Poços de Caldas, uai!

Tenho sangue mineiro, mais precisamente de Poços de Caldas, no sul do estado. Meus pais passaram a Lua de Mel nessa cidade, tradicional destino romântico. Minha mãe tem grande afeto pela cidade e há tempos dizia que queria voltar lá. Enfim, ela foi. Fui junto!

A cidade de Poços de Caldas fica localizada a 260 km de distância de São Paulo. Fomos de ônibus rodoviário, numa viagem que levou 4h30 – pingando em todas as cidades do caminho. Viagem longa mas com uma paisagem gostosa de se apreciar. E muito céu pra ficar olhando. Bom para desacelerar depois de uma semana corrida de trabalho.

Poços de Caldas é conhecida por suas águas com poder de cura. Essa água provém de fontes sulforosas (com enxofre) já que a cidade está no interior de uma cratera vulcânica com mais de 85 milhões de anos. Era propriedade particular, pertencente à Família Junqueira, e pelas características únicas da região, foi desapropriada e declarada utilidade pública, tornando-se cidade. Isso em 1872.

Ainda no século XIX, as águas eram usadas para tratamentos de doenças cutâneas em casas de banho. A cidade era destino importante e muito bem frequentada. O Palace Hotel, o mais emblemático de Poços de Caldas, até hoje, tinha um casino e já recebeu até o Presidente Getúlio Vargas. No entanto, em 1946, o jogo foi proibido e em torno dessa época foi inventado o antibiótico, que passou a curar as doenças tratadas nas termas. A cidade teve de se reinventar e o turimos passou a ser sua principal atividade econômica.

Portal da cidade, interior da rodoviária, Igreja Nossa Senhora da Saúde, lojinha típica e pipoca da praça

Portal da cidade, interior da rodoviária, Igreja Nossa Senhora da Saúde, lojinha típica e pipoca da praça

Chegamos numa sexta-feira, para uma estadia de três dias. Ficamos hospedadas no Hotel Plaza, no Centro da cidade, próximo de tudo. Hotel antigo, simples, sem elevador mas nos atendeu bem na viagem.

E o que fizemos quando chegamos à cidade? Fomos comer!

Não deixe de ir no café Doce da Roça: é pequenino, bem decorado ao estilo caipira de ser, charmoso até e tem só delícia. A especialidade da casa são as compotas e doces em pedaços, cortados de peças gigantes que chegam a 200 quilos! Em 2010 ganharam o título de Melhor doce do Brasil. Lá, peça café, que é feito na sua mesa em pequenos coadores de tecido. Ah, e prove o bolo de cenoura com cobertura de chocolate. Água na boca…

Doce da Roça

Doce da Roça e seu típico café coado na mesa com bolo huuumm de cenoura

E depois de comer, o que fizemos? Fomos procurar mais guloseimas no Mercado Municipal. Cuidado para não se descontrolar e querer levar tudo para casa. Cada lojinha te faz provar divinos queijos e doces diversos. Saímos de lá com quatro peças de queijo: queijo fresco, queijo muzzarela recheado com requeijão, queijo padrão e queijo padrão curado no vinho tinto. Babe!

No próprio hotel, fechamos um passeio de meio dia, a fim de visitar os pontos turísticos mais distantes do centro. Pagamos R$ 40,00 por pessoa pelo transporte e guia turístico; em nenhum dos passeios se paga ingresso.

O que vimos e que deve ser visto por todo turista:

  • Fonte dos Amores

Uma área fechada onde você percorre uma pequena trilha de pedras, morro acima, para chegar à Fonte dos Amores. Esse fontanário foi criado em 1929, aproveitando os recursos naturais da região. Diz a lenda que um jovem casal se encontrava escondido nesse bosque para namorar, por isso, a crença de que quem bebe da água da fonte, viverá um grande amor.

As pessoas da cidade vão até a fonte para captar água e levar para casa. E os turistas se divertem com os macacos-pregos que vivem ali. Adoram uma bagunça e uma comilança. Pulam nos turistas que vacilam com qualquer coisa de comer nas mãos. Nós presenciamos uma cena muito engraçada: um macaquinho se aproveitando que o pessoal da lanchonete se abastecia de mantimentos para roubar bananas; pegou um cacho, quase maior que ele, e quando percebeu que todos olhavam, parou, pensou e correu com as bananas que conseguia carregar!

Fonte dos Amores

Fonte dos Amores e dois dos bagunceiros macacos-pregos

  •  Pedra Balão

Grandes rochas de origem vulcânica viraram atração turística. Elas estão localizadas dentro de uma propriedade particular mas o proprietário abre sua porteira para o turismo.

A área fica a 1.470 metros de altitude, em relação ao nível do mar, e a vista do alto das pedras é liiiinda!

Pedra Balão

Pedra Balão

  •  Cristo Redentor

A estátua do Cristo está no ponto mais alto da cidade, a 1.686 metros de altitude. Esse Cristo é o segundo maior do país, com 16 metros de altura e data de 1958. Lá de cima, tudo o que você avistar, ao longe, em qualquer direção, é Poços de Caldas.

Ao Cristo você chega de carro (como fizemos), por teleférico (R$ 20,00 com duração de 8 minutos cada trecho) ou por uma trilha morro acima. De lá você ainda pode saltar de paraglider quando o vento estiver favorável. Essa eu passo!

Cristo Redentor

Cristo Redentor

  •  Recanto Japonês

Réplica de um jardim japonês, foi construído e doado à Prefeitura por um empresário nipônico da região. Super bem cuidado, lindo e cheio de simbolismos japoneses. Passe pelos arcos da Fonte dos Três Desejos e beba de sua água (que é potável) para ter amor, saúde e inteligência. Passe pelo Azumaya Manj-Tei, um caramanchão de madeira e palha, que inspirou os turistas que estavam conosco no passeio, a pararem um minuto para meditarem. O recanto ainda tem lindas árvores ornamentais, quedas d’água, tanque com carpas, uma linda Casa de Chá (que infelizmente você observa só por fora) e muitos macaquinhos! Ah, se você gosta da cultura japonesa ou de fotos, vista um traje tradicional e faça cara de gueixa!

Recanto Japonês

Recanto Japonês – Fonte dos Três Desejos, Azumaya Manj-Tei, Casa de Chá e lago de carpas

  •  Véu das Noivas

A mais famosa queda d’água da cidade. É bonita, mas você apenas tira fotos pois não pode se banhar nas águas. No mesmo espaço você ainda encontra uma feirinha de artesanato, guloseimas de milho e um trenzinho que te leva para um passeio no parque.

Véu das Noivas

Véu das Noivas

  •  Cristais Cá d’Oro

Parada obrigatória na cidade, a Cá d’Oro é uma fábrica artesanal de peças em vidro artístico, que segue as mesmas técnicas usadas na ilha de Murano em Veneza, na Itália. O fundador é Mario Seguso, nascido na ilha de Murano, em 1929, descendente de mestres vidreiros. Atualmente, a Cristais Cá d’Oro está na terceira geração da família Seguso em terras brasileiras.

A loja é linda e apresenta centenas de peças, cheias de formas e cores. E você ainda pode ver, através de uma vitrine, um artesão moldando cavalinhos.

As peças de murano são bem caras mas há várias opções com pequenos defeitos a preços amigos.

Cristais Cá d'Oro

Cristais Cá d’Oro

Entre um passeio e outro, o tour passa por uma loja de doces e queijos mineiros, e pela loja de uma fábrica de sabonetes artesanais, feitos com a água da região, que contém propriedades que fazem bem à saúde e proporcionam bem estar.

Isso tudo fizemos das 9h30 às 13h00, de acordo com nosso plano de encontrar com minha “amígdala” Tati e seu namorado Fabio, que moram em Vargem Grande do Sul, a cerca de 50 km de distância de Poços.

Fomos almoçar no restaurante preferido deles e queridinho da cidade: a Cantina do Araújo. Já na entrada, você se surpreende com a quantidade de retratos de famosos que passaram por ali – os mais recentes, atores globais da novela Alto Astral, que foi gravada na cidade. E quem estava sentadinho, dando as boas-vindas aos famintos visitantes? O próprio Sr Araújo!

A comida de lá é deliciosa e farta. Um prato, que dizem ser feito para uma pessoa, alimenta muito bem a duas pessoas. Tati e Fabio foram de porpettone com tallarine. Mamis e eu fomos de frango desossado e purê de batatas. Mas antes, peça a entradinha. O melhor pão de queijo ever! A Fabi, nossa provadora oficial de pão de queijo, provou e aprovou!

Cantina do Araújo

Cantina do Araújo, o delioooooso pão de queijo e o Fabio tietando o Sr Araújo

Depois do almoço, andamos. A cidade tem um impressionante centro comercial. Muitas lojas. Populares e de grandes marcas que temos em Sampa também. A mais fofa é uma chamada Madame Surtô, com roupas criativas e exclusivas, e eobjetos decorativos e de uso pessoal muito fofos.

Madame Surtô

Madame Surtô, loja fofa

À tarde, visitamos as Thermas Antônio Carlos, o primeiro estabelecimento termal do Brasil. É um prédio lindo, recém reformado e reaberto ao público. Além dos banhos de imersão que oferecem até hoje, atendem pacientes do SUS em uma clínica de mecanoterapia, com diversos aparelhos fisioterápicos, que datam de 1929. À primeira vista, parecem aparelhos de tortura mas quando você olha de perto, percebe que são muito parecidos com os atuais aparelhos de ginástica.

Pra quem acompanha novela, as Thermas serviram de cenário para a novela Alto Astral. A trama girava em torno de um hospital da cidade fictícia e Nova Alvorada. Na verdade, a fachada do hospital pertence ao Palace Hotel; e a parte interna, pertence às Thermas – e seus trocentos corredores.

Thermas Antônio Carlos

Thermas Antônio Carlos

Mas logo, de tanto andar, chegou a hora do jantar! Ouvimos um comentário, na rua, de que um restaurante chamado Pizza Na Roça tem uma maravilhosa pizza. E para lá fomos. O lugar a algumas quadras do centro nervoso mas é perto. Delícia poder fazer tudo a pé!

O restaurante é super fofo e tem mesas na área fechada e num espaço que eles chamam de deck, onde tem grandes janelas de vidro. Eles servem comida mineira, comida japonesa e massas em geral, mas fomos de pizza mesmo.

Pizza na Roça

Pizza na Roça

Tati e Fabio tinham de voltar para casa e como ainda estava cedo, passei com minha mãe no Parque José Affonso Junqueira pois ouvimos falar de um evento que ali aconteceria. Havia um grande palco montado e milhares de cadeiras posicionadas em frente a ele. Aconteceria ali a Sinfonia das Águas, um musical que mescla música clássica (com uma orquestrada formada por mais de 170 músicos), tangos, trilhas de filmes, clássicos folclóricos e MPB, além de atores, dançarinos, show de luzes e fogos e artifício. Muito bem feito e muito bem apresentado pelo Maestro que era um figurão. Fazia um super frio mas foi tão divertido que nem vimos a hora passar. Parece que esse evento acontece quatro vezes ao ano.

Sinfonia das Águas

Sinfonia das Águas (para nós, um evento surpresa!)

A viagem foi curta mas o suficiente para que minha mãe se divertisse e resgatasse um pouco de sua história e revivesse algumas de suas lembranças. É uma cidade que oferece qualidade de vida a seus moradores, grande parte já idosos. Aliás, grande parte dos turistas também é bem idosa. Você encontra diversos grupos da melhor idade passeando por lá. Me senti tão jovem! É o tipo de cidade onde talvez eu queira morar quando estiver na hora de aposentar o mochilão. Bonita, divertida e com muitos lugares para se explorar!

Mamis curtiu. Eu curti. Tati e Fabio curtiram. Passa lá você também!

  • Como chegar de carro:

Partindo de São Paulo: pela rodovia SP-342 (260 km)
Partindo de Belo Horizonte: pela rodovia BR-267 (465 km)

  • Como chegar de ônibus:

Viação Cometa (http://www.viacaocometa.com.br/)
Viação Santa Cruz (http://www.viacaosantacruz.com.br)/

 

 

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Explorando a Patagônia Argentina | Parte III – El Chaltén

:: E assim continuamos…

El Calafate – El Chaltén | Dia #9

O dia começou aos tropeços: perdemos a hora e, por pouco, não perdemos o ônibus pra El Chaltén! São somente dois horários por dia e bem disputados…

Ah, nós compramos o ônibus diretamente no hostel também (da Caltur). E uma van nos apanhou lá, ou seja, sem sofrimento em carregar o mochilão nas costas até a rodoviária. Uma alegria só!

A viagem até El Chaltén foi tranquila, durando 2h30. Não há lugar demarcado, mas conseguimos sentar no segundo andar; seria perfeito se fosse na primeira poltrona pois o busão tinha vista panorâmica.

Na entrada da cidade, há um posto do Parque Nacional. Todos devem descer e ouvir as regras de conduta na cidade,que é conhecida como a capital mundial do trekking.

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É muito interessante a forma como eles tratam o lixo – em El Calafate e El Chaltén, pelo menos. Em todos os passeios aos parques, os guias orientam a guardar tudo o que você levar e descartar somente na cidade, quando voltar. Dessa forma, os parques continuam a não gerar lixo, mesmo com os visitantes.

Descemos na rodoviária e rumamos para o hostel, que ficava (graças aos deuses andinos) a três quadras. Ficamos na Hospedaje La Cima. Havíamos reservado pelo Booking e na época que buscamos, foi o melhor custo-benefício. As pousadas na cidade são carinhas. O La Cima é bem simples mas nosso quarto era muito agradável, com paredes de madeira e carpete no piso. O café da manhã era levado na mesa da cafeteria e o casal que administra (ou é dono, não sabemos) foi muito atencioso.

Nossa permanência na cidade seria curta e como chegamos cedo, resolvemos aproveitar a tarde e nos arricarmos na trilha até o Fitz Roy, que é a montanha mais amada por lá. Não é das maiores mas dizem que só os melhores alpinistas conseguem encará-la.

Confesso que só a trilha para os menos aventureiros foi de lascar. São 10 km só de ida até o alto da montanha. Os primeiros 4 km foram bem difíceis para nós, especialmente porque naquele dia, havia um sol para cada turista. E dizem que em El Chaltén só há 5 dias de sol e calor no ano. Pois bem, tivemos sorte; ou azar, não sabemos bem…

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Mas não desista da trilha pelos meus comentários. Siga adiante como fizemos. Os 5 km seguintes são mais tranquilos. Passamos por todos os tipos de terrenos, pisando em terra, areia, pedra, raízes e atravessando rios. A água em El Chaltén é potável, até mesmo na torneira. Enchemos as garrafinhas com a água dos rios e isso era refrescante, sem falar que até inesperado para nós, paulistanas que somos.

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Se você fez a conta, percebeu que ainda falta 1 km. Pois é, esse último trecho foi terrível, desgastante e desesperador. Olhávamos para cima e não víamos o fim da trilha. Era pedra sobre pedra, meus joelhos (que não são nada bons) sofreram bastante e o calor não ajudava. Nem uma nuvem no céu pra fazer sombra. E não sei o que era pior: as pessoas que desciam e viam nas nossas caras o desespero mas diziam “vocês estão quase lá!” ou as pessoas muito bem dispostas fisicamente que só faltavam nos atropelar, de tão rápidas e ágeis! Sério, nem subindo o Huanya Picchu no Peru eu sofri dessa forma!

Enfim, chegamos ao final dos 10 km! A vista era maravilhosa. Picos congelados, montanhas desenhadas no horizonte e uma lagoa azul que, no dia seguinte, descobrimos ser a Laguna de Los Tres. Sem querer, chegamos onde nem imaginávamos… a gente falava “não precisamos ir até a Laguna, vamos morrer antes de chegar lá…”. Pois bem, sobrevivemos pra contar!

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Bem na hora que chegamos ao topo, o tempo começou a mudar… um vento fortíssimo que mal nos deixava ficar em pé sobre aquele monte de pedras escorregadias. E quem apareceu? As nuvens! Muitas nuvens. Nessa hora, resolvemos voltar. Faltavam 4 horas para escurecer e ficamos apreensivas.

A descida também não foi nada fácil. E na volta optamos por um outro caminho, que passaria pela Laguna Capri. O último km fizemos já no escuro, com o auxílio de uma lanterna que levei. Foram 4h40 na ida e 4h40 na volta. O cansaço realmente nos dominou.

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El Chaltén | Dia #10

Nessa manhã, tomamos mais um ônibus e mais um barco. Nosso destino era o último glaciar que faltava: o Glaciar Viedma, que é o maior da Argentina, com uma superfície de 978 Km quadrados.

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A parte que podemos ver, acima do nível do lago, tem cerca de 40 metros. E foi sobre esse paredão que andamos! A equipe da agência Patagonia Aventura era ótima. Nosso grupo tinha 20 pessoas e havia 6 profissionais para orientar e nos ajudar a atravessar as gretas. Foi um passeio de cerca de 1 hora, para o qual tivemos de usar os grampones nos sapatos para dar mais segurança ao andar. Brindamos a aventura com licor de café que ficou gelando ali mesmo.

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A sensação de estar em um lugar que poucas pessoas pisam é indescritível. Olhar para aquela imensidão de gelo fez eu me sentir tão pequenina! Lembrei de um cartão que tenho no meu mural em casa: pessoas minúsculas que mais parecem pontinhos pretos caminhando na neve intocada e a palavra “humildade”. Realmente, quem somos nós nesse mundão que desconhecemos?

Foi uma experiência incrível estar sobre essa geleira. E poder ter visto todos os glaciares, cada um sob uma perspectiva. Depois disso, no entanto, começamos a entristecer, pois a viagem chegava ao fim. Seria dormir e ir pra casa no dia seguinte.

Para encerrar nossa aventura patagônica, jantamos num restaurante chamado Ritual del Fuego, com decoração rústica e uma super trilha sonora, com músicas tribais e até brasileiras. A comida estava deliciosa e saímos de lá com um pendrive cheio de músicas que o dono do restaurante nos cedeu!

Balanço da aventura

Unhas quebradas, cabelo ressecado, pé machucado mas também muitas histórias, novos amigos, lindas lembranças, muitas fotos, muitos mapas e ímãs de geladeira, motivação para aprender melhor o espanhol, mais vontade ainda de viajar e a certeza de que é nos pequenos detalhes que a felicidade está!

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#explorasp, #explorabrasil, #exploraamerica, #exploramundo, #exploravida

Alguns valores (fevereiro/2015, em Peso Argentino e por pessoa – exceto os táxis)

  • Taxi do Aeroporto de Ushuaia ao centro da cidade: AR 162 ida e volta
  • Passeio Canal Beagle (Piratour): AR 600 + taxa do porto AR 15
  • Parque Nacional Terra do Fogo: di grátis + ônibus ida e volta AR 200 + ingresso AR 100
  • Museu do Fim do Mundo: AR 150
  • Passeio 4×4 até os Lagos (Piratour): AR 1.100 com almoço
  • Passeio Pinguinera (Piratour): AR 1.240
  • Passeio Glaciar Martial: di grátis + táxi ida e volta AR 168
  • Passeio Laguna Esmeralda: di grátis + ônibus ida e volta AR 200 + casa de apoio AR 35
  • Shuttle Aeroporto de Calafate até hostel: AR 100 (só ida)
  • Tour alternativo Perito Moreno: AR 640 + ingresso Parque Nacional Los Glaciares AR 150
  • Laguna Nimez: ingresso AR 70
  • Estância Cristina – Tour Discovery: AR 1.360 sem almoço
  • Ônibus de El Calafate a El Chaltén: AR 550 ida e volta
  • Trilha Fitz Roy: di grátis + aluguel dos bastões AR 15 a unidade
  • Ice trekking Viedma: AR 1.330
  • Pinta Beagle no Dublin Irish Pub: AR 40

Contatos

:: Perdeu as histórias anteriores? Clique aqui para explorar Ushuaia; e aqui, para explorar El Calafate.

:: Compartilhe com a gente a sua experiência! Comente, pergunte, explore!

Espero que tenham gostado! Besos, Carol 😉

Explorando a Patagônia Argentina | Parte II – El Calafate

:: Continuando a aventura, seguimos de Ushuaia para El Calafate…

Ushuaia – El Calafate | Dia #6

Nosso voo seria somente à tarde mas tivemos de entregar nossa casinha na hora do almoço. Ficamos fazendo hora no Marcopolo, onde tem calefação, comida boa e internet grátis! Quando deu o horário, seguimos para o aeroporto – onde também tem internet grátis! – para voarmos até El Calafate, a 563 km de distância.

Chegando ao aeroporto do nosso destino, tomamos um shuttle até o hostel. Como estávamos mais afastadas do centro, fomos umas das primeiras a descer. Havíamos reservado, pelo Decolar.com, o Hostel del Glaciar Pioneros, a cerca de 1 km do centro nervoso da cidade. O hostel é giga e bem estruturado. A área comum até intimida, de tanta gente ali, disputando a internet, que é livre nesse espaço. O quarto é bom, a cama confortável e o chuveiro quente, bem quente. Fomos super bem atendidas pela Noemia, que nos deu dicas de passeios até de El Chaltén.

Acabamos comprando com o hostel, que também é agência de turismo, todos os passeios. Nosso tempo seria curto e resolvemos otimizar.

Na saída para reconhecimento da cidade, pegamos o pôr-do-sol no mirador da cidade e nos encantamos com El Calafate. Muitas lojas e restaurantes charmosos (inclusive o La Anonima!), casinhas de madeira coloridas e lindas árvores iluminadas. Descolamos uma lanchonete chamada Sandwicheria Pioneros, que serve ótimas empanadas e enormes sanduíches; depois de dias sem ver um verdinho no meu prato, pude até comer uma salada de alface e cenoura! E para não perder o costume, fomos tomar a cerveja local no Librobar, um fofíssimo bar com estantes de livros e dezenas de placas,lousas e quadros com frases e citações.

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Devo contar que El Calafate é uma cidade bem pequena que tem, como principal atração, o Parque Nacional Los Glaciares, considerado Patrimônio Mundial da Humanidade pela UNESCO, com seus 724 mil hectares. No Parque estão os três grandes glaciares da Argentina, e a maioria termina no Lago Argentino. Nós tivemos a felicidade de conhecer todos. Por El Calafate, acessamos o Perito Moreno e o Upsala. O Glaciar Viedma, conhecemos por El Chaltén, a cidade seguinte.

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El Calafate | Dia #7

O primeiro passeio na cidade foi um tour alternativo até o Parque Nacional Los Glaciares para vermos o monstro gelado Perito Moreno. Nos venderam que a agência Patagonia Backpackers oferece, exclusivamente, esse passeio alternativo desde 1987. Compramos a ideia!

O ônibus nos buscou no hostel e seguimos por uma estrada não usual, que passa entre enormes estâncias. Fizemos uma parada num restaurante onde vimos divertidas ovelhas em cima do teto de um carro e um guanaco (um camelídeo, parente da lhama) muito simpático, que entrava no restaurante para pedir comida. Tanto encheu que ganhou uma mamadeira de leite! Eu dei de mamar a um guanaco! Fofiiiiinho demais!

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O outro diferencial do tour alternativo é a trilha de 1 hora dentro do Parque Nacional, seguindo pelo Brazo Rico, uma parte do Lago Argentino. É um passeio restrito para que o parque não sofra degradações por parte dos homens. Foi uma delícia passear ao lado do lago e ver, mais longe, a parede sul do Perito Moreno.

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Depois da caminhada, voltamos ao ônibus, descendo na parte principal do Parque, onde estão as longas passarelas que margeiam o grande glaciar Perito Moreno. São quatro opções de passarelas e você pode percorrer todas. Andamos por três delas e cada um dá uma perspectiva diferente. Ficamos embasbacadas com a extensão daquele bloco de gelo (são cinco quilômetros de largura e 60 metros de altura acima da linha d’água) e na expectativa, como todos, de ver pedaços se soltando. Assim que chegamos, aconteceu um grande desprendimento de gelo mas só conseguimos ouvir. O barulho é estrondoso! Muitos outros pedaços de gelo caíram enquanto estivemos ali, mas nenhum tão grande; mesmo assim, o barulho é alto e forte, parecendo fogos de artifícios.

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Esse passeio é bem disputado pelos turistas. Assusta na chegada o número de ônibus que param ali e despejam gente. Mas foi tranquilo, até porque levamos nossos lanches, o que nos fez economizar tempo e dinheiro.

Esse tour alternativo durou o dia todo. Estávamos super cansadas mas recarregamos as energias com um potão de sorvete do Tito (ma-ra-vi-lho-so), que fica na rua principal, e encaramos a Laguna Nimez. A Laguna fica bem próxima do centrinho da cidade, cerca de 1 km, e há placas indicando o caminho. É um parque municipal, muito importante para conservação de aves e plantas nativas. O dia estava lindo e a gradação de cores inundava meus olhos!

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Dizem que na agência de Correios de El Calafate você também consegue um carimbo legal no passaporte, mas pelos nossos horários, não conseguimos pegar a agência aberta #chateada. Daí perguntamos na Laguna Nimez se eles tinham um carimbo. O menino achou graça e disse que não vale, pois é um parque municipal, mas nos carimbou os passaportes, se divertindo com as turistas!

El Calafate | Dia #8

Todos os relatos que li sobre os passeios em El Calafate incluíam o mini-trekking no Glaciar Perito Moreno, mas nos convenceram a fazer o ice trekking no Glaciar Viedma, em El Chaltén, e aproveitar o último dia em um passeio que nos levaria ao Glaciar Upsala. Valeu a pena!

Uma van nos apanhou no hostel e seguimos até o porto Punta Bandera, onde entramos em um barco que navegou pelo Brazo Norte do Lago Argentino. Demais! Vimos enormes icebergs, que eles chamam de tempanos. Alguns super azuis, cheios de pontas. Desembarcamos na Estância Cristina, fundada por um inglês que se apaixonou pela região patagônica, e que hoje é administrada como parque nacional. Há uma pousada mas a maioria dos turistas fazem os passeios de um dia, como nós. O lugar é espetacular e só se chega de barco. A natureza é super protegida e apreciada.

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Quando se fecha o passeio até a Estância, pode-se escolher um entre três pacotes – um trekking de 14km (não, obrigada), uma pequena trilha até uma cachoeira e o 4×4, nossa opção.

Na Estância, nos levaram a um museu, onde contaram a história da família que ali morou, e nos mostraram parte do terreno, falando sobre a vegetação e o turismo na região. Tivemos um tempo para almoçar antes do 4×4 e nos levaram a um charmoso restaurante. A atendente do hostel, onde compramos o passeio, não nos deixou comprar o almoço da Estância – disse que era muito caro e poderíamos levar nosso lanche. Seguimos a ordem dela e foi ótimo mesmo. A comida parecia boa mas vimos muita gente deixando no prato… Pudemos comer no mesmo restaurante de quem pagou pelo almoço. E fomos seduzidas por uma torta de maçã que estava sobre o balcão – deliciosa.

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O passeio 4×4 seguiu em duas caminhonetas com umas 14 pessoas cada. Divertido e dolorido! A vista durante o caminho era linda e só ficou melhor quando descemos para um trecho a pé com cerca de 20 minutos. Daí, você acha que ainda vai caminhar mais e chega na ponta da montanha e vê a Cordilheira dos Andes ao fundo, o Glaciar Upsala abaixo e outros glaciares do que eles chamam de Gelo Patagônico.

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E começou aquele frisson, todo mundo querendo tirar fotos de todos os ângulos e selfies. O guia parou para falar sobre o Glaciar e fez um pedido: que ficássemos um minuto em silêncio para sentir de verdade tudo aquilo. Era tudo o que eu queria e vivi cada segundo daquele silêncio humano, me deixando ouvir só o vento. Fiquei emocionada mas não, não chorei. E sim, eu me emociono com o silêncio!!

:: Você já esteve em El Calafate? Conte pra gente como foi sua experiência. Quer mais dicas? Só perguntar!

:: Perdeu as histórias de Ushuaia? Clique aqui para ler o post anterior.

:: Na próxima semana, mais da saga pela Patagonia Argentina. Dessa vez, por El Chaltén. Não perca!

Besos, Carol 🙂

Explorando a Patagônia Argentina | Parte I – Ushuaia

Era final de 2014 e eu pensava em viajar somente no segundo semestre desse ano, mas bateu um comichão nas solas dos pés, um borbulhar no estômago e uma ansiedade em fazer alguma coisa diferente do dia a dia… Sintomas claros de que precisava viajar logo!

Então o próximo destino foi decidido: Patagonia – lado argentino, pois cá entre nós, o peso de lá está mais vantajoso que o chileno!

O planejamento começou com Ushuaia, a cidade mais austral do mundo. Mas daí veio aquele pensamento “ah, a gente vai estar lá mesmo…” e emendamos mais duas cidades: El Calafate e El Chaltén.

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Dessa vez, Fabi-amiga-companheira-de-ExploraSP não pôde ir. Nossa amiga Anna que me acompanhou nessa aventura.

Partimos de São Paulo na noite de 18/03 rumo a Buenos Aires, onde esperamos por meras 6 horas, madrugada adentro, para o voo que nos levaria até Ushuaia. Na Argentina, ficamos 11 dias e vou contar um pouquinho do que vivemos por lá – em partes, para não cansar vossas vistas.

 

Pre-para!

Vale falar de alguns pontos da época de planejamento dessa viagem:

  • Passaporte: Não é preciso ter passaporte para visitar a Argentina; apenas RG vale, contanto que tenha sido emitido há, no máximo, 10 anos. Mas se você puder, leve o passaporte, pois você pode voltar para casa com carimbos de lugares que visitar por lá. Renovei o meu só para isso! Duas páginas a menos, mas um sorriso de orelha a orelha!
  • Percalços com a Aerolineas Argentinas: A aventura começou antes mesmo de começar. Compramos as passagens aéreas em novembro do ano passado, pelo site da companhia aérea, e até o fim da viagem, recebemos sete e-mails sobre alteração nos voos. Após o quarto e-mail, entramos em contato mas o telefone 0800 é lenda, então, resolvemos ir até o escritório deles. Fomos muito bem atendidas lá; para nos ajudar, a moça alterou os voos porque perderíamos um dia de viagem e ainda corríamos o risco de perder a conexão da volta. Um pouco menos inseguras, decidimos deixar rolar.
  • O desafio da mala: Queria entender como os europeus conseguem viajar por mais de um mês com uma mochila de 50 litros nas costas. Ok, até desconfio como, mas meeeu… Fazer caber roupas de frio para 11 dias em uma mochila de 70 litros não foi tarefa fácil, mas não deixe de levar: sapato impermeável tipo trekking, as três camadas de roupa – calça e camiseta térmicas, blusa de fleece e jaqueta corta-vento – e acessórios como gorro, luva e cachecol. Dicas para ser feliz: desencana de combinar roupa, aceita que você vai aparecer com a mesma jaqueta em todas as fotos e explora essa liberdade, porque o conforto deve vir em primeiro lugar!

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  • Câmbio: A Argentina está passando por uma grave crise econômica e sua moeda está super desvalorizada. Os argentinos não podem comprar moeda estrangeira e por isso, um mercado paralelo se formou para a compra de Dólar, Euro e até Real. A dica que recebemos foi trocar dinheiro lá mesmo, mas não nas casas de câmbio. Ou procurar pessoas confiáveis indicadas por amigos ou trocar em lojas que aceitem isso. Nesse câmbio informal, chamado de câmbio blue, chegamos a trocar USD 1 = AR 12 e R$ 1 = AR 4.

Ushuaia | Dia #1

A cidade conhecida como “a mais austral do mundo” (apesar de não ser) é a capital da Província Terra do Fogo, ao sul da Argentina. Ushuaia nasceu para povoar essa região inóspita e cresceu em torno da instalação de um presídio. Hoje, tem cerca de 75 mil habitantes, e vive basicamente de atividades industriais da Zona Franca e do turismo – disponível o ano todo.

De São Paulo a Ushuaia, em linha reta, são 3.914 km. E só mais 1.000 km até a Antártica. Descer no aeroporto da cidade sabendo disso foi sensacional! Uma pena não dispor de 12 dias a mais e USD 10 mil para esticar a viagem – afinal, a gente já estava lá mesmo…

Chegamos com empolgação total: a vista da janelinha do avião já era maravilhosa e o aeroporto era super charmoso (de pedra, vidro e vigas de madeira) e a vista da cidade com os picos nevados ao fundo nos tirou o ar. Paixão.

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Tomamos o táxi e seguimos para a cidade. Eu costumo ficar em hostels, mas confesso que quarto compartilhado não rola, e banheiro compartilhado menos ainda – me chamem de fresca, mas peeeelamordedeus (talvez na Europa…)! Em Ushuaia, fechamos um mini apê (2 camas, cozinha básica e banheiro) pelo Air B&B – primeira vez que usei e foi perfeito. O dono foi super atencioso, do fechamento até a saída.

Largamos as mochilas e saímos para fazer o reconhecimento da cidade. Estávamos duas quadras acima da San Martín, a rua principal, e perto de um mercado La Anonima (que todos os blogs indicam; mas também, foi o único que vi na cidade!).

Passamos na Piratour, a única agência que leva os turistas até a ilha onde estão os pinguins durante o verão – as demais agências se aproximam de barco, mas ninguém desembarca. Queríamos muuuuito ver os pinguinos e para garantir o passeio, essa foi nossa primeira parada – e só conseguimos reserva para 3 dias depois. Portanto, reserve logo o seu. Acabamos fechando com eles mais dois passeios na cidade: o passeio de barco pelo Canal Beagle e um passeio 4×4 até os Lagos Escondido e Fagnano.

Nesse mesmo dia, fizemos o passeio de barco pelo Canal Beagle. Você pode escolher entre o catamarã (embarcação grande, para 200 pessoas) ou o iate (para 20 pessoas). Optamos pelo iate e foi ótimo, porque ele chega bem pertinho das ilhas e permite que você interaja mais com os guias. O passeio durou 4 horas e passamos ao redor da Isla de los Pájaros (onde vimos diversas espécies de pássaros), pela Isla de los Lobos (onde vimos liiiindos lobos marinhos), pelo Faro Les Eclaireurs (conhecido como Farol do Fim do Mundo, apesar de não ser) e ainda descemos na Isla Bridges, podendo conhecer melhor a flora local. Um passeio delicioso, com direito a café com biscoitos durante a viagem, e um brinde com licor de café ao final. Como estava o tempo? Frio. Muito frio, vento e momentos de chuva. Usei todo o meu kit Ushuaia: jaqueta corta-vento, luva, cachecol e gorro!

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5_explorasp_dublin irish pubPor cansaço ou falta de coragem, almoçamos e jantamos no mesmo lugar: o Marcopolo, uma lanchonete-cafeteria-restaurante fofo na San Martín, com boa comida e preço acessível. Por AR 100 cada (cerca de R$ 25,00), almoçamos lomo com purê de calabaza (abóbora), uma garrafinha de água saborizada e sobremesa.

Pra fechar o dia, tiramos a clássica foto na placa do fim do mundo e fomos ao Dublin Irish Pub (pertinho de casa, iupi!) para provar a Beagle, a cerveja local. Curiosidade: os bares servem cestos de pipoca junto a cerveja! Tanto gostamos (do pub, da cerveja e da pipoca), que batemos cartão lá todas as noites em que estivemos na cidade…

 

Ushuaia | Dia #2

Estava em nossos planos, ir ao Parque Nacional e à Laguna Esmeralda. Quando fomos à Piratour saber sobre esses passeios, a própria atendente nos indicou que fizéssemos por conta. Achamos essa atitude muito simpática, porque ela poderia oferecer esses passeios pela agência. Enfim, seguimos a dica dela e tomamos o ônibus de linha que leva a turistada até o Parque Nacional Terra do Fogo, a uns 30 minutos de estrada.

Há, ainda, a opção do Trem do Fim do Mundo, mas desistimos da ideia. Ouvimos diversos relatos de que o passeio é chatinho e pelo preço que se paga (AR 420, cerca de R$ 105,00) não vale, até porque os horários são ruins e você precisa de mais um dia para fazer as trilhas do Parque Nacional. Desapegamos!

A passagem até o Parque Nacional custou AR 200 ida e volta, por pessoa. Os horários de saída são de hora em hora, entre 9h e 16h, todos os dias da semana; e o retorno acontece às 13h, 15h, 17h e 19h. Você decide em que ponto quer descer no parque e em que ponto quer tomá-lo para voltar.

6_exploraspparque nacional ushuaiaNós fomos até a parada principal, junto à agência mais austral dos Correios. Sim, no fim do mundo, em um parque nacional onde nem formiga existe, há uma agência postal. Argentinos são bons de marketing. E gostam de selos. Você os encontra em todo lugar.

Enfim, não deixe de entrar na agência e carimbar o seu passaporte. Ops, não estava pre-parado? Entre mesmo assim, compre um postal lindo e o carimbe. Você paga por isso, meu amigo, mas apenas AR 20. Vale o sorriso. Sem falar da simpatia do senhor carimbador que, cansado de parar seu trabalho para tirar fotos, providenciou um selo com a carinha dele! Adooooro!

 

O Parque Nacional tem 63 mil hectares e é muito bonito. Optamos pela trilha de 8 km, que fizemos em 4h20. É tranquila, com alguns momentos de sobes e desces. Lá, você passa frio quando margeia o lago e passa calor quando está cercado de árvores gigantes.

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Super valeu o passeio, mas não tivemos forças para seguir pelas outras trilhas. Paramos na cafeteria onde o ônibus faz ponto, tomamos um lanche e visitamos o museu que existe ali até o ônibus chegar.

Ushuaia | Dia #3

Uma Hilux nos apanhou em casa para o passeio 4×4 que faríamos a seguir. No carro, fomos em seis pessoas. Coincidência ou não, seis mulheres brasileiras. O motorista-guia – que pagou de comentarista político, DJ, rebocador de carro alheio atolado e churrasqueiro – nos levou para conhecer o Centro Invernal Tierra Mayor, onde criam e treinam cães da raça huskie para atividades de inverno (como puxar trenós). Depois, seguimos para um mirador, de onde víamos os lagos Escondido e o Fagnano. Paramos para tirar fotos e ele nos serviu um lanche com café, medialunas e alfajores. Para ajudar na digestão, sacolejamos dentro do carro na trilha off road cheia de lama até nos aproximarmos dos lagos. Li relatos de gente que não viu graça no passeio mas a gente adorou! Depois de muitas fotos, seguimos para um chalé ali perto e provamos da tradicional parrilla argentina, ou seja, o churras de los hermanos. Com direito a vinho e tábua de frios. Delícia!

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Estava um dia lindo, de céu aberto e calor. Nada como usar da estratégia da cebola e poder tirar as camadas de roupa. Esse passeio tomou o dia todo. Só sobrou tempo para bater cartão no pub…

Ushuaia | Dia #4

Enfim, o aguardado passeio à Pinguinera. Eu só pensava em ver aqueles bichinhos fofos!

Encontramos o grupo no porto, bem cedinho, e seguimos em uma van até a Estância Harberton, que dá acesso de barco até a Isla Martillo, onde estão os fofuchos. Você tem de respeitar as regras impostas pelo guia; caso contrário, ele te manda de volta pro barco!

São três espécies de pinguins (King, Pspua e Magallánico) que visitam a ilha, entre setembro e abril, para cavar seus ninhos, se reproduzir e cuidar dos filhotes até terem idade suficiente para encarar a vida no mar.

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Nessa época em que fomos (fevereiro), os filhotes já estão com cerca de 3 meses mas ainda parecem bolas fofas, só que grandes bolas fofas. E você chega pertinho deles. E os mais curiosos se aproximam também. Se chorei? Claro que sim!

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Voltando à Estância, visitamos um museu que reúne ossos de diversas espécies que habitam a região. De pequenos roedores a grandes baleias. Bem interessante!

Como o passeio à Pinguinera tem duração de meio dia e só escurece por volta das 21h30 no fim do mundo, pudemos almoçar na cidade e ainda ir conhecer o Glaciar Martial, uma geleira bem próxima do centro – cerca de 7 km. Anna e eu tínhamos pensado em ir a pé, mas conhecemos o Cadu, brasileiro como nosotros, que disse “nãaaaao, vamos de táxi!” e ainda bem que fomos de táxi! É longe e ladeira acima. E você tem de considerar que ainda vai subir até o topo do Glaciar. Levamos 1h40 e foi uma alegria só quando vimos o gelo! Brincamos feito crianças que não têm neve no quintal de casa!

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Ushuaia | Dia #5

O passeio do dia foi até a Laguna Esmeralda. Fizemos por conta, de forma bem tranquila. Tomamos o ônibus de linha, que pode te deixar em dois pontos: um onde você não paga nada mas não tem suporte nenhum, ou em outro, onde você paga AR 35 mas tem uma casa de chá como apoio, com banheiros e uma pessoa que registra sua entrada, e caso você não volte até as 19h00, vai te buscar! Ficamos com a segunda opção!

Fique atento ao horário do ônibus. O único horário que confirmam para sair é às 9h00; não entendemos sobre as demais saídas. O retorno você combina com o motorista. Ficamos com medo do cara esquecer a gente lá, mas o mesmo rapaz que nos levou, nos buscou no horário marcado. São bem pontuais.

Nesse dia, como estava chuvoso, só Anna e eu estávamos na trilha nessa hora. Com a chuva, muita lama. Com a lama, muitos escorregões. Por sorte, nenhuma queda. E foi muito divertido, nos sentimos mega aventureiras e até cantarolamos a música-tema do Indiana Jones… Cerca de duas horas depois, chegamos à tal Laguna Esmeralda. É linda! Fiquei sentada em uma pedra, olhando ao redor e é incrível pensar que o homem é capaz de destruir lugares como esse. Dessa vez não chorei, só refleti!

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E esse foi nosso último dia em Ushuaia. Claro que tínhamos de nos despedir à altura, e batemos cartão no pub para um brinde de adeus.

:: Você já esteve no Ushuaia? Conte pra gente como foi sua experiência. Quer mais dicas? Só perguntar!

:: Não perca a continuação da aventura por El Calafate, na próxima semana!

Besos, Carol =)

Mochilão no Peru | Por onde andamos

Em março do ano passado, Fabi e eu fizemos uma viagem simplesmemte sensacional pelos mistérios do Peru.

E pensar que antes dessa, em 2013, fomos para NY e Miami – sets de cinema, grifes, arranha-céus, correria, compras, filas, junk food. Pois é, do templo do consumo para o templo do sol!

O objetivo, claro, era conhecer Macchu Picchu. Mas daí, você começa a pesquisar, descobre lugares incríveis, pensa “ah, a gente já vai estar lá mesmo…” e decide rechear a viagem.

Resumindo: foram 18 dias e 17 noites, cerca de 3.000 km rodados por terra, passando por 13 cidades e inúmeros pequenos pueblos.

Contamos, aqui, um pouquinho da nossa experiência:

Comida

  • Mais de 5.000 variedades de batata, cerca de 50 variedades de milho (tem gigante, tem preto), 3.000 tipos de quinua, carnes exóticas como de lhama, alpaca, cui-cui (conhecido por nós como o fofo porquinho da índia; não tivemos coragem de provar… são fofos demais para isso), muito peixe e frutos do mar nas cidades litorâneas e muito frango em qualquer lugar!
  • Provamos arroz chaufa, chicha morada, ceviche, pisco sour, tres leches, spaguetti al alfredo, papa rellena, quinua primavera, trucha, chancho, té de coca, ají, choclo…
  • Mas você também encontra McDonalds, Dunkin Donuts, KFC, Starbucks… Apesar de tanta oferta de comida saudável, eles tomam muito refrigerante e comem muita fritura, o que causa doenças gástricas em boa parte da população das grandes cidades.
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Delicioso ceviche; feira em Lima; comidas estranhas em restaurante de rua; lomo com chicha morada

 Transporte

  • Você atravessa o país, tranquilamente, com os ônibus rodoviários. As empresas voltadas a turistas atendem muito bem e não tivemos problema algum, mesmo comprando antecipadamente pela internet.
  • E ainda explora as cidades em seus meios de transporte locais: em Lima, ônibus velhos, confusos, cheios, sujos, com motoristas enlouquecidos (mas para o turista que gosta de imergir na cultura local, um prato cheio de diversão!); táxi compartilhado (estranho, devo dizer); tuc tuc (um curioso modelo de triciclo motorizado); e até um tipo de bike-táxi. Além de aventuras por barco na Reserva de Paracas, avião em Nasca, barquinho de totora no Lago Titicaca, trem até Aguas Calientes, buggie nas dunas de Huacachina, cavalo em Arequipa e muito pé-após-pé.
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Barco de totora no Titicaca; trem Ollantaytambo-Aguas Calientes; voo sobre as linhas de Nasca; tuc tuc em Pisco; jipe nas dunas de Huacachina

 Idioma

  • O nosso portunhol dá pro gasto mas além do espanhol e dos diversos idiomas dos turistas de todo o mundo, você ouve outras línguas nativas, como quéchua e aimará. Pronunciar corretamente alguns nomes é difícil a princípio, mas é uma questão de respeito com a cultura local – e eles ficam muito satisfeitos quando você consegue!
  • Vá treinando: Ollantaytambo, Pachacamac, Raqchi, Andahuaylillas, Wayallabamba, Winay Wayna, Sacsayhuaman, Tambomachay…

Los peruanos o peruvianos

  • Só elogios: atenciosos, educados, gentis, prestativos, honestos (não ficam devendo dois centavos, não te dão bala como troco e até nos devolveram 25 pesos que pagamos a mais na lavanderia – nos procurando desesperadamente no hotel para isso); todos os guias foram ótimos e a qualidade do atendimento, em geral, foi muito boa.
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Artesã em Nasca; minha apacheta (pago a Pachamama); Menito, em Chivay; múmia em Pukara; arte da Isla de Uros; linhas de Nasca; muros inca e espanhol em Cusco

 História

  • É muito rica a história do Peru, que remonta aos impérios inca e pré-inca. A cada cidade que visitávamos, conhecíamos o nome de uma civilização, diferentes formas de arquitetura, artesanato, vestimenta e alimentação. Apesar da influência européia, o orgulho que persiste no povo peruano é marcante.
  • Esse orgulho faz com que mantenham tradições e costumes. Um super exemplo foi visitar Puno, cidade onde está localizado o Titicaca, o lago navegável mais alto do mundo (3.812 metros acima do nível do mar). Lá, visitamos duas das 41 ilhas do lago: a Isla de Uros, que é flutuante, e a Isla Taquile, de verdade. O que aprendemos? Que dá para se viver com menos do que imaginamos. E sem polícia, sob apenas três regras: não roubar, não mentir e não ser ocioso.
  • E não tem como não falar dos sítios arqueológicos. Não só Macchu Picchu, mas Ollantaytambo, Wiraqocha, Pachacamac, entre vários outros. Basta andar pelas ruas das cidades que a história está ali.
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Ilhas flutuantes de Uros (Titicaca); cordilheira dos Andes; sítio arqueológico Pachacamac; Macchu Picchu; Ollantaytambo

Belezas naturais

  • Tivemos uma aula prática de geografia: A falésia de Lima, a faixa desértica que corta o país de norte a sul, as formações rochosas no mar da Reserva de Paracas, as dunas e o oásis de Huacachina, o Lago Titicaca (que curiosamente, tem água levemente salgada), o altiplano andino com a Reserva Natural de Salinas e Aguada Blanca (que preserva vulcões e várias espécies animais), os cânions do Vale del Colca, a densa floresta tropical de Águas Calientes, o rio sagrado Urubamba (cujas águas seguem para o rio Amazonas) e as lindas montanhas de Machu Picchu e Huayna Picchu (que tivemos o prazer de subir).
  • E uma aula de biologia: leões-marinhos, pelicanos peruanos, pinguins, lhamas, vicuñas, guanacos, alpacas, cães – inclusive o legítimo cão pelado peruano – muitos gatos, condores (um show nos céus!) e viscachas (um roedor muuuito fofo que está em extinção). Só não vimos o puma… #chateada.
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Reserva de Paracas; dunas de Huacachina; Reserva Nacional de Salinas e o Mirante dos vulcões; condor planando sobre o Cañon del Colca

Enfim, a experiência foi intensa e os desafios foram muitos. Distância de casa, idioma que não dominamos, variação climática (de 35° no deserto de Nazca a 8° no vale de Cusco), gastronomia de tempero forte, muita andança e bolhas nos pés, mochila pesada e dor nas costas, a superação do medo de altura que me dominou ao descer o Huayna Picchu, sem falar no soroche (ou mal de altitude) que nos pegou por alguns dias – nem folha, nem chá, nem bala de coca resolveram; partimos para as soroche pills mesmo!

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Por isso, se passou pela sua cabeça a ideia de explorar o Peru, vá!

Por onde andamos para chegar aqui

Dizem por aí que viajar é preciso. Dizem que tem um bichinho que pica a gente e nos faz querer viajar mais e mais. Concordo. E a consequência é trabalhar para $viajar$ e viajar para poder trabalhar com mais alegria.

Sou do tipo que curte a viagem antes mesmo de ela acontecer. Curto desde a mínima ideia de pensar em viajar! E é assim que se iniciam os planos de uma viagem: com uma ideia.

Sempre quis ganhar o mundo, explorar por aí. Mas me faltou grana e mais do que isso, me faltou coragem em acreditar que eu poderia bater chinela por qualquer lugar que quisesse. Aí, de repente, numa dessas conversas entre amigas, percebemos que podemos fazer o que quisermos, sim. Nunca vai sobrar grana se não tivermos um objetivo claro e não direcionarmos os esforços pra ele. Nunca vamos ter coragem se ficarmos procurando o “mas e se”…

Aos 26 anos, junto com minhas grandes amigas Tati e Fabi – companheira de EXPLORAsp – resolvemos iniciar a conquista do mundo aqui pela América do Sul mesmo, com nossos hermanos. Seguimos em mochilão pelo Chile e Argentina. Tempo e grana escassos nos fizeram simplificar o roteiro e ficamos com o clássico Santiago del Chile > Valparaíso > Vinã del Mar > Valle Nevado, seguindo de ônibus para a Argentina – Mendoza e Buenos Aires – realizando os sonhos de cruzar os famosos caracóis dos Andes e ver nevinha!

Mais incrível não poderia ter sido:

  • Carregamos nossas mochilas (enormes e pesadas) desengonçadamente
  • Reservamos quarto errado no hostel e acabamos ficando em um flat sensacional
  • Quase despencamos do morro na estrada de volta de Valle Nevado por conta do gelo na pista (assustador, confesso, mas virou história!)
  • Piramos na conversão real-dólar-peso chileno-peso argentino
  • Imitamos um porco para nos fazer entender
  • Cantamos Kaoma em espanhol numa festa do karaokê
  • Ficamos um dia a mais em Mendoza por causa do vulcão Puyehue que entrou em erupção e bloqueou o trânsito aéreo com suas cinzas
  • Ganhamos chocolate de um simpático jornaleiro
  • Inventamos muitas palavras em portunhol para nos comunicarmos

Essa primeira viagem – fora da nossa zona de conforto – só nos fez querer mais e passamos a batalhar por pelo menos uma viagem como essa, por ano.

E conseguimos. Aconteceram outras visitas à charmosa Buenos Aires, e então, as loucuras de Nova Iorque e Miami (EUA), o mergulho na história em 11 cidades do Peru e os dias tranquilos por Montevideo, Colonia del Sacramento e Punta del Este (Uruguai).

À medida que ganharmos intimidade aqui no blog, podemos compartilhar nossas experiências por esses lugares, que começaram com uma ideia na cabeça e terminaram com uma mala cheia de memórias e histórias pra contar! E claro, fazer novos planos!

Como já disse o pequeno grande herói, “ao infinito e além”!

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Explorai!