10 maneiras de curtir o friozinho de São Paulo

Você percebe que o frio chegou a São Paulo quando:

  • Você vê a campanha de vacinação contra a gripe na tv
  • A polêmica nas redes sociais é sobre quem gosta de inverno e quem odeia
  • O assunto na roda de mães é sobre quantas horas passaram na emergência do hospital
  • As discussões no ônibus são para abrir ou fechar as janelas (se abrir é frio; se fechar é gripe em massa)
  • Seu vizinho entra no elevador profetizando “o inverno vai ser tão intenso como foi o verão esse ano…”
  • Os apresentadores de telejornal fazem piadinhas sobre a expressão cobertor de orelha

E agora, que o frio chegou, o que se faz? Bebe-se mais, come-se muuuito mais, frequenta-se lugares fechados e aproveita-se o aconchego do lar. Pensando nisso, listamos 10 maneiras de aproveitar melhor a temporada fria na cidade, por nossas preferências.

[Vamos tentar não falar só de comida, ok?]

Comer e beber

  1. São Paulo é conhecida pelas suas padarias, que vendem do tradicional pãozinho francês a vinhos e produtos de limpeza. Nessa época, é comum oferecerem um buffet de sopas, com variedades de caldos e toda uma sorte de pães para acompanhar, além de outros pratos e sobremesas. Outra pedida para quem gosta de sopa é o tradicional Festival de Sopas CEAGESP, que vai até final de agosto. O festival acontece de quarta a domingo e oferece seis opções de sabor, que mudam a cada semana, pra você voltar lá nos próximos três meses!
Festival de Sopas do CEAGESP

Festival de Sopas do CEAGESP – tradicional sopa de cebola gratinada e creme de pinhão com cream cheese (fotos de divulgação – Eduardo Bacani)

  1. Acabe-se no fondue, aquela panelinha com queijo ou chocolate derretidos, onde você mergulha pão, carne ou frutas e se lambuza. Há diversos restaurantes e bares que incluem essa delícia no cardápio, mas você também pode fazer em casa com a família e amigos.
  2. Dizem que a bebida do inverno é vinho, mas gosto de uma cervejinha mesmo assim, até porque há boas opções que combinam com essa temporada: as mais encorpadas, de cor mais escura e sabores caramelizados ou tostados.

 

Pra ficar em casa

  1. Tenha um kit inverno para vestir em casa: pijama quentinho, roupão e meias fofas (podendo variar para pantufas divertidas); todos com muita cor, para contrastar com o clima cinzento da estação. Use-o para aquela sessão de cinema com pipoca no sofá da sala.
  • Trilogia O Poderoso Chefão: sim, você não leu errado, são os três mesmo. Esse é para aquele dia que você não quer sair debaixo das cobertas nem para ir ao banheiro (é meio improvável porque são mais de 10 horas de filme; se conseguir volte e nos conte!). Confesso que já fiz isso, vi os três no mesmo dia e fiquei sem costas e bunda de ficar tanto tempo deitada – mas fui ao banheiro.
  • O Lado Bom da Vida: esse é lindo e para ver com o namorado. Aí você pensa “nossa, mas não tinha um mais romântico?”. Sim, tem um zilhão de filmes românticos, mas todos os que eu gosto e indicaria aqui, fariam com que o “mor” se jogasse do alto do Copan: Uma Linda Mulher, P.S. Eu te Amo, Doce Novembro, O Diário de Bridget Jones… Além de ter o gato do Bradley Cooper (hehehe)…
  •  Jamaica Abaixo de Zero: esse filme é um clássico e eu adoro, me acabo de rir com ele. Conta a história da primeira equipe de trenó da Jamaica.
meias fofas

Meias quentinhas

Lugares para ir

  1. O Velhão

É um desses lugares inusitados e mal aproveitados por nós. Pelo menos por mim, que só vou quando é inverno porque gosto de passar frio! Trata-se de um complexo na Estrada de Santa Inês, em plena Serra da Cantareira, zona norte de São Paulo, e tem uma linda história (acesse o site para conhecer o Senhor Moacyr e a Dona Iracema). O Velhão é um grande terreno que reúne o Restaurante As Véia Cozinha, o Café do Véio, um antiquário, um sebo, outras lojinhas e diversos bares – como o Conspiração do Jogo, onde você encontra jogos de tabuleiro, fliperama e sinuca. É um super programa gostoso pra fazer com a família ou com os amigos. Ah, o frio de que eu falei é da porta pra fora!

O Velhão

O Velhão – (fotos do site)

  1. Bistrô Ó-Chá

Um lugar para chamar de fofo. Uma casa na Vila Madalena, com móveis de diferentes estilos misturados, compondo um espaço que mistura fru-fru-fru com moderninho. Tem uma linda carta de chás, com muitas opções para vocês se perder. Provei um chá de limão com especiarias. Super cheiroso e ao inspirar o vaporzinho, senti os pulmões abrirem como se tivesse usado Vick Vaporub. Mas o cheirinho não é de Vick, não, só a sensação boa! rs A casa ainda oferece cesta de pães, doces de babar, sanduíches e saladinhas. Ah, e ainda tem uma lojinha onde você pode comprar seus chás e fazer em casa, vestindo suas medias fofas!

Bistrô Ó-Chá

Bistrô Ó-Chá

E por que não escapar para as montanhas?

  1. Campos do Jordão (90 km de São Paulo)

É o destino preferido dos paulistas no friozinho, quando acontece o Festival de Inverno de Campos do Jordão, o maior evento de música erudita da América Latina (entre julho e agosto). Nessa época, o valor da hospedagem é bem salgado, mas se você procura luxo e sofisticação, lá você vai encontrar; para os mais modestos, faça um bate-e-volta para conhecer a cidade nessa época, porque vale a pena – mas vá com paciência porque a cidade ferve! Ande de bondinho, faça uma visita guiada à cervejaria Baden Baden (para conhecer o processo de fabricação das cervejas artesanais), com as queijadinhas de Campos e, se possível, assista a pelo um concerto do Festival.

  1. Monte Verde, MG (166 km de São Paulo)

É conhecida como a Suíça Brasileira. Uma cidade muito bonita e charmosa, pequenina (praticamente tudo acontece em uma avenida) e com lindas paisagens naturais. Em julho também acontece o Festival de Inverno, com música, dança e teatro na avenida principal. Que mais? Muitos restaurantes de comida mineira, bares, lojas de doces e alambiques. Você se farta só de comer o que te oferecem na porta das lojas – queijos e deliciosas compotas! Mas nem só de comida se vive em Monte Verde: você pode andar de quadriciclo, montar a cavalo, caminhar entre árvores e fazer trilhas e escaladas para perder todas essas calorias. Também vale um bate-e-volta!

Monte Verde MG

Monte Verde, MG

Falamos de apenas duas cidades aqui, mas há muitas outras. Só para citar algumas: São Bento do Sapucaí, São Luiz do Paraitinga, Socorro, Águas de Lindóia, Serra Negra, Santo Antonio do Pinhal (todas em São Paulo).

Aquecer a alma

  1. Fique junto de quem você ama. Calor humano é o melhor que você pode ter. Abrace muito! Peça abraços e ofereça free hugs também!

 

  1. E pense em quem não tem condições de se aquecer sozinho. Há muitas pessoas nas ruas, em tristes condições, que são agravadas nessa época de frio intenso. Cada um pode fazer um pouquinho e ajudar muito!
  • Dê uma olhada no seu armário e separe roupas de frio e cobertores (em bom estado) para serem doados – leve em alguma entidade social, deposite nos postos de coleta como da Campanha do Agasalho ou, até mesmo, saia às ruas e entregue para quem precise.
  • Distribua sopa ou outros alimentos a quem mora na rua ou contribua com grupos que já prestam esse tipo de serviço, seja com dinheiro ou sua presença. Um dos grupos mais conhecidos, em São Paulo, são os Anjos da Noite. Aos sábados você pode ajudar no preparo das sopas ou na distribuição, na Praça da Sé.
  • Olhe para o lado. Se importe. Alguém ao seu lado pode estar precisando de ajuda. Você pode ligar no 156 para a Central de Atendimento Permanente e Emergência (CAPE) que funciona 24h por dia e presta auxílio às pessoas que vivem nas ruas. Quando a temperatura chega a 13° a “Operação Baixas Temperaturas” encaminha, quem aceitar, a albergues.
  • Incentive seus amigos e familiares a fazerem o mesmo.

[Ops! Quase tudo teve comida, né?! Pois é, comer faz parte da temporada de inverno!]

Acessem para mais informações:

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Quem não gosta de samba, bom paulistano não é

A pessoa que disse que o samba morre em São Paulo, certamente não conhece a nossa cidade. Existem diversas manifestações de samba pela cidade, desde a periferia a bairros chiques da zona oeste, pois o paulistano gosta sim de samba.

Não sou especialista na história do samba, mas pesquisando sobre sua origem em São Paulo tive a surpresa de saber que Pirapora do Bom Jesus (50 km de SP) é considerada a cidade na qual surgiram as primeiras manifestações. Em razão da Festa do Bom Jesus, a cidade recebia centenas de romeiros no mês de agosto. As famílias de fazendeiros que frequentavam a festa levavam seus escravos e estes faziam seus batuques nas senzalas. Mesmo após a abolição da escravatura, os negros provenientes dos municípios de Campinas, Tietê, Capivari, Piracicaba, Sorocaba, Tatuí, entre outras, faziam de Pirapora o ponto de encontro no qual podiam expressar suas tradições.

A fusão de todos os sambas que eram praticados em Pirapora ficou conhecido como “Samba de Bumbo” ou “Samba de Pirapora”, que Mario de Andrade chamava de “Samba Rural Paulista” em seus estudos sobre o novo ritmo. Pirapora tornou-se o reduto do samba paulista.

Não vou me estender muito aqui, mas para quem quiser saber mais, o site da prefeitura de Pirapora tem bastante informação legal.

Eu nem sei dizer desde quando gosto de samba, tive muita influência do meu irmão Edmar que gosta bastante e sempre frequentou as rodas de sambas pela cidade.

Como o nosso intuito no blog é falar de lugares que conhecemos e nossas experiências, não vou fazer uma relação dos sambas que têm em Sampa, mas falar de alguns pelos quais sou apaixonada e alguns bares para quem prefere lugares fechados.

Samba do Bixiga

Imagina uma galera na rua, ouvindo um samba de primeira em pleno coração do Bixiga… Esse é o lugar onde passo quase todas as minhas sextas-feiras.

Quem me apresentou este samba foi a minha amiga Ana Laura, em 2014, e me encantei. A roda de samba é feita pelos feras do grupo Madeira de Lei, que foi fundado em 1975, por integrantes da escola de samba Vai-Vai.

Começa por voltas das 20h, mas enche mesmo às 22h, toda sexta-feira. O grupo está situado há quatro anos na Rua Treze de Maio, em frente à Paróquia Nossa Senhora Achiropita. Quer lugar mais tradicional para o samba que o Bixiga??

Tudo junto e misturado na Treze de Maio

Tudo junto e misturado na Treze de Maio

A batucada rola até a meia-noite, até por ser uma área residencial, mesmo se chover. O que mais gosto deste samba é o fato de ser democrático, ser na rua, onde qualquer pessoa pode parar e curtir a música. O Grupo só pede que a galera consuma no Bar do Gilson, que é o patrocinador da roda de samba.

Ouve um pouquinho e aparece lá na próxima sexta-feira!

– Bar do Gilson – Rua Treze de Maio, 507 – Bixiga.

Samba do Bule

Fundado pelo músico Cesinha Pivetta em 2007, o samba do Bule acontece toda última sexta-feira de cada mês, na sede do Teatro Popular União e Olho Vivo, no bairro do Bom Retiro. A reunião de vários amigos do teatro e amantes de música deu origem a uma roda de samba de primeira.

Mas por que o bule? De acordo com o fundador, o samba não podia parar toda hora para que os músicos pegassem as bebidas, então, um ser iluminado trouxe um bule que anteriormente fora colocado na geladeira, com cerveja para abastecer os músicos. Logo, o bule se tornou um símbolo: “um bom samba é acompanhado pelos seus bebericos. Com o tempo, o Bule prateado ganhou sentido ao carregar a bebida que traz à pessoa que dele bebe uma sensação diferente, influenciando o seu estado de espírito”.

A entrada é gratuita, mas cada um pode contribuir com o valor que quiser; o valor sugerido é R$ 5,00.

Contribuição direto no bule

Contribuição direto no bule

O lugar é um grande quintal com árvores, e a música acontece em um galpão que não é muito grande, mas ninguém liga, o samba toca sem parar e a galera é muito animada.

Olha o bule ali no meio da roda!

Olha o bule ali no meio da roda!

O bar tem cerveja, catuaba, pinga e algumas comidinhas. Fica até um carrinho de milho cozido para os lariquentos (me coloco nesse grupo).

A salvação!

A salvação!

Apesar de ser perto da minha casa, eu nunca tinha ido neste samba e agora espero ansiosamente pela última sexta-feira do mês. Os músicos são ótimos, tem gente bonita e os preços das bebidas e comidas são justos.

– Rua Newton Prado, 766 – Bom Retiro.

 

Paulista com Farofa

Esta roda de samba é a mais inusitada de todas. No meio da pomposa Avenida Paulista, cinco amigos tocam samba e fazem churrasco com farofa. É muito bom ver os engravatados parando para curtir o samba e os motoristas que abrem as portas do ônibus para interagir com a galera. A entrada é gratuita e os espetinhos custam R$ 15,00.

– Avenida Paulista, 1374 – Bela Vista

Ainda tem o Samba da Vela, Samba da Laje, entre muitos outros. Só dar uma “googada” que você acha um rolando em Sampa.

Para quem prefere um barzinho, seguem alguns em que eu fui e outros que só ouvi falar.

Pau Brasil

Tem o bar e o restaurante, ambos na Vila Madalena. Lugar pequeno, mas com ótima música.

– Bar – Rua Inácio Pereira da Rocha, 54.
– Restaurante – Rua Horácio Lane, 207

Ó do Borogodó

– Rua Horácio Lane, 21 – Vila Madalena.

Bar Samba

– Rua Fidalga, 308 – Vila Madalena

Vila do Samba

Sobre o Vila eu falei mais no post sobre o bairro da Casa Verde, mas vale reforçar. O bar é um charme, parece uma vila operária antiga e o samba é ótimo.

– Rua João Rudge, 340 – Casa Verde

Ano passado fui ao show que a Nivea faz para homenagear a música brasileira e o tema foi “Viva o Samba”, nem preciso dizer o quanto gostei, né?

O samba pra mim é poesia, história, representação da nossa sociedade e de lutas. Quanto mais eu aprendo sobre as músicas e compositores como Cartola, Adoniran, Geraldo Filme mais me apaixono.

Se joga no samba você também, meuuu!!

Bjs.

www.samba.catracalivre.com.br

http://www.sambadobule.com.br/

https://pt-br.facebook.com/grupo.madeiradelei

http://www.piraporadobomjesus.sp.gov.br/historia/o-samba-paulista-nasceu-em-pirapora 

 

Poços de Caldas, uai!

Tenho sangue mineiro, mais precisamente de Poços de Caldas, no sul do estado. Meus pais passaram a Lua de Mel nessa cidade, tradicional destino romântico. Minha mãe tem grande afeto pela cidade e há tempos dizia que queria voltar lá. Enfim, ela foi. Fui junto!

A cidade de Poços de Caldas fica localizada a 260 km de distância de São Paulo. Fomos de ônibus rodoviário, numa viagem que levou 4h30 – pingando em todas as cidades do caminho. Viagem longa mas com uma paisagem gostosa de se apreciar. E muito céu pra ficar olhando. Bom para desacelerar depois de uma semana corrida de trabalho.

Poços de Caldas é conhecida por suas águas com poder de cura. Essa água provém de fontes sulforosas (com enxofre) já que a cidade está no interior de uma cratera vulcânica com mais de 85 milhões de anos. Era propriedade particular, pertencente à Família Junqueira, e pelas características únicas da região, foi desapropriada e declarada utilidade pública, tornando-se cidade. Isso em 1872.

Ainda no século XIX, as águas eram usadas para tratamentos de doenças cutâneas em casas de banho. A cidade era destino importante e muito bem frequentada. O Palace Hotel, o mais emblemático de Poços de Caldas, até hoje, tinha um casino e já recebeu até o Presidente Getúlio Vargas. No entanto, em 1946, o jogo foi proibido e em torno dessa época foi inventado o antibiótico, que passou a curar as doenças tratadas nas termas. A cidade teve de se reinventar e o turimos passou a ser sua principal atividade econômica.

Portal da cidade, interior da rodoviária, Igreja Nossa Senhora da Saúde, lojinha típica e pipoca da praça

Portal da cidade, interior da rodoviária, Igreja Nossa Senhora da Saúde, lojinha típica e pipoca da praça

Chegamos numa sexta-feira, para uma estadia de três dias. Ficamos hospedadas no Hotel Plaza, no Centro da cidade, próximo de tudo. Hotel antigo, simples, sem elevador mas nos atendeu bem na viagem.

E o que fizemos quando chegamos à cidade? Fomos comer!

Não deixe de ir no café Doce da Roça: é pequenino, bem decorado ao estilo caipira de ser, charmoso até e tem só delícia. A especialidade da casa são as compotas e doces em pedaços, cortados de peças gigantes que chegam a 200 quilos! Em 2010 ganharam o título de Melhor doce do Brasil. Lá, peça café, que é feito na sua mesa em pequenos coadores de tecido. Ah, e prove o bolo de cenoura com cobertura de chocolate. Água na boca…

Doce da Roça

Doce da Roça e seu típico café coado na mesa com bolo huuumm de cenoura

E depois de comer, o que fizemos? Fomos procurar mais guloseimas no Mercado Municipal. Cuidado para não se descontrolar e querer levar tudo para casa. Cada lojinha te faz provar divinos queijos e doces diversos. Saímos de lá com quatro peças de queijo: queijo fresco, queijo muzzarela recheado com requeijão, queijo padrão e queijo padrão curado no vinho tinto. Babe!

No próprio hotel, fechamos um passeio de meio dia, a fim de visitar os pontos turísticos mais distantes do centro. Pagamos R$ 40,00 por pessoa pelo transporte e guia turístico; em nenhum dos passeios se paga ingresso.

O que vimos e que deve ser visto por todo turista:

  • Fonte dos Amores

Uma área fechada onde você percorre uma pequena trilha de pedras, morro acima, para chegar à Fonte dos Amores. Esse fontanário foi criado em 1929, aproveitando os recursos naturais da região. Diz a lenda que um jovem casal se encontrava escondido nesse bosque para namorar, por isso, a crença de que quem bebe da água da fonte, viverá um grande amor.

As pessoas da cidade vão até a fonte para captar água e levar para casa. E os turistas se divertem com os macacos-pregos que vivem ali. Adoram uma bagunça e uma comilança. Pulam nos turistas que vacilam com qualquer coisa de comer nas mãos. Nós presenciamos uma cena muito engraçada: um macaquinho se aproveitando que o pessoal da lanchonete se abastecia de mantimentos para roubar bananas; pegou um cacho, quase maior que ele, e quando percebeu que todos olhavam, parou, pensou e correu com as bananas que conseguia carregar!

Fonte dos Amores

Fonte dos Amores e dois dos bagunceiros macacos-pregos

  •  Pedra Balão

Grandes rochas de origem vulcânica viraram atração turística. Elas estão localizadas dentro de uma propriedade particular mas o proprietário abre sua porteira para o turismo.

A área fica a 1.470 metros de altitude, em relação ao nível do mar, e a vista do alto das pedras é liiiinda!

Pedra Balão

Pedra Balão

  •  Cristo Redentor

A estátua do Cristo está no ponto mais alto da cidade, a 1.686 metros de altitude. Esse Cristo é o segundo maior do país, com 16 metros de altura e data de 1958. Lá de cima, tudo o que você avistar, ao longe, em qualquer direção, é Poços de Caldas.

Ao Cristo você chega de carro (como fizemos), por teleférico (R$ 20,00 com duração de 8 minutos cada trecho) ou por uma trilha morro acima. De lá você ainda pode saltar de paraglider quando o vento estiver favorável. Essa eu passo!

Cristo Redentor

Cristo Redentor

  •  Recanto Japonês

Réplica de um jardim japonês, foi construído e doado à Prefeitura por um empresário nipônico da região. Super bem cuidado, lindo e cheio de simbolismos japoneses. Passe pelos arcos da Fonte dos Três Desejos e beba de sua água (que é potável) para ter amor, saúde e inteligência. Passe pelo Azumaya Manj-Tei, um caramanchão de madeira e palha, que inspirou os turistas que estavam conosco no passeio, a pararem um minuto para meditarem. O recanto ainda tem lindas árvores ornamentais, quedas d’água, tanque com carpas, uma linda Casa de Chá (que infelizmente você observa só por fora) e muitos macaquinhos! Ah, se você gosta da cultura japonesa ou de fotos, vista um traje tradicional e faça cara de gueixa!

Recanto Japonês

Recanto Japonês – Fonte dos Três Desejos, Azumaya Manj-Tei, Casa de Chá e lago de carpas

  •  Véu das Noivas

A mais famosa queda d’água da cidade. É bonita, mas você apenas tira fotos pois não pode se banhar nas águas. No mesmo espaço você ainda encontra uma feirinha de artesanato, guloseimas de milho e um trenzinho que te leva para um passeio no parque.

Véu das Noivas

Véu das Noivas

  •  Cristais Cá d’Oro

Parada obrigatória na cidade, a Cá d’Oro é uma fábrica artesanal de peças em vidro artístico, que segue as mesmas técnicas usadas na ilha de Murano em Veneza, na Itália. O fundador é Mario Seguso, nascido na ilha de Murano, em 1929, descendente de mestres vidreiros. Atualmente, a Cristais Cá d’Oro está na terceira geração da família Seguso em terras brasileiras.

A loja é linda e apresenta centenas de peças, cheias de formas e cores. E você ainda pode ver, através de uma vitrine, um artesão moldando cavalinhos.

As peças de murano são bem caras mas há várias opções com pequenos defeitos a preços amigos.

Cristais Cá d'Oro

Cristais Cá d’Oro

Entre um passeio e outro, o tour passa por uma loja de doces e queijos mineiros, e pela loja de uma fábrica de sabonetes artesanais, feitos com a água da região, que contém propriedades que fazem bem à saúde e proporcionam bem estar.

Isso tudo fizemos das 9h30 às 13h00, de acordo com nosso plano de encontrar com minha “amígdala” Tati e seu namorado Fabio, que moram em Vargem Grande do Sul, a cerca de 50 km de distância de Poços.

Fomos almoçar no restaurante preferido deles e queridinho da cidade: a Cantina do Araújo. Já na entrada, você se surpreende com a quantidade de retratos de famosos que passaram por ali – os mais recentes, atores globais da novela Alto Astral, que foi gravada na cidade. E quem estava sentadinho, dando as boas-vindas aos famintos visitantes? O próprio Sr Araújo!

A comida de lá é deliciosa e farta. Um prato, que dizem ser feito para uma pessoa, alimenta muito bem a duas pessoas. Tati e Fabio foram de porpettone com tallarine. Mamis e eu fomos de frango desossado e purê de batatas. Mas antes, peça a entradinha. O melhor pão de queijo ever! A Fabi, nossa provadora oficial de pão de queijo, provou e aprovou!

Cantina do Araújo

Cantina do Araújo, o delioooooso pão de queijo e o Fabio tietando o Sr Araújo

Depois do almoço, andamos. A cidade tem um impressionante centro comercial. Muitas lojas. Populares e de grandes marcas que temos em Sampa também. A mais fofa é uma chamada Madame Surtô, com roupas criativas e exclusivas, e eobjetos decorativos e de uso pessoal muito fofos.

Madame Surtô

Madame Surtô, loja fofa

À tarde, visitamos as Thermas Antônio Carlos, o primeiro estabelecimento termal do Brasil. É um prédio lindo, recém reformado e reaberto ao público. Além dos banhos de imersão que oferecem até hoje, atendem pacientes do SUS em uma clínica de mecanoterapia, com diversos aparelhos fisioterápicos, que datam de 1929. À primeira vista, parecem aparelhos de tortura mas quando você olha de perto, percebe que são muito parecidos com os atuais aparelhos de ginástica.

Pra quem acompanha novela, as Thermas serviram de cenário para a novela Alto Astral. A trama girava em torno de um hospital da cidade fictícia e Nova Alvorada. Na verdade, a fachada do hospital pertence ao Palace Hotel; e a parte interna, pertence às Thermas – e seus trocentos corredores.

Thermas Antônio Carlos

Thermas Antônio Carlos

Mas logo, de tanto andar, chegou a hora do jantar! Ouvimos um comentário, na rua, de que um restaurante chamado Pizza Na Roça tem uma maravilhosa pizza. E para lá fomos. O lugar a algumas quadras do centro nervoso mas é perto. Delícia poder fazer tudo a pé!

O restaurante é super fofo e tem mesas na área fechada e num espaço que eles chamam de deck, onde tem grandes janelas de vidro. Eles servem comida mineira, comida japonesa e massas em geral, mas fomos de pizza mesmo.

Pizza na Roça

Pizza na Roça

Tati e Fabio tinham de voltar para casa e como ainda estava cedo, passei com minha mãe no Parque José Affonso Junqueira pois ouvimos falar de um evento que ali aconteceria. Havia um grande palco montado e milhares de cadeiras posicionadas em frente a ele. Aconteceria ali a Sinfonia das Águas, um musical que mescla música clássica (com uma orquestrada formada por mais de 170 músicos), tangos, trilhas de filmes, clássicos folclóricos e MPB, além de atores, dançarinos, show de luzes e fogos e artifício. Muito bem feito e muito bem apresentado pelo Maestro que era um figurão. Fazia um super frio mas foi tão divertido que nem vimos a hora passar. Parece que esse evento acontece quatro vezes ao ano.

Sinfonia das Águas

Sinfonia das Águas (para nós, um evento surpresa!)

A viagem foi curta mas o suficiente para que minha mãe se divertisse e resgatasse um pouco de sua história e revivesse algumas de suas lembranças. É uma cidade que oferece qualidade de vida a seus moradores, grande parte já idosos. Aliás, grande parte dos turistas também é bem idosa. Você encontra diversos grupos da melhor idade passeando por lá. Me senti tão jovem! É o tipo de cidade onde talvez eu queira morar quando estiver na hora de aposentar o mochilão. Bonita, divertida e com muitos lugares para se explorar!

Mamis curtiu. Eu curti. Tati e Fabio curtiram. Passa lá você também!

  • Como chegar de carro:

Partindo de São Paulo: pela rodovia SP-342 (260 km)
Partindo de Belo Horizonte: pela rodovia BR-267 (465 km)

  • Como chegar de ônibus:

Viação Cometa (http://www.viacaocometa.com.br/)
Viação Santa Cruz (http://www.viacaosantacruz.com.br)/

 

 

Bairros de Sampa | Minha Casa Verde

Casa Verde? Hã? Mas é perto de onde? De Santana?  Ah, tá…

É mais ou menos assim que começa uma conversa quando eu falo onde moro. Na verdade, hoje em dia a Casa Verde tornou-se mais conhecida por conta da Arena Anhembi (não me acostumei ainda com esse nome, mas é o Sambódromo), a Vila do Samba, as escolas de Samba, etc.

Eu me mudei para cá quando tinha onze anos e não fiquei muito feliz. Eu morava no Bom Retiro e adorava lá, era perto de tudo, tinha os meus amigos da rua e aqui não tinha nada disso. Mas com o tempo fui fazendo amigos na nova escola e a minha visão foi mudando.

Mas por que o bairro chama Casa Verde? De acordo com o site da Prefeitura de SP, a região era um grande sítio que pertenceu ao “rei” Amador Bueno, em 1641. Depois passou a ser propriedade do militar José Arouche de Toledo Rendon, descendente de Amador Bueno. Foi nessa época que a região ficou conhecida popularmente como “sítio das moças da casa verde” e sítio da casa verde. As moças eram as filhas de Rendon e a casa onde viviam era pintada da cor verde.

Em 1842 João Maxweel Rudge tornou-se proprietário da área da margem direita do Tietê; seus herdeiros em 1913 lotearam a região onde pretendiam criar o bairro como “Vila Tietê”, mas o nome não resiste à força popular das histórias do sítio das moças da Casa Verde e em 21 de maio de 1913 surge o bairro da Casa Verde. Sim, neste mês o meu querido bairro esta fazendo 102 anos!

A Casa Verde fica na Zona Norte e é dividida em três áreas: Casa Verde Alta, Média e Baixa, eu moro na Baixa, perto da Avenida Braz Leme. É um bairro pacato, sem muitas badalações, bem residencial. As pessoas que vivem aqui estão há muito tempo e não pensam em mudar (pelo menos os meus visinhos). Ultimamente está ficando mais agitado por conta de alguns novos empreendimentos, baladas, shows no Anhembi, mas ainda mantém aquele clima residencial.

E o que tem de bom nessa Casa Verde? Um monte de coisas, meeeuuu!

– Bar do Plínio:

Para quem gosta de peixe esse é o lugar. A especialidade do bar são as porções de pescados do pantanal e frutos do mar, além de sempre ter cerveja bem gelada e um bom atendimento. O ambiente é super gostoso, com cadeiras na rua e um grande aquário na parte interna do bar. Quem abastece a casa com os peixes trazidos diretamente do Pantanal é o próprio Plínio.

Rua Bernardino Fanganiello, 458 – (11) 3857-0999 – http://bardoplinio.com.br/

Bar do Plínio - Divulgação

Bar do Plínio – Divulgação

– Mr. Cheney

Melhor cookie ever! Hoje em dia você encontra um quiosque ou lojinha Mr. Cheney em vários shoppings e até em faculdades, mas quase ninguém sabe que a primeira loja surgiu na Casa Verde, em 2005, há! Eu tenho o privilegio de comer esse cookie maravilhoso desde seu começo (chupa Bauducco com aquele cookie medonho).

A Mr. Cheney surgiu quando o casal brasileiro Lindolfo e Elida Paiva, amigos do cookieman Jay Cheney, da Califórnia, decidiram aprender os segredos do verdadeiro cookie americano para trazê-lo ao Brasil. Além dos cookies, você pode provar panquecas, brownies, wraps, cheese cake. Adoro tomar café da manhã lá.

Rua Padre Antonio D’Angelo, 142, Casa Verde – (11) 3596-3293 http://www.mrcheney.com.br/

Mister Cheney - Divulgação

Mister Cheney – Divulgação

– Arte em Pastel

Lugar tradicionalíssimo da Casa Verde! Quantas vezes saímos do colégio direto para o “Pastel do Tolosa” para almoçarmos. Chamávamos por esse nome porque ficava em frente ao colégio Benedito Tolosa. Hoje mudou para uma casa maior em frente à Praça Centenário para acomodar melhor os clientes que aumentaram bastante devido à fama do pastel, que é verdadeira. Eles já faziam pastéis com sabores variados antes de virar moda, o meu preferido é o de peito de peru com provolone.

Rua Baroré, 83 – Casa Verde – (11) 3857-3156 – http://arteempastel.com.br/

Arte em Pastel - Divulgação

Arte em Pastel – Divulgação

– Vila do Samba

Uma casa antiga, muito charmosa, que foi uma vila operária é um dos redutos do samba na Casa Verde. Ao entrar você vê um corredor ao ar livre com bancos, vasos de plantas e um churrasquinho para matar a fome. No final do corredor encontra um galpão grande com bar e o samba rolando em um palco que fica no meio das mesas, remete aos sambas de roda. Vem gente de todo canto da cidade para curtir o lugar.

Rua João Rudge, 340 – Casa Verde – (11) 3858-6641 – http://www.viladosamba.com.br/

Falando nisso, o bairro da Casa Verde é um importante reduto do samba, sabia? Se você pensa que só o Bixiga tem samba no pé, está redondamente enganado. Sem querer me gabar, mas já me gabando, o grande Adoniran Barbosa fez um samba chamado Morro da Casa Verde… hehehe… (beijinho no ombro).

As quadras de grandes escolas de samba então no bairro e nas proximidades: Mocidade Alegre, Império de Casa Verde, Camisa Verde e Branco, Rosas de Ouro e Unidos do Peruche. Claro que um dos fatores para as escolas de samba estarem nesta região é a localização do Sambódromo Anhembi, que fica na Olavo Fontoura, assim fica mais fácil transportar os grandiosos carros alegóricos.

– Sabino´s Calçados

Essa loja um dia será tombada como patrimônio da Casa Verde. Desde que eu me mudei para cá ela existe e o seu diferencial é o dono, o seu Sabino de Souza Felippe, uma figura super simpática que nasceu e foi criado no bairro da Casa Verde e você pode facilmente vê-lo andando pela loja. Não conheço quem more na Casa Verde e nunca tenha feito uma compra na Sabino´s.

Sabino´s Calçados - Divulgação

Sabino´s Calçados – Divulgação

O que eu mais gosto é a simplicidade do bairro. Temos praças, padarias, mercados, ruas calmas para passear com os filhos, cachorros…  A Avenida Braz Leme tem uma pista de corrida e ciclovia que vai até Santana – é onde faço minhas corridas dominicais.

Praça do Centenário

Praça do Centenário

E para quem gosta de ser natureba, não precisa ir até o Parque da Água Branca para comprar produtos orgânicos. Recentemente descobri uma horta urbana orgânica na Casa Verde! Transformaram um terreno abandonado da Eletropaulo em um espaço para cultivo de legumes, é ótimo poder comprar produtos frescos colhidos na hora. A horta fica na Rua Frederico Penteado Jr.- 308, próximo à Avenida Casa Verde.

Horta Orgânica - Divulgação

Horta Orgânica – Divulgação

Nos últimos anos as construtoras descobriram o bairro e estão surgindo muitos prédios… Uma pena, pois as casas antigas e charmosas estão sumindo… Contudo, esse é o curso natural das cidades, né? Só espero que não mude essa essência tranquila e amigável do bairro.

Neste mês de aniversário da Casa Verde estão rolando alguns eventos para comemorar. No site da Prefeitura tem a programação completa.

http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/subprefeituras/casa_verde/noticias/?p=57123

bjussss

Fabi.

Bairros de Sampa | Minha Lapa

Se tem um bairro de que eu gosto muito, aqui em Sampa, é a Lapa. Localizado na Zona Oeste da cidade, o bairro reúne um grande centro comercial (em torno do Mercado Municipal e da Rua 12 de Outubro) e pontos de prestação de serviços (como o Poupatempo e a Polícia Federal), além de ter ótimas opções culturais (bares, restaurantes, biblioteca e teatro, por exemplo).

Mas falar da “minha Lapa” significa falar da Lapa da Baixo, Lapa de Cima, Alto da Lapa, Vila Ipojuca, Vila Romana… É, aqui em São Paulo é tudo junto e misturado.

Localização bairro Lapa São Paulo

O primeiro registro sobre a Lapa data de 1581, quando os jesuítas receberam uma sesmaria na região (lote de terra cedido pelo Rei de Portugal para povoar uma área); mas somente em torno de 1880, o bairro começou a tomar forma de centro urbano. As propriedades rurais começaram a ser loteadas, o que atraiu a chegada de muitos estrangeiros, principalmente italianos (ma cheee!). Por isso, inclusive, você encontra ruas como Roma, Coriolano e Cipião na chamada Vila Romana. Capisce?

Você chega à Lapa de várias maneiras e é bem fácil. Suas principais vias são a Rua Clélia (que segue sentido Centro) e a Rua Guaicurus (que segue no sentido Bairro). Nas paralelas e transversais a essas avenidas está o charme do bairro, que ainda conta com um terminal de ônibus bem organizado e duas linhas de trem CPTM: Linha 7 Rubi (parte da São Paulo Railway, de 1899) e a Linha 8 Diamante (parte da Estrada de Ferro Sorocabana, de 1958).

Mercado da Lapa

Fonte: site Mercado Municipal da Lapa

 

Como eu disse antes, o centro comercial do bairro está em torno do Mercado Municipal e é por ele que vamos começar esse passeio.

 

Mais conhecido como Mercadão da Lapa, tem dezenas de lojinhas de frutas, legumes e verduras, carnes e peixes, ervas e até embalagens, enfeites de festa e panelas de alumínio. Esta semana mesmo estive lá comprando manteiga a granel, entregue enrolada em papel de pão! Adoro!

Ali mesmo no Mercadão, começa a principal rua de comércio popular: a Rua 12 de Outubro. É uma ladeira com lojas de ambos os lados. Roupas, calçados, bijouterias e utensílios domésticos. E em uma das travessas começa a Rua Monteiro de Melo, com inúmeras lojas de móveis de madeira maciça e planejados. Se sentir falta de shopping, o bairro também oferece. Com lojas mais populares e uma pequena praça de alimentação, ainda assim é um shopping! Rsrs

Se você seguir pela Rua Guaicurus, próximo ao Terminal de Ônibus, você vai encontrar lugares interessantes e bem ecléticos para uma mesma rua:

Mapa bairro Lapa São Paulo

1. Estação Ciência; 2. Casa Cultural Tendal da Lapa; 3. Poupatempo; 4. Serralheria Espaço Cultural; 5. The Week; 6. União Fraterna (Fonte: Google Maps)

  • Estação Ciências (#1 Rua Guaicurus, 1274): Um centro de difusão científica, tecnológica e cultural, instalado em uma antiga fábrica com fachada de tijolinhos vermelhos. Ela é mantida pela USP e tem muitas experiências divertidas; programa para crianças de todas as idades! Mas por ora, o espaço está em reforma e o atendimento suspenso. No site não há indicação de data de retorno.
  • Casa Cultural Tendal da Lapa (#2 Rua Constança, 72 – altura do nº 1.100 da Guaicurus): Iniciou suas atividades quando o Grupo Teatro Pequeno promoveu uma “invasão cultural” no antigo prédio de um entreposto de carnes da região, o Tendal da Lapa, em 1989 – hoje, Patrimônio Histórico Municipal. E ali está até hoje, mesmo depois de quase ser expulso para a instalação de um Poupatempo. O centro cultural oferece inúmeras atividades artísticas e até atividades de inclusão social para pessoas com deficiência física ou mental.
  • Poupatempo (#3 Rua Guaicurus, 896): Após brigas e acordos, o Poupatempo Lapa foi construído em parte do Tendal da Lapa. A fachada do prédio é muito bonita, com tijolos aparentes, mantendo as características do antigo prédio.
  • Serralheria Espaço Cultural (#4 Rua Guaicurus, 857): É um desses espaços que surpreendem em São Paulo. Em uma antiga serralheria, quatro amigos se uniram em torno da arte. Ali eles trabalham suas expressões artísticas, principalmente com música. O espaço conta com um bar e um estúdio onde rola a programação semanal.
  • The Week (#5 Rua Guaicurus, 324): Uma das maiores casas de shows e festas de São Paulo, com eventos voltados para o público GLS. Tem 6 mil m², ambientes distintos, incluindo um deck com piscina!
  • União Fraterna (#6 Rua Guaicurus, 33): Um prédio de 1934, tombado pelo Patrimônio Histórico e que ainda abriga a União Fraterna com atividades voltadas para a terceira idade, incluindo o seu tradicional Baile da Saudade.

Agora, subindo sentido Alto da Lapa, você pode desfrutar de outras atrações, como:

Mapa bairro Lapa São Paulo pontos turísticos

7. Biblioteca Municipal; 8. Teatro Cacilda Becker; 9. Praça Cornélia; 10. Grupo Pia Fraus; 11. Sesc Pompéia (Fonte: Google Maps)

  • Biblioteca Municipal Mário Schenberg (#7 Rua Catão, 611): Conta com um acervo de 60 mil exemplares e 700 livros em braile, além de uma programação recheada de atividades educativas, como teatros, oficinas, shows e contação de histórias (aliás, programação que é desenvolvida por nossa amiga Melina Campanini – um salve à Meê!!).
Biblioteca Municipal Mario Schenberg

Biblioteca Municipal Mario Schenberg

  • Teatro Cacilda Becker (#8 Rua Tito, 295): O teatro municipal foi construído, em 1988, para atender uma carência da região. Em 2009 foi reinaugurado reformado. O espaço tem uma programação mensal que você pode consultar no site, e inclui peças teatrais e shows a preços amigos ou até mesmo gratuitos.
  • Grupo Pia Fraus (#9 Rua Coriolano, 624): O grupo, que há mais de 30 anos, realiza espetáculos com máscaras, bonecos, danças e técnicas circenses tem seu QG na Lapa. Passar em frente dele pode ser assustador, principalmente à noite… Se você tem medo de bonecos, atravesse a rua!
Vitrine Grupo Pia Fraus

Vitrine do Grupo Pia Fraus à noite, com seus bonecos assustadores

  • Praça Cornélia (#10 Rua Clélia, altura no número 800 – entre as ruas Cláudio e Crasso): A praça fica localizada em frente à Paróquia São João Maria Vianney, de 1932, e abriga a Feira de Artesanato, Antiguidade e Comida Típica, que acontece todo sábado, com barraquinhas, atividades para as crianças e apresentações musicais.
  • SESC Pompéia (#11 Rua Clélia, 33): Ficamos em dúvida se o SESC Pompéia ainda seria Lapa ou Pompéia (como o próprio nome diz!), mas como está na Rua Clélia, que citamos como importante logradouro do Bairro da Lapa, cá está. O SESC foi construído nas antigas instalações de uma fábrica, em 1986, com projeto da arquiteta ítalo-brasileira Lina Bo Bardi (a mesma que projetou o MASP). As instalações foram tombadas, em 2009, pelo Conpresp (órgão municipal de proteção ao patrimônio) e este ano, foi consagrado patrimônio cultural do Brasil. Se você não conhece ainda, vá. O lugar é lindo, tem uma super programação e as delícias da cafeteria do SESC…

Falando em delícias, ainda mais depois desse passeio, fique sabendo que a Lapa tem várias opções interessantes para comer e beber. Listamos nossas preferidas aqui:

Mapa bairro Lapa São Paulo onde comer e beber

12. São Paulo Dog & Burger; 13. Honey Café; 14. Armazém Cerveja Gourmet; 15. Bar Bezerra; 16. Pain à Table (Fonte: Google Maps)

  • São Paulo Dog & Burger (#12 Rua Catão, 763): Decorada ao estilo vintage, serve o melhor milk-shake de Chicabon ever! Super cremoso e sem miséria (o copo é grande).
São Paulo Dog & Burger

São Paulo Dog & Burger

  • Honey Café (#13 Rua Coriolano, 1436): Para os íntimos, Café do Panda! Uma casinha fofa dentre outras casinhas da Vila Romana. Passaria despercebido se não fosse o banco de madeira na porta. Entre e prove os biscoitinhos em formato de urso, os doces (uma delícia a éclair de pistache!) as bebidas à base de café ou os salgados, feitos também para os veganos. Ah, tem almoço, inclusive, aos sábados.
Honey Café

Honey Café ou Café do Panda 😉

  • Armazém Cerveja Gourmet (#14 Rua Tito, 400): Barzinho de esquina onde o legal é sentar nos balcões – no bar central ou nas janelas, seja de fora pra dentro ou de dentro pra fora! A especialidade da casa é cerveja. E para quem adora garrafas e rótulos, como eu, a exposição delas é de encher os olhos, porque ficam em uma estante, do chão ao teto.
  • Bar Bezerra (#15 Rua Coriolano, 800): Outro bar de esquina (parece que na Lapa, os bares estão todos estrategicamente posicionados) que também tem cerveja como especialidade. São dois andares com decoração bem interessante, utilizando muita madeira de demolição e objetos antigos (desde cadeira de barbear até um fogão que virou pia), além de cédulas de diversos países sob a escada e capas de disco no teto. O bar tem uma boa carta de cervejas de todo o mundo e sempre tem as promoções do dia. E se você gosta de futebol, os jogos são projetados em uma telona do outro lado da rua.
Bar Bezerra

Bar Bezerra – cervejas especiais

  • Pain à Table (#16 Rua Coriolano, 301): Uma pequena e charmosa padaria artesanal que tem pães com grãos, nozes, queijos, ótimos croissants e um delicioso pão de queijo (importante: foi muito bem avaliado pela nossa amiga Fabi, degustadora oficial de pão de queijo aqui do EXPLORAsp). Nos foi dito lá, que o local tem movimento fraco durante a semana, mas bomba aos findis. Por isso, #ficaadica: se quiser provar o pão de queijo, conte com a sorte, porque eles assam poucas unidades por dia e é difícil encontrar.
Pain à Table

Pain à Table – pães artesanais

E assim é a Lapa. Pelo menos parte dela. Pelo menos por enquanto, pois as construtoras redescobriram a região e a cara do bairro está mundando.

Quer fazer um passeio diferente? Vá até a Lapa bater canela, como diria minha mãe!

Bjs Carol

Explorando a Patagônia Argentina | Parte III – El Chaltén

:: E assim continuamos…

El Calafate – El Chaltén | Dia #9

O dia começou aos tropeços: perdemos a hora e, por pouco, não perdemos o ônibus pra El Chaltén! São somente dois horários por dia e bem disputados…

Ah, nós compramos o ônibus diretamente no hostel também (da Caltur). E uma van nos apanhou lá, ou seja, sem sofrimento em carregar o mochilão nas costas até a rodoviária. Uma alegria só!

A viagem até El Chaltén foi tranquila, durando 2h30. Não há lugar demarcado, mas conseguimos sentar no segundo andar; seria perfeito se fosse na primeira poltrona pois o busão tinha vista panorâmica.

Na entrada da cidade, há um posto do Parque Nacional. Todos devem descer e ouvir as regras de conduta na cidade,que é conhecida como a capital mundial do trekking.

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É muito interessante a forma como eles tratam o lixo – em El Calafate e El Chaltén, pelo menos. Em todos os passeios aos parques, os guias orientam a guardar tudo o que você levar e descartar somente na cidade, quando voltar. Dessa forma, os parques continuam a não gerar lixo, mesmo com os visitantes.

Descemos na rodoviária e rumamos para o hostel, que ficava (graças aos deuses andinos) a três quadras. Ficamos na Hospedaje La Cima. Havíamos reservado pelo Booking e na época que buscamos, foi o melhor custo-benefício. As pousadas na cidade são carinhas. O La Cima é bem simples mas nosso quarto era muito agradável, com paredes de madeira e carpete no piso. O café da manhã era levado na mesa da cafeteria e o casal que administra (ou é dono, não sabemos) foi muito atencioso.

Nossa permanência na cidade seria curta e como chegamos cedo, resolvemos aproveitar a tarde e nos arricarmos na trilha até o Fitz Roy, que é a montanha mais amada por lá. Não é das maiores mas dizem que só os melhores alpinistas conseguem encará-la.

Confesso que só a trilha para os menos aventureiros foi de lascar. São 10 km só de ida até o alto da montanha. Os primeiros 4 km foram bem difíceis para nós, especialmente porque naquele dia, havia um sol para cada turista. E dizem que em El Chaltén só há 5 dias de sol e calor no ano. Pois bem, tivemos sorte; ou azar, não sabemos bem…

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Mas não desista da trilha pelos meus comentários. Siga adiante como fizemos. Os 5 km seguintes são mais tranquilos. Passamos por todos os tipos de terrenos, pisando em terra, areia, pedra, raízes e atravessando rios. A água em El Chaltén é potável, até mesmo na torneira. Enchemos as garrafinhas com a água dos rios e isso era refrescante, sem falar que até inesperado para nós, paulistanas que somos.

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Se você fez a conta, percebeu que ainda falta 1 km. Pois é, esse último trecho foi terrível, desgastante e desesperador. Olhávamos para cima e não víamos o fim da trilha. Era pedra sobre pedra, meus joelhos (que não são nada bons) sofreram bastante e o calor não ajudava. Nem uma nuvem no céu pra fazer sombra. E não sei o que era pior: as pessoas que desciam e viam nas nossas caras o desespero mas diziam “vocês estão quase lá!” ou as pessoas muito bem dispostas fisicamente que só faltavam nos atropelar, de tão rápidas e ágeis! Sério, nem subindo o Huanya Picchu no Peru eu sofri dessa forma!

Enfim, chegamos ao final dos 10 km! A vista era maravilhosa. Picos congelados, montanhas desenhadas no horizonte e uma lagoa azul que, no dia seguinte, descobrimos ser a Laguna de Los Tres. Sem querer, chegamos onde nem imaginávamos… a gente falava “não precisamos ir até a Laguna, vamos morrer antes de chegar lá…”. Pois bem, sobrevivemos pra contar!

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Bem na hora que chegamos ao topo, o tempo começou a mudar… um vento fortíssimo que mal nos deixava ficar em pé sobre aquele monte de pedras escorregadias. E quem apareceu? As nuvens! Muitas nuvens. Nessa hora, resolvemos voltar. Faltavam 4 horas para escurecer e ficamos apreensivas.

A descida também não foi nada fácil. E na volta optamos por um outro caminho, que passaria pela Laguna Capri. O último km fizemos já no escuro, com o auxílio de uma lanterna que levei. Foram 4h40 na ida e 4h40 na volta. O cansaço realmente nos dominou.

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El Chaltén | Dia #10

Nessa manhã, tomamos mais um ônibus e mais um barco. Nosso destino era o último glaciar que faltava: o Glaciar Viedma, que é o maior da Argentina, com uma superfície de 978 Km quadrados.

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A parte que podemos ver, acima do nível do lago, tem cerca de 40 metros. E foi sobre esse paredão que andamos! A equipe da agência Patagonia Aventura era ótima. Nosso grupo tinha 20 pessoas e havia 6 profissionais para orientar e nos ajudar a atravessar as gretas. Foi um passeio de cerca de 1 hora, para o qual tivemos de usar os grampones nos sapatos para dar mais segurança ao andar. Brindamos a aventura com licor de café que ficou gelando ali mesmo.

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A sensação de estar em um lugar que poucas pessoas pisam é indescritível. Olhar para aquela imensidão de gelo fez eu me sentir tão pequenina! Lembrei de um cartão que tenho no meu mural em casa: pessoas minúsculas que mais parecem pontinhos pretos caminhando na neve intocada e a palavra “humildade”. Realmente, quem somos nós nesse mundão que desconhecemos?

Foi uma experiência incrível estar sobre essa geleira. E poder ter visto todos os glaciares, cada um sob uma perspectiva. Depois disso, no entanto, começamos a entristecer, pois a viagem chegava ao fim. Seria dormir e ir pra casa no dia seguinte.

Para encerrar nossa aventura patagônica, jantamos num restaurante chamado Ritual del Fuego, com decoração rústica e uma super trilha sonora, com músicas tribais e até brasileiras. A comida estava deliciosa e saímos de lá com um pendrive cheio de músicas que o dono do restaurante nos cedeu!

Balanço da aventura

Unhas quebradas, cabelo ressecado, pé machucado mas também muitas histórias, novos amigos, lindas lembranças, muitas fotos, muitos mapas e ímãs de geladeira, motivação para aprender melhor o espanhol, mais vontade ainda de viajar e a certeza de que é nos pequenos detalhes que a felicidade está!

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#explorasp, #explorabrasil, #exploraamerica, #exploramundo, #exploravida

Alguns valores (fevereiro/2015, em Peso Argentino e por pessoa – exceto os táxis)

  • Taxi do Aeroporto de Ushuaia ao centro da cidade: AR 162 ida e volta
  • Passeio Canal Beagle (Piratour): AR 600 + taxa do porto AR 15
  • Parque Nacional Terra do Fogo: di grátis + ônibus ida e volta AR 200 + ingresso AR 100
  • Museu do Fim do Mundo: AR 150
  • Passeio 4×4 até os Lagos (Piratour): AR 1.100 com almoço
  • Passeio Pinguinera (Piratour): AR 1.240
  • Passeio Glaciar Martial: di grátis + táxi ida e volta AR 168
  • Passeio Laguna Esmeralda: di grátis + ônibus ida e volta AR 200 + casa de apoio AR 35
  • Shuttle Aeroporto de Calafate até hostel: AR 100 (só ida)
  • Tour alternativo Perito Moreno: AR 640 + ingresso Parque Nacional Los Glaciares AR 150
  • Laguna Nimez: ingresso AR 70
  • Estância Cristina – Tour Discovery: AR 1.360 sem almoço
  • Ônibus de El Calafate a El Chaltén: AR 550 ida e volta
  • Trilha Fitz Roy: di grátis + aluguel dos bastões AR 15 a unidade
  • Ice trekking Viedma: AR 1.330
  • Pinta Beagle no Dublin Irish Pub: AR 40

Contatos

:: Perdeu as histórias anteriores? Clique aqui para explorar Ushuaia; e aqui, para explorar El Calafate.

:: Compartilhe com a gente a sua experiência! Comente, pergunte, explore!

Espero que tenham gostado! Besos, Carol 😉

Explorando a Patagônia Argentina | Parte II – El Calafate

:: Continuando a aventura, seguimos de Ushuaia para El Calafate…

Ushuaia – El Calafate | Dia #6

Nosso voo seria somente à tarde mas tivemos de entregar nossa casinha na hora do almoço. Ficamos fazendo hora no Marcopolo, onde tem calefação, comida boa e internet grátis! Quando deu o horário, seguimos para o aeroporto – onde também tem internet grátis! – para voarmos até El Calafate, a 563 km de distância.

Chegando ao aeroporto do nosso destino, tomamos um shuttle até o hostel. Como estávamos mais afastadas do centro, fomos umas das primeiras a descer. Havíamos reservado, pelo Decolar.com, o Hostel del Glaciar Pioneros, a cerca de 1 km do centro nervoso da cidade. O hostel é giga e bem estruturado. A área comum até intimida, de tanta gente ali, disputando a internet, que é livre nesse espaço. O quarto é bom, a cama confortável e o chuveiro quente, bem quente. Fomos super bem atendidas pela Noemia, que nos deu dicas de passeios até de El Chaltén.

Acabamos comprando com o hostel, que também é agência de turismo, todos os passeios. Nosso tempo seria curto e resolvemos otimizar.

Na saída para reconhecimento da cidade, pegamos o pôr-do-sol no mirador da cidade e nos encantamos com El Calafate. Muitas lojas e restaurantes charmosos (inclusive o La Anonima!), casinhas de madeira coloridas e lindas árvores iluminadas. Descolamos uma lanchonete chamada Sandwicheria Pioneros, que serve ótimas empanadas e enormes sanduíches; depois de dias sem ver um verdinho no meu prato, pude até comer uma salada de alface e cenoura! E para não perder o costume, fomos tomar a cerveja local no Librobar, um fofíssimo bar com estantes de livros e dezenas de placas,lousas e quadros com frases e citações.

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Devo contar que El Calafate é uma cidade bem pequena que tem, como principal atração, o Parque Nacional Los Glaciares, considerado Patrimônio Mundial da Humanidade pela UNESCO, com seus 724 mil hectares. No Parque estão os três grandes glaciares da Argentina, e a maioria termina no Lago Argentino. Nós tivemos a felicidade de conhecer todos. Por El Calafate, acessamos o Perito Moreno e o Upsala. O Glaciar Viedma, conhecemos por El Chaltén, a cidade seguinte.

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El Calafate | Dia #7

O primeiro passeio na cidade foi um tour alternativo até o Parque Nacional Los Glaciares para vermos o monstro gelado Perito Moreno. Nos venderam que a agência Patagonia Backpackers oferece, exclusivamente, esse passeio alternativo desde 1987. Compramos a ideia!

O ônibus nos buscou no hostel e seguimos por uma estrada não usual, que passa entre enormes estâncias. Fizemos uma parada num restaurante onde vimos divertidas ovelhas em cima do teto de um carro e um guanaco (um camelídeo, parente da lhama) muito simpático, que entrava no restaurante para pedir comida. Tanto encheu que ganhou uma mamadeira de leite! Eu dei de mamar a um guanaco! Fofiiiiinho demais!

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O outro diferencial do tour alternativo é a trilha de 1 hora dentro do Parque Nacional, seguindo pelo Brazo Rico, uma parte do Lago Argentino. É um passeio restrito para que o parque não sofra degradações por parte dos homens. Foi uma delícia passear ao lado do lago e ver, mais longe, a parede sul do Perito Moreno.

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Depois da caminhada, voltamos ao ônibus, descendo na parte principal do Parque, onde estão as longas passarelas que margeiam o grande glaciar Perito Moreno. São quatro opções de passarelas e você pode percorrer todas. Andamos por três delas e cada um dá uma perspectiva diferente. Ficamos embasbacadas com a extensão daquele bloco de gelo (são cinco quilômetros de largura e 60 metros de altura acima da linha d’água) e na expectativa, como todos, de ver pedaços se soltando. Assim que chegamos, aconteceu um grande desprendimento de gelo mas só conseguimos ouvir. O barulho é estrondoso! Muitos outros pedaços de gelo caíram enquanto estivemos ali, mas nenhum tão grande; mesmo assim, o barulho é alto e forte, parecendo fogos de artifícios.

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Esse passeio é bem disputado pelos turistas. Assusta na chegada o número de ônibus que param ali e despejam gente. Mas foi tranquilo, até porque levamos nossos lanches, o que nos fez economizar tempo e dinheiro.

Esse tour alternativo durou o dia todo. Estávamos super cansadas mas recarregamos as energias com um potão de sorvete do Tito (ma-ra-vi-lho-so), que fica na rua principal, e encaramos a Laguna Nimez. A Laguna fica bem próxima do centrinho da cidade, cerca de 1 km, e há placas indicando o caminho. É um parque municipal, muito importante para conservação de aves e plantas nativas. O dia estava lindo e a gradação de cores inundava meus olhos!

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Dizem que na agência de Correios de El Calafate você também consegue um carimbo legal no passaporte, mas pelos nossos horários, não conseguimos pegar a agência aberta #chateada. Daí perguntamos na Laguna Nimez se eles tinham um carimbo. O menino achou graça e disse que não vale, pois é um parque municipal, mas nos carimbou os passaportes, se divertindo com as turistas!

El Calafate | Dia #8

Todos os relatos que li sobre os passeios em El Calafate incluíam o mini-trekking no Glaciar Perito Moreno, mas nos convenceram a fazer o ice trekking no Glaciar Viedma, em El Chaltén, e aproveitar o último dia em um passeio que nos levaria ao Glaciar Upsala. Valeu a pena!

Uma van nos apanhou no hostel e seguimos até o porto Punta Bandera, onde entramos em um barco que navegou pelo Brazo Norte do Lago Argentino. Demais! Vimos enormes icebergs, que eles chamam de tempanos. Alguns super azuis, cheios de pontas. Desembarcamos na Estância Cristina, fundada por um inglês que se apaixonou pela região patagônica, e que hoje é administrada como parque nacional. Há uma pousada mas a maioria dos turistas fazem os passeios de um dia, como nós. O lugar é espetacular e só se chega de barco. A natureza é super protegida e apreciada.

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Quando se fecha o passeio até a Estância, pode-se escolher um entre três pacotes – um trekking de 14km (não, obrigada), uma pequena trilha até uma cachoeira e o 4×4, nossa opção.

Na Estância, nos levaram a um museu, onde contaram a história da família que ali morou, e nos mostraram parte do terreno, falando sobre a vegetação e o turismo na região. Tivemos um tempo para almoçar antes do 4×4 e nos levaram a um charmoso restaurante. A atendente do hostel, onde compramos o passeio, não nos deixou comprar o almoço da Estância – disse que era muito caro e poderíamos levar nosso lanche. Seguimos a ordem dela e foi ótimo mesmo. A comida parecia boa mas vimos muita gente deixando no prato… Pudemos comer no mesmo restaurante de quem pagou pelo almoço. E fomos seduzidas por uma torta de maçã que estava sobre o balcão – deliciosa.

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O passeio 4×4 seguiu em duas caminhonetas com umas 14 pessoas cada. Divertido e dolorido! A vista durante o caminho era linda e só ficou melhor quando descemos para um trecho a pé com cerca de 20 minutos. Daí, você acha que ainda vai caminhar mais e chega na ponta da montanha e vê a Cordilheira dos Andes ao fundo, o Glaciar Upsala abaixo e outros glaciares do que eles chamam de Gelo Patagônico.

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E começou aquele frisson, todo mundo querendo tirar fotos de todos os ângulos e selfies. O guia parou para falar sobre o Glaciar e fez um pedido: que ficássemos um minuto em silêncio para sentir de verdade tudo aquilo. Era tudo o que eu queria e vivi cada segundo daquele silêncio humano, me deixando ouvir só o vento. Fiquei emocionada mas não, não chorei. E sim, eu me emociono com o silêncio!!

:: Você já esteve em El Calafate? Conte pra gente como foi sua experiência. Quer mais dicas? Só perguntar!

:: Perdeu as histórias de Ushuaia? Clique aqui para ler o post anterior.

:: Na próxima semana, mais da saga pela Patagonia Argentina. Dessa vez, por El Chaltén. Não perca!

Besos, Carol 🙂

Explorando a Patagônia Argentina | Parte I – Ushuaia

Era final de 2014 e eu pensava em viajar somente no segundo semestre desse ano, mas bateu um comichão nas solas dos pés, um borbulhar no estômago e uma ansiedade em fazer alguma coisa diferente do dia a dia… Sintomas claros de que precisava viajar logo!

Então o próximo destino foi decidido: Patagonia – lado argentino, pois cá entre nós, o peso de lá está mais vantajoso que o chileno!

O planejamento começou com Ushuaia, a cidade mais austral do mundo. Mas daí veio aquele pensamento “ah, a gente vai estar lá mesmo…” e emendamos mais duas cidades: El Calafate e El Chaltén.

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Dessa vez, Fabi-amiga-companheira-de-ExploraSP não pôde ir. Nossa amiga Anna que me acompanhou nessa aventura.

Partimos de São Paulo na noite de 18/03 rumo a Buenos Aires, onde esperamos por meras 6 horas, madrugada adentro, para o voo que nos levaria até Ushuaia. Na Argentina, ficamos 11 dias e vou contar um pouquinho do que vivemos por lá – em partes, para não cansar vossas vistas.

 

Pre-para!

Vale falar de alguns pontos da época de planejamento dessa viagem:

  • Passaporte: Não é preciso ter passaporte para visitar a Argentina; apenas RG vale, contanto que tenha sido emitido há, no máximo, 10 anos. Mas se você puder, leve o passaporte, pois você pode voltar para casa com carimbos de lugares que visitar por lá. Renovei o meu só para isso! Duas páginas a menos, mas um sorriso de orelha a orelha!
  • Percalços com a Aerolineas Argentinas: A aventura começou antes mesmo de começar. Compramos as passagens aéreas em novembro do ano passado, pelo site da companhia aérea, e até o fim da viagem, recebemos sete e-mails sobre alteração nos voos. Após o quarto e-mail, entramos em contato mas o telefone 0800 é lenda, então, resolvemos ir até o escritório deles. Fomos muito bem atendidas lá; para nos ajudar, a moça alterou os voos porque perderíamos um dia de viagem e ainda corríamos o risco de perder a conexão da volta. Um pouco menos inseguras, decidimos deixar rolar.
  • O desafio da mala: Queria entender como os europeus conseguem viajar por mais de um mês com uma mochila de 50 litros nas costas. Ok, até desconfio como, mas meeeu… Fazer caber roupas de frio para 11 dias em uma mochila de 70 litros não foi tarefa fácil, mas não deixe de levar: sapato impermeável tipo trekking, as três camadas de roupa – calça e camiseta térmicas, blusa de fleece e jaqueta corta-vento – e acessórios como gorro, luva e cachecol. Dicas para ser feliz: desencana de combinar roupa, aceita que você vai aparecer com a mesma jaqueta em todas as fotos e explora essa liberdade, porque o conforto deve vir em primeiro lugar!

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  • Câmbio: A Argentina está passando por uma grave crise econômica e sua moeda está super desvalorizada. Os argentinos não podem comprar moeda estrangeira e por isso, um mercado paralelo se formou para a compra de Dólar, Euro e até Real. A dica que recebemos foi trocar dinheiro lá mesmo, mas não nas casas de câmbio. Ou procurar pessoas confiáveis indicadas por amigos ou trocar em lojas que aceitem isso. Nesse câmbio informal, chamado de câmbio blue, chegamos a trocar USD 1 = AR 12 e R$ 1 = AR 4.

Ushuaia | Dia #1

A cidade conhecida como “a mais austral do mundo” (apesar de não ser) é a capital da Província Terra do Fogo, ao sul da Argentina. Ushuaia nasceu para povoar essa região inóspita e cresceu em torno da instalação de um presídio. Hoje, tem cerca de 75 mil habitantes, e vive basicamente de atividades industriais da Zona Franca e do turismo – disponível o ano todo.

De São Paulo a Ushuaia, em linha reta, são 3.914 km. E só mais 1.000 km até a Antártica. Descer no aeroporto da cidade sabendo disso foi sensacional! Uma pena não dispor de 12 dias a mais e USD 10 mil para esticar a viagem – afinal, a gente já estava lá mesmo…

Chegamos com empolgação total: a vista da janelinha do avião já era maravilhosa e o aeroporto era super charmoso (de pedra, vidro e vigas de madeira) e a vista da cidade com os picos nevados ao fundo nos tirou o ar. Paixão.

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Tomamos o táxi e seguimos para a cidade. Eu costumo ficar em hostels, mas confesso que quarto compartilhado não rola, e banheiro compartilhado menos ainda – me chamem de fresca, mas peeeelamordedeus (talvez na Europa…)! Em Ushuaia, fechamos um mini apê (2 camas, cozinha básica e banheiro) pelo Air B&B – primeira vez que usei e foi perfeito. O dono foi super atencioso, do fechamento até a saída.

Largamos as mochilas e saímos para fazer o reconhecimento da cidade. Estávamos duas quadras acima da San Martín, a rua principal, e perto de um mercado La Anonima (que todos os blogs indicam; mas também, foi o único que vi na cidade!).

Passamos na Piratour, a única agência que leva os turistas até a ilha onde estão os pinguins durante o verão – as demais agências se aproximam de barco, mas ninguém desembarca. Queríamos muuuuito ver os pinguinos e para garantir o passeio, essa foi nossa primeira parada – e só conseguimos reserva para 3 dias depois. Portanto, reserve logo o seu. Acabamos fechando com eles mais dois passeios na cidade: o passeio de barco pelo Canal Beagle e um passeio 4×4 até os Lagos Escondido e Fagnano.

Nesse mesmo dia, fizemos o passeio de barco pelo Canal Beagle. Você pode escolher entre o catamarã (embarcação grande, para 200 pessoas) ou o iate (para 20 pessoas). Optamos pelo iate e foi ótimo, porque ele chega bem pertinho das ilhas e permite que você interaja mais com os guias. O passeio durou 4 horas e passamos ao redor da Isla de los Pájaros (onde vimos diversas espécies de pássaros), pela Isla de los Lobos (onde vimos liiiindos lobos marinhos), pelo Faro Les Eclaireurs (conhecido como Farol do Fim do Mundo, apesar de não ser) e ainda descemos na Isla Bridges, podendo conhecer melhor a flora local. Um passeio delicioso, com direito a café com biscoitos durante a viagem, e um brinde com licor de café ao final. Como estava o tempo? Frio. Muito frio, vento e momentos de chuva. Usei todo o meu kit Ushuaia: jaqueta corta-vento, luva, cachecol e gorro!

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5_explorasp_dublin irish pubPor cansaço ou falta de coragem, almoçamos e jantamos no mesmo lugar: o Marcopolo, uma lanchonete-cafeteria-restaurante fofo na San Martín, com boa comida e preço acessível. Por AR 100 cada (cerca de R$ 25,00), almoçamos lomo com purê de calabaza (abóbora), uma garrafinha de água saborizada e sobremesa.

Pra fechar o dia, tiramos a clássica foto na placa do fim do mundo e fomos ao Dublin Irish Pub (pertinho de casa, iupi!) para provar a Beagle, a cerveja local. Curiosidade: os bares servem cestos de pipoca junto a cerveja! Tanto gostamos (do pub, da cerveja e da pipoca), que batemos cartão lá todas as noites em que estivemos na cidade…

 

Ushuaia | Dia #2

Estava em nossos planos, ir ao Parque Nacional e à Laguna Esmeralda. Quando fomos à Piratour saber sobre esses passeios, a própria atendente nos indicou que fizéssemos por conta. Achamos essa atitude muito simpática, porque ela poderia oferecer esses passeios pela agência. Enfim, seguimos a dica dela e tomamos o ônibus de linha que leva a turistada até o Parque Nacional Terra do Fogo, a uns 30 minutos de estrada.

Há, ainda, a opção do Trem do Fim do Mundo, mas desistimos da ideia. Ouvimos diversos relatos de que o passeio é chatinho e pelo preço que se paga (AR 420, cerca de R$ 105,00) não vale, até porque os horários são ruins e você precisa de mais um dia para fazer as trilhas do Parque Nacional. Desapegamos!

A passagem até o Parque Nacional custou AR 200 ida e volta, por pessoa. Os horários de saída são de hora em hora, entre 9h e 16h, todos os dias da semana; e o retorno acontece às 13h, 15h, 17h e 19h. Você decide em que ponto quer descer no parque e em que ponto quer tomá-lo para voltar.

6_exploraspparque nacional ushuaiaNós fomos até a parada principal, junto à agência mais austral dos Correios. Sim, no fim do mundo, em um parque nacional onde nem formiga existe, há uma agência postal. Argentinos são bons de marketing. E gostam de selos. Você os encontra em todo lugar.

Enfim, não deixe de entrar na agência e carimbar o seu passaporte. Ops, não estava pre-parado? Entre mesmo assim, compre um postal lindo e o carimbe. Você paga por isso, meu amigo, mas apenas AR 20. Vale o sorriso. Sem falar da simpatia do senhor carimbador que, cansado de parar seu trabalho para tirar fotos, providenciou um selo com a carinha dele! Adooooro!

 

O Parque Nacional tem 63 mil hectares e é muito bonito. Optamos pela trilha de 8 km, que fizemos em 4h20. É tranquila, com alguns momentos de sobes e desces. Lá, você passa frio quando margeia o lago e passa calor quando está cercado de árvores gigantes.

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Super valeu o passeio, mas não tivemos forças para seguir pelas outras trilhas. Paramos na cafeteria onde o ônibus faz ponto, tomamos um lanche e visitamos o museu que existe ali até o ônibus chegar.

Ushuaia | Dia #3

Uma Hilux nos apanhou em casa para o passeio 4×4 que faríamos a seguir. No carro, fomos em seis pessoas. Coincidência ou não, seis mulheres brasileiras. O motorista-guia – que pagou de comentarista político, DJ, rebocador de carro alheio atolado e churrasqueiro – nos levou para conhecer o Centro Invernal Tierra Mayor, onde criam e treinam cães da raça huskie para atividades de inverno (como puxar trenós). Depois, seguimos para um mirador, de onde víamos os lagos Escondido e o Fagnano. Paramos para tirar fotos e ele nos serviu um lanche com café, medialunas e alfajores. Para ajudar na digestão, sacolejamos dentro do carro na trilha off road cheia de lama até nos aproximarmos dos lagos. Li relatos de gente que não viu graça no passeio mas a gente adorou! Depois de muitas fotos, seguimos para um chalé ali perto e provamos da tradicional parrilla argentina, ou seja, o churras de los hermanos. Com direito a vinho e tábua de frios. Delícia!

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Estava um dia lindo, de céu aberto e calor. Nada como usar da estratégia da cebola e poder tirar as camadas de roupa. Esse passeio tomou o dia todo. Só sobrou tempo para bater cartão no pub…

Ushuaia | Dia #4

Enfim, o aguardado passeio à Pinguinera. Eu só pensava em ver aqueles bichinhos fofos!

Encontramos o grupo no porto, bem cedinho, e seguimos em uma van até a Estância Harberton, que dá acesso de barco até a Isla Martillo, onde estão os fofuchos. Você tem de respeitar as regras impostas pelo guia; caso contrário, ele te manda de volta pro barco!

São três espécies de pinguins (King, Pspua e Magallánico) que visitam a ilha, entre setembro e abril, para cavar seus ninhos, se reproduzir e cuidar dos filhotes até terem idade suficiente para encarar a vida no mar.

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Nessa época em que fomos (fevereiro), os filhotes já estão com cerca de 3 meses mas ainda parecem bolas fofas, só que grandes bolas fofas. E você chega pertinho deles. E os mais curiosos se aproximam também. Se chorei? Claro que sim!

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Voltando à Estância, visitamos um museu que reúne ossos de diversas espécies que habitam a região. De pequenos roedores a grandes baleias. Bem interessante!

Como o passeio à Pinguinera tem duração de meio dia e só escurece por volta das 21h30 no fim do mundo, pudemos almoçar na cidade e ainda ir conhecer o Glaciar Martial, uma geleira bem próxima do centro – cerca de 7 km. Anna e eu tínhamos pensado em ir a pé, mas conhecemos o Cadu, brasileiro como nosotros, que disse “nãaaaao, vamos de táxi!” e ainda bem que fomos de táxi! É longe e ladeira acima. E você tem de considerar que ainda vai subir até o topo do Glaciar. Levamos 1h40 e foi uma alegria só quando vimos o gelo! Brincamos feito crianças que não têm neve no quintal de casa!

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Ushuaia | Dia #5

O passeio do dia foi até a Laguna Esmeralda. Fizemos por conta, de forma bem tranquila. Tomamos o ônibus de linha, que pode te deixar em dois pontos: um onde você não paga nada mas não tem suporte nenhum, ou em outro, onde você paga AR 35 mas tem uma casa de chá como apoio, com banheiros e uma pessoa que registra sua entrada, e caso você não volte até as 19h00, vai te buscar! Ficamos com a segunda opção!

Fique atento ao horário do ônibus. O único horário que confirmam para sair é às 9h00; não entendemos sobre as demais saídas. O retorno você combina com o motorista. Ficamos com medo do cara esquecer a gente lá, mas o mesmo rapaz que nos levou, nos buscou no horário marcado. São bem pontuais.

Nesse dia, como estava chuvoso, só Anna e eu estávamos na trilha nessa hora. Com a chuva, muita lama. Com a lama, muitos escorregões. Por sorte, nenhuma queda. E foi muito divertido, nos sentimos mega aventureiras e até cantarolamos a música-tema do Indiana Jones… Cerca de duas horas depois, chegamos à tal Laguna Esmeralda. É linda! Fiquei sentada em uma pedra, olhando ao redor e é incrível pensar que o homem é capaz de destruir lugares como esse. Dessa vez não chorei, só refleti!

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E esse foi nosso último dia em Ushuaia. Claro que tínhamos de nos despedir à altura, e batemos cartão no pub para um brinde de adeus.

:: Você já esteve no Ushuaia? Conte pra gente como foi sua experiência. Quer mais dicas? Só perguntar!

:: Não perca a continuação da aventura por El Calafate, na próxima semana!

Besos, Carol =)

Bairro da Luz | Andar a pé eu vou

Fiquei sem carro há algumas semanas e me vi forçada a usar o transporte público. E ainda tenho planos de viajar, o que me força a economizar as moedas. Mas daí chega o final de semana. E o que fazer?

Bom, montei meu “kit Sampa” (guarda-chuva, garrafa de água e protetor solar – absolutamente sem necessidade de casaquinho!), calcei o tênis, peguei meu bilhete único e fui pra rua.

Encontrei com a Fabi e descemos no Terminal Princesa Isabel, na Avenida Rio Branco – já na região central da cidade. Tenho que dizer que pouco resta da beleza que um dia existiu na região da Praça Princesa Isabel, na Avenida Duque de Caxias e nos antigos prédios que sobrevivem ali. Ela fica escondida sob lixo, pichações e a tristeza de pessoas que moram na rua. Impossível passar por ali e não pensar sobre a existência humana!

Seguimos turistando rumo à nossa primeira parada, que era a Estação da Luz. No caminho, no Largo General Osório, você pode apreciar outras construções históricas que rendem um passeio à parte:

  • Estação Júlio Prestes – linda construção que data de 1938, que ainda hoje é parada de trens (Linha 8-Diamante da CPTM) e que, agora, abriga a Secretaria de Cultura de São Paulo e a Sala São Paulo, casa de concertos da Osesp (Orquestra Sinfônica de São Paulo). Eu já trabalhei nesse prédio e adorava ficar explorando os largos corredores, olhando os detalhes das paredes, do piso, do teto. Lindo por dentro e por fora!
  • Estação Pinacoteca – anexo à Estação Júlio Prestes, funcionou com armazéns e escritórios da Estrada de Ferro Sorocabana, e entre os anos 1940 e 1983, como o Deops/SP, Departamento Estadual de Ordem Política e Social de São Paulo, espaço que hoje guarda registros da época da Ditadura Militar no chamado Memorial da Resistência. Super vale a visita. Quem tem curiosidade sobre esse capítulo obscuro da nossa história, vai encontrar conteúdo interativo e até entrar em carceragens preservadas da época.

Era sábado, final de manhã, e a Estação da Luz bombava! Ali funciona a estação ferroviária e acontece a integração com o metrô. É um prédio lindo. Por fora, sua torre faz lembrar o Big Ben, o sino do Palácio de Westminter em Londres. Por dentro, suas paredes de tijolos aparentes e os arcos de ferro tornam o lugar acolhedor. Encanta tanto os olhos, que até casamentos acontecem ali!

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Fachada da Estação da Luz

 

Interior da Estação da Luz

Interior da Estação da Luz

Daí você sai da Estação da Luz e já avista o Jardim da Luz. Cabe dizer que foi um dia de muita luz mesmo, com muito calor na cidade. Sol de castigar a moleira, termômetro marcando 37° em Sampa.

A Fabi passou parte da infância nessa região, que compreende os bairros da Luz e do Bom Retiro.

Oh que saudades que tenho / da aurora da minha vida / da minha infância querida / que os anos não trazem mais… O sentimentalismo do poeta Casimiro de Abreu passou por nós!

E eu que nunca tinha visitado o Jardim da Luz, adorei! De acordo com o site da Prefeitura, a ideia era que ali fosse um Horto Botânico mas acabou sendo o primeiro parque público da cidade, que inclusive, abrigou o primeiro zoológico de São Paulo – deixando, como herança, os bichos-preguiça que habitam as árvores. Não vimos nenhum #chateada.

O espaço conta com muitas espécies de árvores, algumas em extinção, e de aves. Há alguns lagos e riachos que cortam o parque, mas por conta da estiagem da cidade, alguns estavam secos. Tem um jardim em homenagem à Diana, deusa romana da lua e da caça, com um tanque de peixes que você pode observar ao entrar numa espécie de gruta. Você fica pensando quem está olhando quem! E muitas outras atrações, como academia ao ar livre (com halteres de cimento que nos fez pensar nos Flinstones malhando!) e uma bela exposição de esculturas ao ar livre.

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explorasp.wordpress_jardimluz2 Jardim da Luz

Próximo ao Jardim da Luz, você ainda encontra alguns museus, como a Pinacoteca do Estado, o Museu de Arte Sacra e o Museu da Língua Portuguesa, que acabamos visitando nesse dia. Aos sábados, a entrada é gratuita (ponto pra quem tá duro!).

Este é um museu que sempre visitamos. É incrível! Resumindo, ali você conhece a história da língua portuguesa e a forma como o Brasil a transforma, em instalações modernas, tecnológicas e interativas. E sempre acontece uma exposição temporária. A atual se chama “Esta sala é uma piada” e traz alguns trabalhos do 41º Salão Internacional de Humor de Piracicaba, com charges e mini-contos de humor. Criativo e divertido!

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Exposição temporária do Museu da Língua Portuguesa

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Charge em exposição_Luiz Fernando Cazo_se identifica?!

Uma observação que não poderia deixar de fazer: a acessibilidade do Museu da Língua Portuguesa. Vimos pessoas em cadeira de rodas e um deficiente visual acompanhado de seu fofucho cão-guia, que teve a assessoria de uma monitora do museu e pôde contar com a tradução da exposição temporária para o braile. Muito legal saber que o espaço é para todos!

O objetivo do dia foi lindamente cumprido: explorar São Paulo gastando pouco. 😉

Bjs Carol

Informações:

Mochilão no Peru | Por onde andamos

Em março do ano passado, Fabi e eu fizemos uma viagem simplesmemte sensacional pelos mistérios do Peru.

E pensar que antes dessa, em 2013, fomos para NY e Miami – sets de cinema, grifes, arranha-céus, correria, compras, filas, junk food. Pois é, do templo do consumo para o templo do sol!

O objetivo, claro, era conhecer Macchu Picchu. Mas daí, você começa a pesquisar, descobre lugares incríveis, pensa “ah, a gente já vai estar lá mesmo…” e decide rechear a viagem.

Resumindo: foram 18 dias e 17 noites, cerca de 3.000 km rodados por terra, passando por 13 cidades e inúmeros pequenos pueblos.

Contamos, aqui, um pouquinho da nossa experiência:

Comida

  • Mais de 5.000 variedades de batata, cerca de 50 variedades de milho (tem gigante, tem preto), 3.000 tipos de quinua, carnes exóticas como de lhama, alpaca, cui-cui (conhecido por nós como o fofo porquinho da índia; não tivemos coragem de provar… são fofos demais para isso), muito peixe e frutos do mar nas cidades litorâneas e muito frango em qualquer lugar!
  • Provamos arroz chaufa, chicha morada, ceviche, pisco sour, tres leches, spaguetti al alfredo, papa rellena, quinua primavera, trucha, chancho, té de coca, ají, choclo…
  • Mas você também encontra McDonalds, Dunkin Donuts, KFC, Starbucks… Apesar de tanta oferta de comida saudável, eles tomam muito refrigerante e comem muita fritura, o que causa doenças gástricas em boa parte da população das grandes cidades.
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Delicioso ceviche; feira em Lima; comidas estranhas em restaurante de rua; lomo com chicha morada

 Transporte

  • Você atravessa o país, tranquilamente, com os ônibus rodoviários. As empresas voltadas a turistas atendem muito bem e não tivemos problema algum, mesmo comprando antecipadamente pela internet.
  • E ainda explora as cidades em seus meios de transporte locais: em Lima, ônibus velhos, confusos, cheios, sujos, com motoristas enlouquecidos (mas para o turista que gosta de imergir na cultura local, um prato cheio de diversão!); táxi compartilhado (estranho, devo dizer); tuc tuc (um curioso modelo de triciclo motorizado); e até um tipo de bike-táxi. Além de aventuras por barco na Reserva de Paracas, avião em Nasca, barquinho de totora no Lago Titicaca, trem até Aguas Calientes, buggie nas dunas de Huacachina, cavalo em Arequipa e muito pé-após-pé.
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Barco de totora no Titicaca; trem Ollantaytambo-Aguas Calientes; voo sobre as linhas de Nasca; tuc tuc em Pisco; jipe nas dunas de Huacachina

 Idioma

  • O nosso portunhol dá pro gasto mas além do espanhol e dos diversos idiomas dos turistas de todo o mundo, você ouve outras línguas nativas, como quéchua e aimará. Pronunciar corretamente alguns nomes é difícil a princípio, mas é uma questão de respeito com a cultura local – e eles ficam muito satisfeitos quando você consegue!
  • Vá treinando: Ollantaytambo, Pachacamac, Raqchi, Andahuaylillas, Wayallabamba, Winay Wayna, Sacsayhuaman, Tambomachay…

Los peruanos o peruvianos

  • Só elogios: atenciosos, educados, gentis, prestativos, honestos (não ficam devendo dois centavos, não te dão bala como troco e até nos devolveram 25 pesos que pagamos a mais na lavanderia – nos procurando desesperadamente no hotel para isso); todos os guias foram ótimos e a qualidade do atendimento, em geral, foi muito boa.
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Artesã em Nasca; minha apacheta (pago a Pachamama); Menito, em Chivay; múmia em Pukara; arte da Isla de Uros; linhas de Nasca; muros inca e espanhol em Cusco

 História

  • É muito rica a história do Peru, que remonta aos impérios inca e pré-inca. A cada cidade que visitávamos, conhecíamos o nome de uma civilização, diferentes formas de arquitetura, artesanato, vestimenta e alimentação. Apesar da influência européia, o orgulho que persiste no povo peruano é marcante.
  • Esse orgulho faz com que mantenham tradições e costumes. Um super exemplo foi visitar Puno, cidade onde está localizado o Titicaca, o lago navegável mais alto do mundo (3.812 metros acima do nível do mar). Lá, visitamos duas das 41 ilhas do lago: a Isla de Uros, que é flutuante, e a Isla Taquile, de verdade. O que aprendemos? Que dá para se viver com menos do que imaginamos. E sem polícia, sob apenas três regras: não roubar, não mentir e não ser ocioso.
  • E não tem como não falar dos sítios arqueológicos. Não só Macchu Picchu, mas Ollantaytambo, Wiraqocha, Pachacamac, entre vários outros. Basta andar pelas ruas das cidades que a história está ali.
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Ilhas flutuantes de Uros (Titicaca); cordilheira dos Andes; sítio arqueológico Pachacamac; Macchu Picchu; Ollantaytambo

Belezas naturais

  • Tivemos uma aula prática de geografia: A falésia de Lima, a faixa desértica que corta o país de norte a sul, as formações rochosas no mar da Reserva de Paracas, as dunas e o oásis de Huacachina, o Lago Titicaca (que curiosamente, tem água levemente salgada), o altiplano andino com a Reserva Natural de Salinas e Aguada Blanca (que preserva vulcões e várias espécies animais), os cânions do Vale del Colca, a densa floresta tropical de Águas Calientes, o rio sagrado Urubamba (cujas águas seguem para o rio Amazonas) e as lindas montanhas de Machu Picchu e Huayna Picchu (que tivemos o prazer de subir).
  • E uma aula de biologia: leões-marinhos, pelicanos peruanos, pinguins, lhamas, vicuñas, guanacos, alpacas, cães – inclusive o legítimo cão pelado peruano – muitos gatos, condores (um show nos céus!) e viscachas (um roedor muuuito fofo que está em extinção). Só não vimos o puma… #chateada.
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Reserva de Paracas; dunas de Huacachina; Reserva Nacional de Salinas e o Mirante dos vulcões; condor planando sobre o Cañon del Colca

Enfim, a experiência foi intensa e os desafios foram muitos. Distância de casa, idioma que não dominamos, variação climática (de 35° no deserto de Nazca a 8° no vale de Cusco), gastronomia de tempero forte, muita andança e bolhas nos pés, mochila pesada e dor nas costas, a superação do medo de altura que me dominou ao descer o Huayna Picchu, sem falar no soroche (ou mal de altitude) que nos pegou por alguns dias – nem folha, nem chá, nem bala de coca resolveram; partimos para as soroche pills mesmo!

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Por isso, se passou pela sua cabeça a ideia de explorar o Peru, vá!