldas, até hoje, tinha um casino e já recebeu até o Presidente Getúlio Vargas. No entanto, em 1946, o jogo foi proibido e em torno dessa época foi inventado o antibiótico, que passou a curar as doenças tratadas nas termas. A cidade teve de se reinventar e o turimos passou a ser sua principal atividade econômica.

Portal da cidade, interior da rodoviária, Igreja Nossa Senhora da Saúde, lojinha típica e pipoca da praça

Portal da cidade, interior da rodoviária, Igreja Nossa Senhora da Saúde, lojinha típica e pipoca da praça

Chegamos numa sexta-feira, para uma estadia de três dias. Ficamos hospedadas no Hotel Plaza, no Centro da cidade, próximo de tudo. Hotel antigo, simples, sem elevador mas nos atendeu bem na viagem.

E o que fizemos quando chegamos à cidade? Fomos comer!

Não deixe de ir no café Doce da Roça: é pequenino, bem decorado ao estilo caipira de ser, charmoso até e tem só delícia. A especialidade da casa são as compotas e doces em pedaços, cortados de peças gigantes que chegam a 200 quilos! Em 2010 ganharam o título de Melhor doce do Brasil. Lá, peça café, que é feito na sua mesa em pequenos coadores de tecido. Ah, e prove o bolo de cenoura com cobertura de chocolate. Água na boca…

Doce da Roça

Doce da Roça e seu típico café coado na mesa com bolo huuumm de cenoura

E depois de comer, o que fizemos? Fomos procurar mais guloseimas no Mercado Municipal. Cuidado para não se descontrolar e querer levar tudo para casa. Cada lojinha te faz provar divinos queijos e doces diversos. Saímos de lá com quatro peças de queijo: queijo fresco, queijo muzzarela recheado com requeijão, queijo padrão e queijo padrão curado no vinho tinto. Babe!

No próprio hotel, fechamos um passeio de meio dia, a fim de visitar os pontos turísticos mais distantes do centro. Pagamos R$ 40,00 por pessoa pelo transporte e guia turístico; em nenhum dos passeios se paga ingresso.

O que vimos e que deve ser visto por todo turista:

  • Fonte dos Amores

Uma área fechada onde você percorre uma pequena trilha de pedras, morro acima, para chegar à Fonte dos Amores. Esse fontanário foi criado em 1929, aproveitando os recursos naturais da região. Diz a lenda que um jovem casal se encontrava escondido nesse bosque para namorar, por isso, a crença de que quem bebe da água da fonte, viverá um grande amor.

As pessoas da cidade vão até a fonte para captar água e levar para casa. E os turistas se divertem com os macacos-pregos que vivem ali. Adoram uma bagunça e uma comilança. Pulam nos turistas que vacilam com qualquer coisa de comer nas mãos. Nós presenciamos uma cena muito engraçada: um macaquinho se aproveitando que o pessoal da lanchonete se abastecia de mantimentos para roubar bananas; pegou um cacho, quase maior que ele, e quando percebeu que todos olhavam, parou, pensou e correu com as bananas que conseguia carregar!

Fonte dos Amores

Fonte dos Amores e dois dos bagunceiros macacos-pregos

  •  Pedra Balão

Grandes rochas de origem vulcânica viraram atração turística. Elas estão localizadas dentro de uma propriedade particular mas o proprietário abre sua porteira para o turismo.

A área fica a 1.470 metros de altitude, em relação ao nível do mar, e a vista do alto das pedras é liiiinda!

Pedra Balão

Pedra Balão

  •  Cristo Redentor

A estátua do Cristo está no ponto mais alto da cidade, a 1.686 metros de altitude. Esse Cristo é o segundo maior do país, com 16 metros de altura e data de 1958. Lá de cima, tudo o que você avistar, ao longe, em qualquer direção, é Poços de Caldas.

Ao Cristo você chega de carro (como fizemos), por teleférico (R$ 20,00 com duração de 8 minutos cada trecho) ou por uma trilha morro acima. De lá você ainda pode saltar de paraglider quando o vento estiver favorável. Essa eu passo!

Cristo Redentor

Cristo Redentor

  •  Recanto Japonês

Réplica de um jardim japonês, foi construído e doado à Prefeitura por um empresário nipônico da região. Super bem cuidado, lindo e cheio de simbolismos japoneses. Passe pelos arcos da Fonte dos Três Desejos e beba de sua água (que é potável) para ter amor, saúde e inteligência. Passe pelo Azumaya Manj-Tei, um caramanchão de madeira e palha, que inspirou os turistas que estavam conosco no passeio, a pararem um minuto para meditarem. O recanto ainda tem lindas árvores ornamentais, quedas d’água, tanque com carpas, uma linda Casa de Chá (que infelizmente você observa só por fora) e muitos macaquinhos! Ah, se você gosta da cultura japonesa ou de fotos, vista um traje tradicional e faça cara de gueixa!

Recanto Japonês

Recanto Japonês – Fonte dos Três Desejos, Azumaya Manj-Tei, Casa de Chá e lago de carpas

  •  Véu das Noivas

A mais famosa queda d’água da cidade. É bonita, mas você apenas tira fotos pois não pode se banhar nas águas. No mesmo espaço você ainda encontra uma feirinha de artesanato, guloseimas de milho e um trenzinho que te leva para um passeio no parque.

Véu das Noivas

Véu das Noivas

  •  Cristais Cá d’Oro

Parada obrigatória na cidade, a Cá d’Oro é uma fábrica artesanal de peças em vidro artístico, que segue as mesmas técnicas usadas na ilha de Murano em Veneza, na Itália. O fundador é Mario Seguso, nascido na ilha de Murano, em 1929, descendente de mestres vidreiros. Atualmente, a Cristais Cá d’Oro está na terceira geração da família Seguso em terras brasileiras.

A loja é linda e apresenta centenas de peças, cheias de formas e cores. E você ainda pode ver, através de uma vitrine, um artesão moldando cavalinhos.

As peças de murano são bem caras mas há várias opções com pequenos defeitos a preços amigos.

Cristais Cá d'Oro

Cristais Cá d’Oro

Entre um passeio e outro, o tour passa por uma loja de doces e queijos mineiros, e pela loja de uma fábrica de sabonetes artesanais, feitos com a água da região, que contém propriedades que fazem bem à saúde e proporcionam bem estar.

Isso tudo fizemos das 9h30 às 13h00, de acordo com nosso plano de encontrar com minha “amígdala” Tati e seu namorado Fabio, que moram em Vargem Grande do Sul, a cerca de 50 km de distância de Poços.

Fomos almoçar no restaurante preferido deles e queridinho da cidade: a Cantina do Araújo. Já na entrada, você se surpreende com a quantidade de retratos de famosos que passaram por ali – os mais recentes, atores globais da novela Alto Astral, que foi gravada na cidade. E quem estava sentadinho, dando as boas-vindas aos famintos visitantes? O próprio Sr Araújo!

A comida de lá é deliciosa e farta. Um prato, que dizem ser feito para uma pessoa, alimenta muito bem a duas pessoas. Tati e Fabio foram de porpettone com tallarine. Mamis e eu fomos de frango desossado e purê de batatas. Mas antes, peça a entradinha. O melhor pão de queijo ever! A Fabi, nossa provadora oficial de pão de queijo, provou e aprovou!

Cantina do Araújo

Cantina do Araújo, o delioooooso pão de queijo e o Fabio tietando o Sr Araújo

Depois do almoço, andamos. A cidade tem um impressionante centro comercial. Muitas lojas. Populares e de grandes marcas que temos em Sampa também. A mais fofa é uma chamada Madame Surtô, com roupas criativas e exclusivas, e eobjetos decorativos e de uso pessoal muito fofos.

Madame Surtô

Madame Surtô, loja fofa

À tarde, visitamos as Thermas Antônio Carlos, o primeiro estabelecimento termal do Brasil. É um prédio lindo, recém reformado e reaberto ao público. Além dos banhos de imersão que oferecem até hoje, atendem pacientes do SUS em uma clínica de mecanoterapia, com diversos aparelhos fisioterápicos, que datam de 1929. À primeira vista, parecem aparelhos de tortura mas quando você olha de perto, percebe que são muito parecidos com os atuais aparelhos de ginástica.

Pra quem acompanha novela, as Thermas serviram de cenário para a novela Alto Astral. A trama girava em torno de um hospital da cidade fictícia e Nova Alvorada. Na verdade, a fachada do hospital pertence ao Palace Hotel; e a parte interna, pertence às Thermas – e seus trocentos corredores.

Thermas Antônio Carlos

Thermas Antônio Carlos

Mas logo, de tanto andar, chegou a hora do jantar! Ouvimos um comentário, na rua, de que um restaurante chamado Pizza Na Roça tem uma maravilhosa pizza. E para lá fomos. O lugar a algumas quadras do centro nervoso mas é perto. Delícia poder fazer tudo a pé!

O restaurante é super fofo e tem mesas na área fechada e num espaço que eles chamam de deck, onde tem grandes janelas de vidro. Eles servem comida mineira, comida japonesa e massas em geral, mas fomos de pizza mesmo.

Pizza na Roça

Pizza na Roça

Tati e Fabio tinham de voltar para casa e como ainda estava cedo, passei com minha mãe no Parque José Affonso Junqueira pois ouvimos falar de um evento que ali aconteceria. Havia um grande palco montado e milhares de cadeiras posicionadas em frente a ele. Aconteceria ali a Sinfonia das Águas, um musical que mescla música clássica (com uma orquestrada formada por mais de 170 músicos), tangos, trilhas de filmes, clássicos folclóricos e MPB, além de atores, dançarinos, show de luzes e fogos e artifício. Muito bem feito e muito bem apresentado pelo Maestro que era um figurão. Fazia um super frio mas foi tão divertido que nem vimos a hora passar. Parece que esse evento acontece quatro vezes ao ano.

Sinfonia das Águas

Sinfonia das Águas (para nós, um evento surpresa!)

A viagem foi curta mas o suficiente para que minha mãe se divertisse e resgatasse um pouco de sua história e revivesse algumas de suas lembranças. É uma cidade que oferece qualidade de vida a seus moradores, grande parte já idosos. Aliás, grande parte dos turistas também é bem idosa. Você encontra diversos grupos da melhor idade passeando por lá. Me senti tão jovem! É o tipo de cidade onde talvez eu queira morar quando estiver na hora de aposentar o mochilão. Bonita, divertida e com muitos lugares para se explorar!

Mamis curtiu. Eu curti. Tati e Fabio curtiram. Passa lá você também!

  • Como chegar de carro:

Partindo de São Paulo: pela rodovia SP-342 (260 km)
Partindo de Belo Horizonte: pela rodovia BR-267 (465 km)

  • Como chegar de ônibus:

Viação Cometa (http://www.viacaocometa.com.br/)
Viação Santa Cruz (http://www.viacaosantacruz.com.br)/

 

 

Bairros de Sampa | Minha Casa Verde

Casa Verde? Hã? Mas é perto de onde? De Santana?  Ah, tá…

É mais ou menos assim que começa uma conversa quando eu falo onde moro. Na verdade, hoje em dia a Casa Verde tornou-se mais conhecida por conta da Arena Anhembi (não me acostumei ainda com esse nome, mas é o Sambódromo), a Vila do Samba, as escolas de Samba, etc.

Eu me mudei para cá quando tinha onze anos e não fiquei muito feliz. Eu morava no Bom Retiro e adorava lá, era perto de tudo, tinha os meus amigos da rua e aqui não tinha nada disso. Mas com o tempo fui fazendo amigos na nova escola e a minha visão foi mudando.

Mas por que o bairro chama Casa Verde? De acordo com o site da Prefeitura de SP, a região era um grande sítio que pertenceu ao “rei” Amador Bueno, em 1641. Depois passou a ser propriedade do militar José Arouche de Toledo Rendon, descendente de Amador Bueno. Foi nessa época que a região ficou conhecida popularmente como “sítio das moças da casa verde” e sítio da casa verde. As moças eram as filhas de Rendon e a casa onde viviam era pintada da cor verde.

Em 1842 João Maxweel Rudge tornou-se proprietário da área da margem direita do Tietê; seus herdeiros em 1913 lotearam a região onde pretendiam criar o bairro como “Vila Tietê”, mas o nome não resiste à força popular das histórias do sítio das moças da Casa Verde e em 21 de maio de 1913 surge o bairro da Casa Verde. Sim, neste mês o meu querido bairro esta fazendo 102 anos!

A Casa Verde fica na Zona Norte e é dividida em três áreas: Casa Verde Alta, Média e Baixa, eu moro na Baixa, perto da Avenida Braz Leme. É um bairro pacato, sem muitas badalações, bem residencial. As pessoas que vivem aqui estão há muito tempo e não pensam em mudar (pelo menos os meus visinhos). Ultimamente está ficando mais agitado por conta de alguns novos empreendimentos, baladas, shows no Anhembi, mas ainda mantém aquele clima residencial.

E o que tem de bom nessa Casa Verde? Um monte de coisas, meeeuuu!

– Bar do Plínio:

Para quem gosta de peixe esse é o lugar. A especialidade do bar são as porções de pescados do pantanal e frutos do mar, além de sempre ter cerveja bem gelada e um bom atendimento. O ambiente é super gostoso, com cadeiras na rua e um grande aquário na parte interna do bar. Quem abastece a casa com os peixes trazidos diretamente do Pantanal é o próprio Plínio.

Rua Bernardino Fanganiello, 458 – (11) 3857-0999 – http://bardoplinio.com.br/

Bar do Plínio - Divulgação

Bar do Plínio – Divulgação

– Mr. Cheney

Melhor cookie ever! Hoje em dia você encontra um quiosque ou lojinha Mr. Cheney em vários shoppings e até em faculdades, mas quase ninguém sabe que a primeira loja surgiu na Casa Verde, em 2005, há! Eu tenho o privilegio de comer esse cookie maravilhoso desde seu começo (chupa Bauducco com aquele cookie medonho).

A Mr. Cheney surgiu quando o casal brasileiro Lindolfo e Elida Paiva, amigos do cookieman Jay Cheney, da Califórnia, decidiram aprender os segredos do verdadeiro cookie americano para trazê-lo ao Brasil. Além dos cookies, você pode provar panquecas, brownies, wraps, cheese cake. Adoro tomar café da manhã lá.

Rua Padre Antonio D’Angelo, 142, Casa Verde – (11) 3596-3293 http://www.mrcheney.com.br/

Mister Cheney - Divulgação

Mister Cheney – Divulgação

– Arte em Pastel

Lugar tradicionalíssimo da Casa Verde! Quantas vezes saímos do colégio direto para o “Pastel do Tolosa” para almoçarmos. Chamávamos por esse nome porque ficava em frente ao colégio Benedito Tolosa. Hoje mudou para uma casa maior em frente à Praça Centenário para acomodar melhor os clientes que aumentaram bastante devido à fama do pastel, que é verdadeira. Eles já faziam pastéis com sabores variados antes de virar moda, o meu preferido é o de peito de peru com provolone.

Rua Baroré, 83 – Casa Verde – (11) 3857-3156 – http://arteempastel.com.br/

Arte em Pastel - Divulgação

Arte em Pastel – Divulgação

– Vila do Samba

Uma casa antiga, muito charmosa, que foi uma vila operária é um dos redutos do samba na Casa Verde. Ao entrar você vê um corredor ao ar livre com bancos, vasos de plantas e um churrasquinho para matar a fome. No final do corredor encontra um galpão grande com bar e o samba rolando em um palco que fica no meio das mesas, remete aos sambas de roda. Vem gente de todo canto da cidade para curtir o lugar.

Rua João Rudge, 340 – Casa Verde – (11) 3858-6641 – http://www.viladosamba.com.br/

Falando nisso, o bairro da Casa Verde é um importante reduto do samba, sabia? Se você pensa que só o Bixiga tem samba no pé, está redondamente enganado. Sem querer me gabar, mas já me gabando, o grande Adoniran Barbosa fez um samba chamado Morro da Casa Verde… hehehe… (beijinho no ombro).

As quadras de grandes escolas de samba então no bairro e nas proximidades: Mocidade Alegre, Império de Casa Verde, Camisa Verde e Branco, Rosas de Ouro e Unidos do Peruche. Claro que um dos fatores para as escolas de samba estarem nesta região é a localização do Sambódromo Anhembi, que fica na Olavo Fontoura, assim fica mais fácil transportar os grandiosos carros alegóricos.

– Sabino´s Calçados

Essa loja um dia será tombada como patrimônio da Casa Verde. Desde que eu me mudei para cá ela existe e o seu diferencial é o dono, o seu Sabino de Souza Felippe, uma figura super simpática que nasceu e foi criado no bairro da Casa Verde e você pode facilmente vê-lo andando pela loja. Não conheço quem more na Casa Verde e nunca tenha feito uma compra na Sabino´s.

Sabino´s Calçados - Divulgação

Sabino´s Calçados – Divulgação

O que eu mais gosto é a simplicidade do bairro. Temos praças, padarias, mercados, ruas calmas para passear com os filhos, cachorros…  A Avenida Braz Leme tem uma pista de corrida e ciclovia que vai até Santana – é onde faço minhas corridas dominicais.

Praça do Centenário

Praça do Centenário

E para quem gosta de ser natureba, não precisa ir até o Parque da Água Branca para comprar produtos orgânicos. Recentemente descobri uma horta urbana orgânica na Casa Verde! Transformaram um terreno abandonado da Eletropaulo em um espaço para cultivo de legumes, é ótimo poder comprar produtos frescos colhidos na hora. A horta fica na Rua Frederico Penteado Jr.- 308, próximo à Avenida Casa Verde.

Horta Orgânica - Divulgação

Horta Orgânica – Divulgação

Nos últimos anos as construtoras descobriram o bairro e estão surgindo muitos prédios… Uma pena, pois as casas antigas e charmosas estão sumindo… Contudo, esse é o curso natural das cidades, né? Só espero que não mude essa essência tranquila e amigável do bairro.

Neste mês de aniversário da Casa Verde estão rolando alguns eventos para comemorar. No site da Prefeitura tem a programação completa.

http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/subprefeituras/casa_verde/noticias/?p=57123

bjussss

Fabi.

Inspire-se: Adotar é tudo de bom!

Eu sempre fui doida para ter um cachorrinho, mas os lugares em que eu morei quando era pequena não me permitiam ter um.

Quando eu tinha oito anos nos mudamos para uma casa grande na Parada Inglesa, na Zona Norte, e a cachorrinha do dono da casa que alugamos tinha acabado de ter filhotinhos. Enchi tanto o saco da minha mãe que ela aceitou pegarmos uma, foi aí que surgiu a Bolita na minha vida. Ela era uma vira-lata brava, mas muito carinhosa, adorava de paixão minha mãe. Onde minha mãe ia, a Bolita ia atrás.

Desde então eu sempre tive bichinhos em casa; teve uma época que tínhamos quatro cachorros de porte médio e grande. Era um trabalhão, mas eu sempre amei. Sou daquelas que choram vendo filmes de cachorros, sabe? Para ter noção, um dos meus filmes preferidos é “Bingo, esperto para cachorro” – sempre choro naquela cena em que ele está no caminho para encontrar o dono, para em frente àqueles fornos de frango de padaria e fica olhando a carne, com fome (caiu um cisco no meu olho agora… rs…). Minha amiga Naty sempre fala que se passar um cara lindo com um cachorro, eu vou olhar primeiro para o cachorro… rsrsrs

Da esquerda para a direita: Bolita, Hannah (mãe do Tobby) e Marcelinho.

Da esquerda para a direita: Bolita, Hannah (mãe do Tobby) e Marcelinho.

Quase todos os meus bichinhos foram adotados, seja de uma ONG, seja de alguém que estava dando; exceto o Tobby, um husky que era filhote da cachorra que meu irmão deu para a namorada dele, e o Joshua, um poodle toy que era da minha sobrinha e ela não pôde ficar mais com ele por falta de espaço. Eu nunca comprei nenhum animal de estimação e não recrimino quem compra, mas existem tantos animais lindos que necessitam de uma família, que vale a pena pensar em adoção.

Eu já adotei um cachorro do Centro de Zoonoses de SP e em uma ONG que fazia feiras de adoção no mercado que fica em frente à minha casa, e foi de lá que veio a minha gatinha, a Minnie. A Carol também adotou a Meg. Uma casa com um gato ou um cachorro tem mais vida, é completa.

Minie!

Minnie

Joshua

Joshua

Tobby

Tobby – virou anjinho em 2013, com 15 anos.

Meg

Meg

Existem centenas de ONGs que fazem um trabalho que eu considero divino, pois essas pessoas abdicam do seu tempo para cuidar desses anjinhos e ajudar a encontrar uma família para cada um, isso para mim é incrível.

As ONGS que eu acompanho mais de perto são a UIPA – União Internacional Protetora dos Animais e a Adote um Gatinho.

A UIPA criada em 1985, é a ONG mais antiga do Brasil. Cuida de mais de 900 bichinhos entre cães e gatos e luta contra os maus-tratos a qualquer animal.

A Adote um Gatinho eu conheci por uma amiga gateira, a Andreia, e me apaixonei. Em 2003 as duas fundadoras. Susan Yamamoto e Juliana Bussab. se voluntariaram para ajudar alguns gatos de um parque, em São Paulo, e se conheceram. Em 2006 surgiu a ONG com a ajuda de mais alguns voluntários.

Para todas as ONGs conseguirem recursos para cuidar de tantos animais não é fácil, eles têm que se virar para fechar as contas no final do mês e muitas vezes elas não fecham. A Adote faz uma feira anual no Clube Homs na Paulista para vender produtos e divulgar a causa.

Você pode ajudar as ONGs e os anjinhos de várias formas, claro que adotar é a mais linda de todas, mas se não puder, é possível fazer doações de ração, medicamentos, dinheiro, pode apadrinhar um bichinho ou ser um voluntário. Qualquer ajuda é válida e faz toda a diferença.

Outro grande problema é o abandono de animais. Quando fomos fazer a trilha no Parque do Jaraguá, passamos pelas aldeias indígenas Tekoá Pyaú (sim, tem índios lá) e vimos de perto o tanto de animais abandonados na região. O SPTV já fez uma matéria falando sobre as ninhadas de cachorros que as pessoas jogam lá, o que se tornou um enorme problema social e de saúde para os moradores. Para ter uma noção, segundo estimativas dos indígenas no local, as duas aldeias têm cerca de oitocentas pessoas. Os cachorros são quase quatrocentos.

Muitos dizem não ter condições de cuidar, principalmente quando eles ficam doentes, e concordo que realmente os tratamentos veterinários são caros, mas não se deve abandonar quando eles mais precisam.

Para ajudar os donos e reduzir o abandono, surgiu em Sampa o primeiro Hospital Veterinário Público do Brasil para pessoas de baixa renda e que participam de programas sociais tais como: Bolsa Família, Renda Mínima, Renda Cidadã ou outro programa equivalente. São duas unidades, uma no Tatuapé, Zona Leste, e uma em Santana, Zona Norte.

Os hospitais realizam consultas, exames e cirurgias, mas possuem um número limitado de procedimentos por dia. Como todo serviço público no Brasil, não é fácil conseguir, mas vale a pena para ver nossos amiguinhos bem. Várias faculdades também prestam atendimento veterinário com valores mais acessíveis como a Unip, a Uniban, a USP… é só procurar.

Como eu disse, não sou contra quem prefere comprar um bichinho, apesar de achar que uma vida não deve ser mercadoria, mas acredito que adotar é um ato de amor e solidariedade.

:*

Fabi.

Hospital Veterinário Público de São Paulo

Unidade Zona Norte
Avenida General Ataliba Leonel, 3194 – Parada Inglesa – São Paulo/SP
Telefone 11 2924-9815

Unidades Zona Leste
Rua Serra de Japi, 168 – Tatuapé – São Paulo/SP
Telefone 11 29364745

UIPA
Av. Presidente Castelo Branco (Marginal Tietê), 3200 Canindé – (11) 3228-1462
Email: uipasp@uol.com.br / www.uipa.org.br

Adote um Gatinho – www.adoteumgatinho.org.br

Centro de Controle de Zoonoses de São Paulo (CCZ)
Rua Santa Eulália, 86 – Santana – (11) 3397-8900
www.prefeitura.sp.gov.br/zoonoses

Vira Lata é 10! – viralataedez.com.br

Pico do Jaraguá | Trilhas de São Paulo

Quem não gosta de ver São Paulo do alto? Nossa cidade é tão grande, que “se espalha” por aí e você só consegue ver partes dela. São Paulo tem uma área de 1.523 km² e seu ponto mais alto é o Pico do Jaraguá, de onde você avista grande parte desse território, do alto de seus 1.135 metros.

Localização do Parque Estadual Jaraguá

Localização do Parque Estadual Jaraguá (Fonte: Google)

Fabi e eu, finalmente, fomos riscar esse item da nossa lista. Resolvemos ver de perto aquela montanha que vemos sempre de longe, de tantas partes da cidade. Aproveitamos que a previsão do tempo indicava um sábado de sol entre tantos dias nublados e chuvosos desse nosso outono estranho. E lá fomos nós!

Como moramos na Zona Norte da cidade, e fomos de carro, foi super tranquilo. Graças, também, ao GPS! Mas nos embananamos na entrada e entramos na portaria errada. O que não foi nada chato porque subimos ao cume pela estrada asfaltada, bem sinuosa, entre árvores frescas e com a vista da cidade. Mas então, soubemos que para fazer a trilha deveríamos entrar pelo portão principal. Já suspeitávamos… rs

Estrada Pico do Jaraguá

 

Vista de São Paulo do Parque Pico jaraguá

Enfim, na área principal do parque, chamada de sede, encontramos a placa que indica as diferentes trilhas do parque.

  • Trilha do Silêncio
    • Detalhes: trajeto de 828m (ida e volta), 30 minutos, dificuldade baixa
    • Essa trilha é adaptada para pessoas com mobilidade reduzida.
  • Trilha do Lago
    • Detalhes: trajeto de 1.000 metros (ida e volta), 20 minutos, dificuldade baixa
    • Circuito de paralelepípedo em torno de um lago.
  • Trilha da Bica
    • Detalhes: trajeto de 1.500 metros (ida e volta), 45 minutos, dificuldade média
    • Trilha que leva o visitante até uma bica d’água.
  • Trilha do Pai Zé
    • Detalhes: 3.600 metros (ida e volta), 2h30, dificuldade alta
    • É por essa trilha que se chega ao Pico do Jaraguá, nosso Everest nessa aventura.

Placa entrada parque Pico Jaraguá

Com a segurança de quem subiu 2.720m do Huayna Picchu, no Peru, começamos nossa trilha. Os primeiros metros são em paralelepípedo, mas logo começa a terra batida, entre árvores frondosas e insetos! E olha, tenho que dizer: dá pra cansar! Para sedentários como eu, e sob o sol que estava, não foi tão mamão-com-açúcar, não.

Trilha do Pai Zé

Fabi acreditando na força do Pai Zé (ou Father Joseph)

A vegetação da trilha muda conforme você sobe. De árvores altas e solo úmido, passa para arbustos secos e solo pedregoso.  E o sol, que antes aparecia modesto entre a copa das árvores, mostra a cara. Mas é nessa hora que a cidade começa a aparecer, lá embaixo. Durante o trajeto há alguns mirantes para você observar Sampa melhor.

O trecho em que a mata fica mais aberta é o mais difícil, em nossa opinião, pois o solo fica cheio de pedras e surgem algumas escadas, mas é melhor que muito agachamento na academia e ainda se tem o bônus de ser ao ar livre. Ficamos com dor no quadril e na panturrilha no dia seguinte (#projetobumbumnanuca2022).

Trilha Pai Zé

Carol (eu!) sentindo a natureza

Chegamos ao alto do Pico do Jaraguá, mas ainda faltava uma escadaria de 240 degraus (dizem; eu diria 950 degraus…) para chegar ao Mirante da Torre e visualizar São Paulo. Nesta parte tem algumas barraquinhas com sorvete, espetinho, algodão doce e água de coco, então não se preocupe se você sentir sede e fome e for como nós, que nos esquecemos de levar lanchinho. Lá, tomamos sorvete de milho verde e de coco e vimos, de pertinho, vários saguis que ficam buscando comida por ali!

É interessante olhar, lá de cima do mirante, para aquele horizonte de prédios e antenas, com algumas “manchas verdes” e pensar que ninguém imaginava o que se tornaria aquele povoado de 1554. E também é triste pensar que esse crescimento continua e avança para todos os lados, sem planejamento e sem respeito com a natureza.

Vista de São Paulo

Apenas partes de São Paulo (à esquerda, a Zona Oeste e à direita, a Zona Sul)

Antenas do Pico do Jaraguá

Alô, alô marciano

Falando um pouco em natureza, o Pico do Jaraguá está dentro do Parque Estadual Jaraguá, que possui 492 hectares e onde você ainda encontra Mata Atlântica, com sua flora e fauna preservadas. Tem alguns bichinhos por lá, como sagui (vimos!), tucano-do-bico-verde (não vimos…), macaco-prego (vimos!), bicho-preguiça (não vimos…), além de patos e tartarugas.

O que mais nos encantou, no parque, foi uma borboleta pequenina cuja asa parecia ser azul de um lado e furta-cor do outro. Imaginem como era linda! Vimos algumas ziguezagueando entre as árvores quando subimos pela estrada, de carro. E quando estávamos no alto do mirante, vi o que me pareciam luzes no meio da mata, mas eram elas. Por isso, decidimos fazer o caminho de volta pela estrada, dessa vez, a pé, para curtir mais o passeio. E lá estavam elas, que nos acompanharam parte do caminho.

Bichinhos que vimos

O que vimos por lá: saguis (adultos e filhotinhos fofos), patos, macaco-prego e uma linda borboleta azul (com fé, dá pra vê-la na foto)

A estrada tem cerca de 4 km. Com isso, fizemos exercício dobrado, comendo Fandangos, porque somos pessoas muito fitness (sqn)! Mas esse caminho não é o mais indicado, porque não tem acostamento e os carros passam pertinho de você nas curvas.

Nosso passeio durou umas quatro horas. Chegamos no pior horário do sol e fomos embora morrendo de fome. Nos demos ao direito de recarregar as energias com gordices: milk shake de Chicabon (que inclusive, falamos no último post, sobre o Bairro da Lapa!).

Não tivemos tempo nem forças de fazer as demais trilhas, o que é muito bom, porque teremos de voltar ao parque mais vezes!

Até a próxima, então! Bjs

 

#ficaadica

Evite horário do sol (faça o que digo, não o que faço!), passe protetor solar, vista roupas leves e confortáveis, coloque um calçado adequado, leve um lanche leve e água (há alguns pontos com torneiras mas não sabemos dizer se é água “bebível”). E claro, leve a câmera para tirar muitas fotos!

 

Sobre o Parque Estadual Jaraguá

O Pico do Jaraguá fica no Parque Estadual Jaraguá, uma antiga fazenda do ciclo do ouro, que se tornou parque estadual em 1961, como forma de protegê-la. Seu nome quer dizer, em tupi, “Senhor dos Vales”.

  • Localização: Rua Antônio Cardoso Nogueira, 539 – Vila Chica Luiza – Bairro Jaraguá
  • Funcionamento: Diariamente, das 7h00 às 17h00, com acesso às trilhas até as 16h00 – com horário estendido em 1 hora no verão
  • Como chegar: De carro, através da Estrada turística do Jaraguá; de trem, a parada mais próxima é na Estação Vila Clarice (Linha 7 da CPTM); de ônibus, três linhas passam pelo local (8040 – Lapa/Sol Nascente, 8047 – Lapa/Jaraguá e 8696 – Praça Ramos/ Jaraguá)
  • Mais informações: http://www.ambiente.sp.gov.br/parque-estadual-do-jaragua/

 

Quer ver São Paulo por outros ângulos? Veja outros pontos turísticos com vista da cidade que já exploramos:

Bairros de Sampa | Minha Lapa

Se tem um bairro de que eu gosto muito, aqui em Sampa, é a Lapa. Localizado na Zona Oeste da cidade, o bairro reúne um grande centro comercial (em torno do Mercado Municipal e da Rua 12 de Outubro) e pontos de prestação de serviços (como o Poupatempo e a Polícia Federal), além de ter ótimas opções culturais (bares, restaurantes, biblioteca e teatro, por exemplo).

Mas falar da “minha Lapa” significa falar da Lapa da Baixo, Lapa de Cima, Alto da Lapa, Vila Ipojuca, Vila Romana… É, aqui em São Paulo é tudo junto e misturado.

Localização bairro Lapa São Paulo

O primeiro registro sobre a Lapa data de 1581, quando os jesuítas receberam uma sesmaria na região (lote de terra cedido pelo Rei de Portugal para povoar uma área); mas somente em torno de 1880, o bairro começou a tomar forma de centro urbano. As propriedades rurais começaram a ser loteadas, o que atraiu a chegada de muitos estrangeiros, principalmente italianos (ma cheee!). Por isso, inclusive, você encontra ruas como Roma, Coriolano e Cipião na chamada Vila Romana. Capisce?

Você chega à Lapa de várias maneiras e é bem fácil. Suas principais vias são a Rua Clélia (que segue sentido Centro) e a Rua Guaicurus (que segue no sentido Bairro). Nas paralelas e transversais a essas avenidas está o charme do bairro, que ainda conta com um terminal de ônibus bem organizado e duas linhas de trem CPTM: Linha 7 Rubi (parte da São Paulo Railway, de 1899) e a Linha 8 Diamante (parte da Estrada de Ferro Sorocabana, de 1958).

Mercado da Lapa

Fonte: site Mercado Municipal da Lapa

 

Como eu disse antes, o centro comercial do bairro está em torno do Mercado Municipal e é por ele que vamos começar esse passeio.

 

Mais conhecido como Mercadão da Lapa, tem dezenas de lojinhas de frutas, legumes e verduras, carnes e peixes, ervas e até embalagens, enfeites de festa e panelas de alumínio. Esta semana mesmo estive lá comprando manteiga a granel, entregue enrolada em papel de pão! Adoro!

Ali mesmo no Mercadão, começa a principal rua de comércio popular: a Rua 12 de Outubro. É uma ladeira com lojas de ambos os lados. Roupas, calçados, bijouterias e utensílios domésticos. E em uma das travessas começa a Rua Monteiro de Melo, com inúmeras lojas de móveis de madeira maciça e planejados. Se sentir falta de shopping, o bairro também oferece. Com lojas mais populares e uma pequena praça de alimentação, ainda assim é um shopping! Rsrs

Se você seguir pela Rua Guaicurus, próximo ao Terminal de Ônibus, você vai encontrar lugares interessantes e bem ecléticos para uma mesma rua:

Mapa bairro Lapa São Paulo

1. Estação Ciência; 2. Casa Cultural Tendal da Lapa; 3. Poupatempo; 4. Serralheria Espaço Cultural; 5. The Week; 6. União Fraterna (Fonte: Google Maps)

  • Estação Ciências (#1 Rua Guaicurus, 1274): Um centro de difusão científica, tecnológica e cultural, instalado em uma antiga fábrica com fachada de tijolinhos vermelhos. Ela é mantida pela USP e tem muitas experiências divertidas; programa para crianças de todas as idades! Mas por ora, o espaço está em reforma e o atendimento suspenso. No site não há indicação de data de retorno.
  • Casa Cultural Tendal da Lapa (#2 Rua Constança, 72 – altura do nº 1.100 da Guaicurus): Iniciou suas atividades quando o Grupo Teatro Pequeno promoveu uma “invasão cultural” no antigo prédio de um entreposto de carnes da região, o Tendal da Lapa, em 1989 – hoje, Patrimônio Histórico Municipal. E ali está até hoje, mesmo depois de quase ser expulso para a instalação de um Poupatempo. O centro cultural oferece inúmeras atividades artísticas e até atividades de inclusão social para pessoas com deficiência física ou mental.
  • Poupatempo (#3 Rua Guaicurus, 896): Após brigas e acordos, o Poupatempo Lapa foi construído em parte do Tendal da Lapa. A fachada do prédio é muito bonita, com tijolos aparentes, mantendo as características do antigo prédio.
  • Serralheria Espaço Cultural (#4 Rua Guaicurus, 857): É um desses espaços que surpreendem em São Paulo. Em uma antiga serralheria, quatro amigos se uniram em torno da arte. Ali eles trabalham suas expressões artísticas, principalmente com música. O espaço conta com um bar e um estúdio onde rola a programação semanal.
  • The Week (#5 Rua Guaicurus, 324): Uma das maiores casas de shows e festas de São Paulo, com eventos voltados para o público GLS. Tem 6 mil m², ambientes distintos, incluindo um deck com piscina!
  • União Fraterna (#6 Rua Guaicurus, 33): Um prédio de 1934, tombado pelo Patrimônio Histórico e que ainda abriga a União Fraterna com atividades voltadas para a terceira idade, incluindo o seu tradicional Baile da Saudade.

Agora, subindo sentido Alto da Lapa, você pode desfrutar de outras atrações, como:

Mapa bairro Lapa São Paulo pontos turísticos

7. Biblioteca Municipal; 8. Teatro Cacilda Becker; 9. Praça Cornélia; 10. Grupo Pia Fraus; 11. Sesc Pompéia (Fonte: Google Maps)

  • Biblioteca Municipal Mário Schenberg (#7 Rua Catão, 611): Conta com um acervo de 60 mil exemplares e 700 livros em braile, além de uma programação recheada de atividades educativas, como teatros, oficinas, shows e contação de histórias (aliás, programação que é desenvolvida por nossa amiga Melina Campanini – um salve à Meê!!).
Biblioteca Municipal Mario Schenberg

Biblioteca Municipal Mario Schenberg

  • Teatro Cacilda Becker (#8 Rua Tito, 295): O teatro municipal foi construído, em 1988, para atender uma carência da região. Em 2009 foi reinaugurado reformado. O espaço tem uma programação mensal que você pode consultar no site, e inclui peças teatrais e shows a preços amigos ou até mesmo gratuitos.
  • Grupo Pia Fraus (#9 Rua Coriolano, 624): O grupo, que há mais de 30 anos, realiza espetáculos com máscaras, bonecos, danças e técnicas circenses tem seu QG na Lapa. Passar em frente dele pode ser assustador, principalmente à noite… Se você tem medo de bonecos, atravesse a rua!
Vitrine Grupo Pia Fraus

Vitrine do Grupo Pia Fraus à noite, com seus bonecos assustadores

  • Praça Cornélia (#10 Rua Clélia, altura no número 800 – entre as ruas Cláudio e Crasso): A praça fica localizada em frente à Paróquia São João Maria Vianney, de 1932, e abriga a Feira de Artesanato, Antiguidade e Comida Típica, que acontece todo sábado, com barraquinhas, atividades para as crianças e apresentações musicais.
  • SESC Pompéia (#11 Rua Clélia, 33): Ficamos em dúvida se o SESC Pompéia ainda seria Lapa ou Pompéia (como o próprio nome diz!), mas como está na Rua Clélia, que citamos como importante logradouro do Bairro da Lapa, cá está. O SESC foi construído nas antigas instalações de uma fábrica, em 1986, com projeto da arquiteta ítalo-brasileira Lina Bo Bardi (a mesma que projetou o MASP). As instalações foram tombadas, em 2009, pelo Conpresp (órgão municipal de proteção ao patrimônio) e este ano, foi consagrado patrimônio cultural do Brasil. Se você não conhece ainda, vá. O lugar é lindo, tem uma super programação e as delícias da cafeteria do SESC…

Falando em delícias, ainda mais depois desse passeio, fique sabendo que a Lapa tem várias opções interessantes para comer e beber. Listamos nossas preferidas aqui:

Mapa bairro Lapa São Paulo onde comer e beber

12. São Paulo Dog & Burger; 13. Honey Café; 14. Armazém Cerveja Gourmet; 15. Bar Bezerra; 16. Pain à Table (Fonte: Google Maps)

  • São Paulo Dog & Burger (#12 Rua Catão, 763): Decorada ao estilo vintage, serve o melhor milk-shake de Chicabon ever! Super cremoso e sem miséria (o copo é grande).
São Paulo Dog & Burger

São Paulo Dog & Burger

  • Honey Café (#13 Rua Coriolano, 1436): Para os íntimos, Café do Panda! Uma casinha fofa dentre outras casinhas da Vila Romana. Passaria despercebido se não fosse o banco de madeira na porta. Entre e prove os biscoitinhos em formato de urso, os doces (uma delícia a éclair de pistache!) as bebidas à base de café ou os salgados, feitos também para os veganos. Ah, tem almoço, inclusive, aos sábados.
Honey Café

Honey Café ou Café do Panda 😉

  • Armazém Cerveja Gourmet (#14 Rua Tito, 400): Barzinho de esquina onde o legal é sentar nos balcões – no bar central ou nas janelas, seja de fora pra dentro ou de dentro pra fora! A especialidade da casa é cerveja. E para quem adora garrafas e rótulos, como eu, a exposição delas é de encher os olhos, porque ficam em uma estante, do chão ao teto.
  • Bar Bezerra (#15 Rua Coriolano, 800): Outro bar de esquina (parece que na Lapa, os bares estão todos estrategicamente posicionados) que também tem cerveja como especialidade. São dois andares com decoração bem interessante, utilizando muita madeira de demolição e objetos antigos (desde cadeira de barbear até um fogão que virou pia), além de cédulas de diversos países sob a escada e capas de disco no teto. O bar tem uma boa carta de cervejas de todo o mundo e sempre tem as promoções do dia. E se você gosta de futebol, os jogos são projetados em uma telona do outro lado da rua.
Bar Bezerra

Bar Bezerra – cervejas especiais

  • Pain à Table (#16 Rua Coriolano, 301): Uma pequena e charmosa padaria artesanal que tem pães com grãos, nozes, queijos, ótimos croissants e um delicioso pão de queijo (importante: foi muito bem avaliado pela nossa amiga Fabi, degustadora oficial de pão de queijo aqui do EXPLORAsp). Nos foi dito lá, que o local tem movimento fraco durante a semana, mas bomba aos findis. Por isso, #ficaadica: se quiser provar o pão de queijo, conte com a sorte, porque eles assam poucas unidades por dia e é difícil encontrar.
Pain à Table

Pain à Table – pães artesanais

E assim é a Lapa. Pelo menos parte dela. Pelo menos por enquanto, pois as construtoras redescobriram a região e a cara do bairro está mundando.

Quer fazer um passeio diferente? Vá até a Lapa bater canela, como diria minha mãe!

Bjs Carol

Do objeto para o mundo | Exposição de Inhotim no Itaú Cultural

Eu que não entendo de arte, só quero ver o que, para mim, é bonito. Foi com esse pensamento que entrei no Itaú Cultural para ver a exposição “Do objeto para o mundo”, que apresenta parte da coleção de obras do Instituto Inhotim, de Minas Gerais – que, pela primeira vez, teve suas obras viajando além das fronteiras mineiras.

Guia da exposição Do objeto para o mundo Inhotim Itaú Cultural

Há tempos tenho vontade de conhecer Inhotim, pelas suas obras de arte e pelo santuário ecológico que é. E a vontade existe mesmo sem entender os preceitos de arte contemporânea ou conhecer os nomes dos artistas e os significados de suas obras. Simplesmente porque coisas diferentes me chamam a atenção; porque meu senso estético me diz que aquilo é bonito; porque acho interessante o que resulta da criatividade alheia, mesmo que eu não a entenda por completo.

Não. Não me envergonho de dizer que não entendo de arte. Se é que arte deve ser (sempre) entendida. Mas sou curiosa o bastante para querer saber a motivação criativa desses artistas e da mostra. Por isso, fui estudar o guia da exposição, o que me ajudou a dormir em paz! Rsrs Não deixe de pegá-lo na entrada.

Enfim, a exposição “Do objeto para o mundo” está em três andares do Itaú Cultural e traz obras de 29 artistas, produzidas entre 1950 e início dos anos 2000, expostas no Instituto Inhotim. Percorri todas as salas tranquilamente; praticamente, só havia eu visitando o espaço – numa quarta-feira, horário do almoço. E devo dizer que levei alguns sustos! No primeiro andar, havia duas salas bem escuras com instalações de pouca luz, o que mexeu com minha percepção e me pregou peças! Não sei bem se isso faz parte do “objeto” em questão e se você vai sentir o mesmo que eu se visitar a exposição em uma tarde de sábado de sol.

Obras dos artistas Abraham Cruzvillegas, Cildo Meireles e Jorge Macchi na exposição Do objeto para o mundo Inhotim Itaú Cultural

Obras dos artistas Abraham Cruzvillegas, Cildo Meireles e Jorge Macchi

O que tirei disso tudo? Que a exposição veio para aproximar o objeto de arte do mundo de quem o observa, desafiando seu olhar e sua percepção, com tudo o que representa (do seu processo de construção ao contexto e influências de sua época).

Foto pés escada Itaú Cultural Inhotim

Foto que tirei na escada no Itaú Cultural. Meu lado artista sempre aflora depois de provocações assim.

Não deixe de visitar a exposição, que vai até 31 de maio.

Informações

 

Sobre Inhotim

Está nos meus planos ir para BH, as cidades históricas e Inhotim. Viagem, cultura, arte e comilanças!

O Instituto Inhotim ocupa uma área de 110 hectares em Brumadinho, uma cidade de 35 mil habitantes, no Vale do Paraopeba, a 63km de Belo Horizonte, MG. Começou com diversas obras de arte contemporânea da coleção particular do empresário mineiro Bernardo de Mello Paz, na década de 1980. Com o tempo, virou uma Oscip (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público) e hoje é considerada o maior centro de arte ao ar livre da América Latina.

https://www.inhotim.org.br/

Beijos inspirados, Carol

É possível ser feliz sozinho | Ponto de vista

Explorasp_É possível ser feliz sozinho (as vezes)

Um dos maiores medos das pessoas é a solidão. Sempre queremos estar perto de outras pessoas, estar acompanhado nos eventos. Porém, às vezes, estar sozinho é muito bom.

Conheço várias pessoas que não fazem nada se não tiverem companhia. Eu não tenho problemas em fazer alguns passeios sozinha como ir ao cinema, teatro, exposição e até uma viagem. Se não encontro um amigo disponível para me acompanhar eu não deixo de fazer o que quero, vou assim mesmo.

Em 2013 teve um show do Aerosmith (que eu amo!) e queria muito ir de pista Premium, mas não consegui alguém que topasse pagar o preço alto. Três amigos estavam na pista normal, porém eu não queria perder a oportunidade de ver o Steven Tyler e o Joe Perry de pertinho de novo, como no show de 2011. Fui sozinha, fiz amigos na fila e foi ótimo.

Com cinema acontece frequentemente, principalmente porque decido muitas vezes de última hora. Saio do trabalho, passo em algum cinema perto, escolho um filme que está para começar, pego uma pipoca e me divirto.

Aí você pensa: “São Paulo é uma cidade solitária mesmo” e isso até pode ser verdade, mas tudo tem um lado bom. Você pode ser a sua melhor companhia a maioria das vezes. E não tem a ver com cidade grande ou pequena. Fui ao cinema várias vezes sozinha quando morava em Londrina e não era por falta de companhia. No post sobre a Paulista falei sobre o Cine Com-Tour que era perto do meu trabalho e fazia a mesma coisa: saía e pegava um filminho all by myself.

Particularmente eu gosto de sair do cinema e ficar pensando na história, calada, observando ao redor a reação das pessoas. Aconteceu recentemente ao assistir “Ela”, no Cine SESC. É um filme que conta a história curiosa de um homem que se apaixona pelo sistema operacional do seu computador. Parece absurdo, mas o romance entre o homem e a máquina tem muito a ver com a vida contemporânea; o filme fala sobre amores idealizados, solidão, arrependimentos, corações partidos… No final do filme tinha tanta gente chorando que eu fiquei surpresa.

Saí de lá tarde, e olhando a Paulista vazia, somente os carros e as luzes, me fez refletir sobre muitas coisas, sobre o filme, a vida. Foi um momento só meu, sozinha observando as coisas. Era nesse ponto que eu queria chegar: estar sozinho não é assustador, pode ser um momento muito bom de reflexão, aprendizado, crescimento.

Vejo muitas pessoas procurando alguém para fazê-las felizes, mas não é função de outra pessoa te fazer feliz, é você que tem que encontrar a felicidade. Claro que ir para uma balada sozinho não é legal, tem momentos e momentos para ficar só. Talvez não seja tão divertido assistir “50 Tons de Cinza” sozinha, o legal é sair comentando “cazamigas” e tal, mas talvez seja bom ir sozinho para alguém, vai saber.

Puxando a sardinha para a minha cidade, o que gosto em São Paulo é poder ir sozinha ao cinema e tudo bem, as pessoas não vão julgar se você é solitário, não tem amigos ou se é apenas um cinéfilo, pelo menos EU nunca senti esse julgamento. Por isso me sinto tão bem nesta cidade, ela é dura, mas acolhe. E o meu objetivo com este texto é mostrar que somos os únicos responsáveis por nossa felicidade, desde sair pelo mundo “mochilando” a ir assistir aquele filme ucraniano em preto e branco de 2h30 que você quer muito ir.

A vida é muito curta para ficar pensando na crítica dos outros, se joga!

Fabi.