Quem não gosta de samba, bom paulistano não é

A pessoa que disse que o samba morre em São Paulo, certamente não conhece a nossa cidade. Existem diversas manifestações de samba pela cidade, desde a periferia a bairros chiques da zona oeste, pois o paulistano gosta sim de samba.

Não sou especialista na história do samba, mas pesquisando sobre sua origem em São Paulo tive a surpresa de saber que Pirapora do Bom Jesus (50 km de SP) é considerada a cidade na qual surgiram as primeiras manifestações. Em razão da Festa do Bom Jesus, a cidade recebia centenas de romeiros no mês de agosto. As famílias de fazendeiros que frequentavam a festa levavam seus escravos e estes faziam seus batuques nas senzalas. Mesmo após a abolição da escravatura, os negros provenientes dos municípios de Campinas, Tietê, Capivari, Piracicaba, Sorocaba, Tatuí, entre outras, faziam de Pirapora o ponto de encontro no qual podiam expressar suas tradições.

A fusão de todos os sambas que eram praticados em Pirapora ficou conhecido como “Samba de Bumbo” ou “Samba de Pirapora”, que Mario de Andrade chamava de “Samba Rural Paulista” em seus estudos sobre o novo ritmo. Pirapora tornou-se o reduto do samba paulista.

Não vou me estender muito aqui, mas para quem quiser saber mais, o site da prefeitura de Pirapora tem bastante informação legal.

Eu nem sei dizer desde quando gosto de samba, tive muita influência do meu irmão Edmar que gosta bastante e sempre frequentou as rodas de sambas pela cidade.

Como o nosso intuito no blog é falar de lugares que conhecemos e nossas experiências, não vou fazer uma relação dos sambas que têm em Sampa, mas falar de alguns pelos quais sou apaixonada e alguns bares para quem prefere lugares fechados.

Samba do Bixiga

Imagina uma galera na rua, ouvindo um samba de primeira em pleno coração do Bixiga… Esse é o lugar onde passo quase todas as minhas sextas-feiras.

Quem me apresentou este samba foi a minha amiga Ana Laura, em 2014, e me encantei. A roda de samba é feita pelos feras do grupo Madeira de Lei, que foi fundado em 1975, por integrantes da escola de samba Vai-Vai.

Começa por voltas das 20h, mas enche mesmo às 22h, toda sexta-feira. O grupo está situado há quatro anos na Rua Treze de Maio, em frente à Paróquia Nossa Senhora Achiropita. Quer lugar mais tradicional para o samba que o Bixiga??

Tudo junto e misturado na Treze de Maio

Tudo junto e misturado na Treze de Maio

A batucada rola até a meia-noite, até por ser uma área residencial, mesmo se chover. O que mais gosto deste samba é o fato de ser democrático, ser na rua, onde qualquer pessoa pode parar e curtir a música. O Grupo só pede que a galera consuma no Bar do Gilson, que é o patrocinador da roda de samba.

Ouve um pouquinho e aparece lá na próxima sexta-feira!

– Bar do Gilson – Rua Treze de Maio, 507 – Bixiga.

Samba do Bule

Fundado pelo músico Cesinha Pivetta em 2007, o samba do Bule acontece toda última sexta-feira de cada mês, na sede do Teatro Popular União e Olho Vivo, no bairro do Bom Retiro. A reunião de vários amigos do teatro e amantes de música deu origem a uma roda de samba de primeira.

Mas por que o bule? De acordo com o fundador, o samba não podia parar toda hora para que os músicos pegassem as bebidas, então, um ser iluminado trouxe um bule que anteriormente fora colocado na geladeira, com cerveja para abastecer os músicos. Logo, o bule se tornou um símbolo: “um bom samba é acompanhado pelos seus bebericos. Com o tempo, o Bule prateado ganhou sentido ao carregar a bebida que traz à pessoa que dele bebe uma sensação diferente, influenciando o seu estado de espírito”.

A entrada é gratuita, mas cada um pode contribuir com o valor que quiser; o valor sugerido é R$ 5,00.

Contribuição direto no bule

Contribuição direto no bule

O lugar é um grande quintal com árvores, e a música acontece em um galpão que não é muito grande, mas ninguém liga, o samba toca sem parar e a galera é muito animada.

Olha o bule ali no meio da roda!

Olha o bule ali no meio da roda!

O bar tem cerveja, catuaba, pinga e algumas comidinhas. Fica até um carrinho de milho cozido para os lariquentos (me coloco nesse grupo).

A salvação!

A salvação!

Apesar de ser perto da minha casa, eu nunca tinha ido neste samba e agora espero ansiosamente pela última sexta-feira do mês. Os músicos são ótimos, tem gente bonita e os preços das bebidas e comidas são justos.

– Rua Newton Prado, 766 – Bom Retiro.

 

Paulista com Farofa

Esta roda de samba é a mais inusitada de todas. No meio da pomposa Avenida Paulista, cinco amigos tocam samba e fazem churrasco com farofa. É muito bom ver os engravatados parando para curtir o samba e os motoristas que abrem as portas do ônibus para interagir com a galera. A entrada é gratuita e os espetinhos custam R$ 15,00.

– Avenida Paulista, 1374 – Bela Vista

Ainda tem o Samba da Vela, Samba da Laje, entre muitos outros. Só dar uma “googada” que você acha um rolando em Sampa.

Para quem prefere um barzinho, seguem alguns em que eu fui e outros que só ouvi falar.

Pau Brasil

Tem o bar e o restaurante, ambos na Vila Madalena. Lugar pequeno, mas com ótima música.

– Bar – Rua Inácio Pereira da Rocha, 54.
– Restaurante – Rua Horácio Lane, 207

Ó do Borogodó

– Rua Horácio Lane, 21 – Vila Madalena.

Bar Samba

– Rua Fidalga, 308 – Vila Madalena

Vila do Samba

Sobre o Vila eu falei mais no post sobre o bairro da Casa Verde, mas vale reforçar. O bar é um charme, parece uma vila operária antiga e o samba é ótimo.

– Rua João Rudge, 340 – Casa Verde

Ano passado fui ao show que a Nivea faz para homenagear a música brasileira e o tema foi “Viva o Samba”, nem preciso dizer o quanto gostei, né?

O samba pra mim é poesia, história, representação da nossa sociedade e de lutas. Quanto mais eu aprendo sobre as músicas e compositores como Cartola, Adoniran, Geraldo Filme mais me apaixono.

Se joga no samba você também, meuuu!!

Bjs.

www.samba.catracalivre.com.br

http://www.sambadobule.com.br/

https://pt-br.facebook.com/grupo.madeiradelei

http://www.piraporadobomjesus.sp.gov.br/historia/o-samba-paulista-nasceu-em-pirapora 

 

Anúncios

Heineken Up On The Roof | Evento no Edifício Martinelli

heinekenuotrEm meados de janeiro, a Heineken retomou seu projeto Up On The Roof, com festas em locais emblemáticos da cidade. Ano passado a festa aconteceu no Edifício Planalto e o palco da vez é o Edifício Martinelli, também na região central da cidade.

As festas acontecem às sextas, sábados e domingos, das 16h00 às 00h00. Até 01/março. Rola muita música boa – com DJs e até bandas – muita gente bonita e descolada, sem falar da sensacional vista do alto de 28 andares.

Para conseguir entrar, você tem que acessar a fanpage da marca e clicar no app de listas (lado esquerdo da página). Você pode levar um acompanhante – para isso, tenha em mãos, nome completo e CPF dele.

Simples, né? Nem tanto… Como as festas são “di grátis”, são super disputadas. Apenas 126 pessoas (mais seus acompanhantes) conseguem incluir o nome na lista, que abre em dia e horário pré-definidos. E em menos de 2 minutos, os convites se esgotam. Sim, menos de dois minutos. Pior que Castelo Rá-Tim-Bum!

Entrando na fanpage você vai ver muita reclamação por parte de quem não conseguiu, dizendo que a lista é fake, papagaiada, marmelada… pois eu consegui!

Fomos eu e a Fabiii amiiiga na sexta 30/01. Música boa, comida gostosa do Barê e claro, Heins! O prédio é lindo e é legal a sensação de estar em um local que normalmente não abriga eventos assim. Adoro o inusitado!

explorasp.wordpress_heinekenuotr

A vista é um suspiro à parte. Apesar de ter chovido aquela noite, o céu estava claro e lá do alto localizamos o Sambódromo, o Pico do Jaraguá, a Paulista e tantos outros pontos da cidade.

explorasp.wordpress_heinekenuotr

Vale a pena tentar colocar seu nome na lista. A última lista abre nesta segunda (23/02) para festas nos dias 27 e 28/fevereiro e 01/março.

Acesse o link https://www.facebook.com/HeinekenUpOnTheRoof e tenta lá. Um não você já tem!

:: Que tal um pouquinho de história?!

O Edifício Martinelli data de 1929 e está entre as ruas São Bento, Líbero Badaró e a Avenida São João. São 30 andares ao total, contando com a Casa do Comendador Martinelli no alto. Esse foi o primeiro arranha-céu de São Paulo, por desejo do imigrante italiano Giuseppe Martinelli que queria deixar essa obra inédita como parte de seu legado. Curioso saber que o projeto polemizou na época, quando a cidade tinha prédios de no máximo 5 andares. Sua obra foi criticada, embargada, deu prejuízo mas enfim, foi entregue, cinco anos depois de seu início.

Se você quiser conhecer o espaço – porque não quer festa ou porque não conseguiu ir! – pode agendar uma visita monitorada. Só agendar através do site http://www.prediomartinelli.com.br/

Bjs Carol